quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A euforia do endividamento nacional

Os jornais, aqui e aqui, não contêm e até ampliam a euforia do endividamento de Portugal, alimentada por sectores afectos ao governo. País, sociedades, instituições e famílias, a viver à custa de dinheiros emprestados é um “bom” princípio – o ‘Expresso’ indica a taxa de 4,936%, portanto abaixo dos 5% para nova dívida a 5 anos.
Com esta operação, e em conjugado jogo da baixa política,  pretende-se causar o esquecimento de ‘o mais tempo de dívida’ que o 1.º Ministro tanto negou, às vezes com veemência.
Com efeito, sob a capa de novas medidas do BCE, as quais permitem a Draghi  o afastamento das ‘nuvens negras’ sobre a ‘zona euro’ proclamado por Draghi. Também favorecem a melhoria de condições de acesso ao mercado – no caso de Portugal um regresso que a Irlanda já havia alcançado. 
Os ventos correm, portanto, de feição aos países forçados a endividar-se. Ontem, foi a vez de Espanha, a contrair empréstimos de 10 mil milhões de euros (a 10 anos, acabou por financiar-se em 7 mil M €, acima dos 4 mil M programados). Hoje, é dia de Portugal aproveitar a redução da taxa e o alto nível de procura para aumentar o pedido de 2 para 2,5 mil milhões de euros.
Para refrear tontas euforias, e focando-nos  no País real, analisemos dados relativos ao prazo de 10 anos, segundo a ‘Bloomberg’ - Portugal tem a segunda taxa mais alta da ‘zona euro’ (5,82%), a terceira dívida mais elevada (108,1% do PIB contra 93,5% há1 ano), a segunda pior variação do PIB com –3,5% e a 3.ª taxa de desemprego mais elevada, 16,3%.
Devemos mais, produzimos menos e temos mais pobreza. Quem entende que este é que o caminho para vencer a crise, emigre para a Etiópia, terra do Selassié.