sábado, 5 de janeiro de 2013

A fé de Lagarde no bom desfecho da crise portuguesa

Lagarde e Coelho
Christine Lagarde (FMI) e Passos Coelho
Um dos argumentos que mais náuseas me causam é ouvir graúdos e miúdos da política a declarar:
“Portugal não é a Grécia”
ou o equivalente  acto de fé de Christine Lagarde, quando diz acreditar que Portugal não imitará a Grécia. Há várias razões para as náuseas:
  • Os opróbrios cometidos por governantes portugueses e amigos sobre os cidadãos da pátria lusa não diferem assim tanto do  desprezo dos políticos gregos pelo seu povo, em questões de princípio da ética social e política, e evidente na captação de ilegítimas vantagens financeiras.
  • O facto de tanto insistirem em falar da Grécia, sempre que se referem à crise portuguesa, é fenómeno do subconsciente, segundo as teses de Freud, e pode significar que, na consciência, lhes ocorre também a preocupação de que, efectivamente, Portugal poderá vir a ter o destino da Grécia.
  • Por último, é incómodo saber que há situações em que até daria jeito sermos a Grécia e, de facto, não somos; nomeadamente para beneficiar de prazos alargados para o reembolso da dívida e de taxas de juro mais reduzidas – já nem falo em perdões de dívida.
A Directora-Geral manifestou-se preocupada com o desemprego e declara ignorância em matéria de medidas inconstitucionais tomadas em 2012. Os sábios técnicos do FMI erraram no cálculo do multiplicador de austeridade, o que também multiplicou a desgraça de famílias portuguesas.
Será bom lembrar-lhe que igualmente é impossível esquecer-nos da intensidade do crescimento de insolvências e da taxa de desemprego que nos atinje, e ainda que estamos conscientes, e desta vez com o PR como companheiro, que o OGE de 2013 de Gaspar e Coelho está igualmente recheado de obscenas inconstitucionalidades.
Seria um grande serviço prestado pelo FMI, aos pobres e remediados de todo o mundo, mobilizar os estadistas do G-20 para regular o sistema financeiro internacional, limitando os poderes da Goldman Sachs e de outras que tais, bem como extinguir os paraísos fiscais… mas isto é pedir demais, como diria a minha avó materna. Tanto mais que o ex-KGB Putin, falido o modelo soviético, pretende converter a Rússia em paraíso fiscal dos ricos ocidentais.