sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O gás monetário e o gás pimenta

PSP no Chiado
Acto Repressivo da PSP no Chiado, Lisboa
O asco a polícias é praticamente um sentimento que se me colou ao espírito e ao corpo, desde a infância. Tudo se deve a um polícia boçal e brutal, privativo, lembro-me, do serviço ao Porto de Lisboa.
Constituíamos um grupo de jovens dos 8 aos 10/11 anos, com o hábito de jogar à bola num descampado, na Quinta dos Ingleses, à Avenida Afonso III, em Lisboa. Por vezes, distraímo-nos e lá vinha a repugnante figura aos berros, geralmente embriagado, de canivete em riste a desfazer a bola em pedaços. Nós fugíamos, porque o homem, de barriga semelhante à grávida de 8 meses, movia-se com dificuldade.
Se bem que reconheça a necessidade da polícia para os fins essenciais e próprios do regime democrático, apenas o odor da farda repele-me. Estou justamente nos antípodas  da jovem algarvia que, em assomo de ternura tão romântico quanto patético, acariciou o polícia do GOE, creio, na manifestação de 15 de Setembro de 2012 em Lisboa.
Os tiques ditatoriais do governo, fruto de óbvia e crescente repulsa dos portugueses, sobem de tom e as chamadas forças de segurança, PSP neste caso, tem de reforçar o suporte.
A polícia, na repressão dos jovens da Escola Secundária Alberto Sampaio, em Braga, teve o despudor de atacar os manifestantes com ‘gás pimenta”; isto, na infeliz explicação de uma comissária local, para evitar uma “acção mais musculada”.
Coelho, Crato, Gaspar, Portas, Macedo e outros governantes misturam-se nesta lama, com dizia ontem Pacheco Pereira na SIC. A PSP envolve-se igualmente no mesmo lodo, a despeito das manifestações anti-governamentais que deixou de realizar em tempo oportuno.
Tem de existir explicação para esta agudização da acção policial sobre os cidadãos; seja em Lisboa, no Chiado ou entre a AR e Cais do Sodré; seja sobre os jovens alunos do ensino secundário em Braga, que contestavam a integração irracional da sua escola num mega-agrupamento.
Será que, entre as notícias aqui difundidas pelo Sindicato dos Profissionais de Polícia e os acontecimentos em Braga há uma relação de causa e efeito? Ou deixou de haver “FMI em demasia”?