quarta-feira, 20 de março de 2013

O eufemismo da Economia da Felicidade

A economia, sim a economia real cujos conteúdos tratam da produção e distribuição de bens e rendimentos, permanece a milhas, de como ciência social, cumprir o papel de teorizar soluções para garantir um mínimo de equidade de milhões de seres humanos no universo.
Há um mar de exemplos de subversão do 'sistema económico' pelo 'sistema financeiro'. Regem-se por doutrinas e objectivos distintos, as mais das vezes opostos.. Atente-se nas prestações do ministro Gaspar e do séquito de apóstolos que o acompanha nas famigeradas sessões no macróbio salão do Ministério das Finanças.
O ambiente socioeconómico do caos, actualmente prevalecente no Sul da Europa, e em que Portugal se integra com o desemprego de mais de 1 milhão de cidadãos e um tecido económico destroçado, torna eufemístico e ridículo o facto do INE e de um grupo de ilustres académicos se dedicarem a preparar e discutir um indicador inédito para medir o 'bem-estar' dos portugueses.
A ONU declarou ser hoje o 'Dia Internacional da Felicidade'. Na submissa pátria lusitana, houve de imediato ilustres pensadores empenhados nas teorias da 'Economia da Felicidade'.
Quem quiser limitar-se ao País onde vive, que estude o grau de 'bem-estar' de quem habita zonas suburbanas degradadas ou no interior onde equipamentos sociais e de saúde têm sido desmantelados a eito, sem atender às carências sem fim da infelicidade de quem aí vive.
Se quiserem fazer uma digressão por esse mundo fora, a dificuldade estará na escolha: Chade, Guiné-Bissau, Etiópia, Angola dos musseques, Brasil das favelas, Venezuela da pobreza agora apenas mitigada, Bolívia, Índia e China serão, entre muitos, os destinos onde encontrarão populações inundadas de fome e miséria.
Espero que um dia, com o realismo do mundo em que vivemos, a ONU declare o 'Dia Internacional da Infelicidade' e o INE e estudiosos habilitados definam os indicadores do 'sofrimento e morbilidade' das populações desprotegidas. Esse capítulo, infelizmente, terá matéria para ser o mais extenso de qualquer obra da 'Economia da Felicidade'.