segunda-feira, 18 de março de 2013

Chipre: a sinergia de vinte imbecis

Cipriotas protestam

Desta vez, e porque rejeito ser militante partidário e politicamente sectário, estou de acordo com Cavaco Silva. Tanto mais que o PR se limitou a reconhecer o óbvio:
Estava longe de imaginar a possibilidade de um esquizofrénico ataque de imbecilidade englobar um colectivo de 17 ministros de finanças do Euro grupo - o nosso Gaspar marcou presença - a elegante Lagarde do FMI - e também da Cartier, da Hermés e da Louis Vuitton - um tal Asmussen, alemão, do BCE e a fechar o finlandês Oli Rhen da CE. 
Do que se conclui da leitura da imprensa portuguesa e internacional, o esquizofrénico grupo actuou por conta de Merkel, associada aos sudetas dos tempos modernos: Holanda e Finlândia. 
Ninguém de bom senso, e ciente da crise grave e transversal de diversos países periféricos, entre os quais Portugal; ninguém de bom-senso, dizia, tomaria a iniciativa de fazer uma apropriação indevida de parte de depósitos bancários no Chipre ou em qualquer outro lugar.
Tomar de assalto 6,75% a quem tem aforrada uma quantia até 100.000 euros transgride uma 'regra de ouro' em países da Zona Euro: o Estado dos países do euro, lembre-se, obriga-se a usar 'fundos de garantia' para indemnizar os depositantes, no caso de falta de liquidez de qualquer banco. Em adição, aplicaram uma taxa de 9,9% do imposto instantâneo a depósitos acima dos 100.000 euros.
Se do ponto vista financeiro, a decisão é abstrusa; do ponto de vista geoestratégico é mais do que desastrosa, para mais considerando os interesses da Alemanha sobre as reservas de gás natural da ilha mediterrânica.
Os russos, através de Putin, já responderam à D. Merkel com firmeza. Por sua vez, a potente empresa russa Gazprom propõe pagar o resgate do Chipre. É evidente que não se trata de acção de benemérito desinteressado, mas ligado ao objectivo de eventual oportunidade de exploração do gás cipriota.
Sábado de madrugada foi uma noite desastrada para as vinte 'eminências pardas' que tomaram uma decisão que pode potenciar uma crise ainda mais profunda no sistema bancário europeu. Todos ficaram responsabilizados pela decisão.
E voltando ao PR, tendo até em atenção o desempenho ministerial de Vítor Gaspar, pleno de erros e incompetência, seria natural que Cavaco Silva declarasse a falta de confiança no ministro, com mais esta comparticipação em deliberação absurda. A tanto, porém,  nunca chegará. Ser condescendente e ter compaixão com quem alinha são rotas que jamais ficarão órfãs da fé do PR no governo integral de Coelho.