quinta-feira, 21 de março de 2013

TV à portuguesa: a política comentada por políticos

Fonte: Juventude Informada
Concluo que, no ilustrado pela imagem, de mútuas acusações, a razão é  capaz de estar mais do lado da 'televisão', quando acusa: "Telespectador idiota...".
Se olharmos as grelhas de programações, desde o boçal Fernando Mendes aos meninos dos 'Morangos Sem Açúcar', dificilmente se inferirá que a "Televisão é Burra" - errará episodicamente aqui ou ali, mas "burra" de todo não é.
No comentário político, por exemplo, as TV's ocupam um lugar de destaque de originalidade mundial. Do Marcelo ao Mendes, do Assis ao Ramalho, do Bernardino à Odete, do Fazenda à Drago, todos os partidos com assento partidário têm tido lugar cativo, no dito pequeno écran, a horas de consideráveis audiências.
Nenhum dos canais - há estações com vários - poderá negar a participação no pérfido jogo de colocar os cidadãos, ao pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar, a saborearem o comentário político feito por políticos - a minha vizinha do 3.º esquerdo confessou-me há tempos que jamais conseguiria dormir tranquila de Domingo para 2.ª Feira, se não saboreasse os comentários do Prof. Marcelo e as provocações, risos e sorrisos da Judite. Ao Domingo ficou mesmo dispensada de tomar 'Xanax".
Neste ambiente de cumplicidade de televisões e políticos, e longe do objectivo de defender Sócrates mas sim de criticar o modelo, não entendo os 'sound bytes' e o espanto, desta maralha dos jornais, no regresso do ex-primeiro ministro como comentador da RTP em Abril. Qual é a diferença em relação a outros ex-primeiros ministros, ministros, secretários-gerais, deputados? Se há contas a ajustar com Sócrates - e eu penso há, tal como com muitos outros, então que o sistema de justiça funcione, do Ministério Público ao Tribunal Constitucional.
Toda esta 'mise en scène' à volta de 'Monsieur Sócrates' - será comentador gratuito - serve às mil maravilhas para o ex-cervejeiro Ponte desfocar  a atenção dos tais "telespectadores..." e demais cidadãos da ordem de despedimento autoritária, e porventura ilegal, de Nuno Santos, cuja causa fica, deste modo, esbatida na opinião pública.
A propósito, o que é que o patrão da ERC, Carlos Magno, tem a dizer sobre o processo RTP-Nuno Santos? Os "tachos", para se manterem, compelem a comprometedores silêncios.