domingo, 7 de agosto de 2011

O que se pode dizer a um g... destes?


O que, de facto, se pode dizer a um governante destes? No mínimo: "vá dar uma curva ao bilhar grande e não volte a usar o Facebook para nos provocar". Para provocações, já bastam as nomeações dos amigos para a CGD e mais de 450 'boys e girls' laranjas para funções de assessoria, secretariado, motorista e os tais especializados.
Que vá de férias para bem a longe - a Coelha está tomada pela velha(ca)ria e não tem espaço para coelhos. Olhe vá até às Ilhas de Bijagós e fique por lá muito tempo de tanga! E, por favor, deixe de 'tanguear-nos'.

Revoltas em erupção


A descrição do espírito de revolta de Patxi Andion é desnecessária. Basta ouvir com atenção a letra desta canção, 'Rogelio'. Quase tudo fica definido nas palavras do primeiro verso:
mesma casa com a mesma fome, vivíamos...

Os políticos europeus actuais, de que David Cameron é paradigma, bem podem esforçar-se a justificar que conflitos desta dimensão se tratam de episódios pontuais e locais, sem significado social e político de maior. Com o argumento de saneamento das finanças públicas condenou 500.000 cidadãos ao desemprego, número a que se devem somar batalhões de excluídos por outras formas.
No Reino Unido, como em Espanha, a vida social está a ser marcada por acções de contestação e revolta de grupos sociais. De jovens sobretudo. Quem for honesto e objectivo na análise, concluirá que, sob pretextos distintos, as razões de base são comuns: incapacidade e falta de vontade dos políticos actuais para, de forma inovadora e eficaz, aniquilar os 'sistemas financeiros e económicos' do descalabro que atingem a vida de milhões de seres humanos do mundo e da Europa. Sim, é oportuno lembrar, entre outros, os 12 milhões de esfomeados da Somália e a morte semanal de 30.000 crianças desse ignorado espaço africano. Com de tantos outros, em África.
Um pormenor curioso, Reino Unido dos conflitos em Tottenham e Espanha dos indignados são países governados sob a tutela de regimes monárquicos. O que deixará certos adeptos da monarquia silenciados. Por se provar, sem sofisma, que, sendo monárquicos e republicanos patrocinadores de idêntico modelo do capitalismo financeiro internacional, os referidos regimes estão em causa na defesa dos direitos colectivos. Obviamente, a prática demonstra ser necessário encontrar caminhos de uma ordem económica e social de ruptura. Que estilhace, por inteiro, o passado e o presente, a nível global.
Os verdadeiros Reis ou Chefes de Estado, entenda quem quiser, são gente como Warren Buffet ou, no domínio doméstico, o corticeiro Amorim e a 'petróleo-diamantífera' Isabel. É, de facto, sob o tecto do tipo dos Estados prevalecentes, que se promove a ganância e fortuna de poucos e a pobreza, a miséria e a fome de vastos milhões. As vagas da revolta avançam. Um dia... - quem sabe, se cedo ou tarde?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Centros de Emprego eficientes - e eficazes?

O Ministro da Economia e do Emprego, o famoso Álvaro, quer Centros de Emprego mais organizados e eficientes. Parece natural e legítimo. Todavia, no interesse dos milhares de desempregados, talvez não fosse despiciendo acrescentar aos objectivos a eficácia; isto é, produzir resultados concretos em termos de arranjar trabalho à maioria dos inscritos nos citados centros. Mas aqui é que 'a economia torce o rabo'. Com a estagnação herdada e as medidas recessivas actuais e futuras, o frágil tecido económico português é demasiado parco em oportunidades de trabalho. E porque este problema - estrutural, diga-se - é complexo e nodoso, o Sr. Ministro tem dificuldades em resolvê-lo; se é que não está a agravá-lo em conjunto com os companheiros de governo, através da orientação política que os inspira.
Outro pormenor a reter da notícia é o propósito de lançar acções de formação profissional para desempregados. Tudo estaria certo se o objectivo se confinasse a dilatar as oportunidades de emprego e, em simultâneo, satisfazer as necessidades das empresas. O pior é que transferir desempregados para acções de formação diminui artifificalmente o número de desempregados. Os valores publicados pelo INE reflectirão um ilusório sucesso, caso se repita a tradição do passado.
Se Sócrates e os seus governos trabalhavam para as estatísticas, o actual Ministério da Economia e do Emprego, com o exemplo referido, não enjeita seguir igual via. Mais do mesmo, portanto.

Os Indignados 15-M: Madrid aqueceu



A blindagem policial da Puerta del Sol não desmobilizou o 'Movimento 15-M'. Os chamados indignados escolheram um local alternativo no centro de Madrid. Desceram a Gran Via e instalaram-se na Praça Cibeles, frente ao Ministério do Interior.
Segundo o 'El País', o número de manifestantes foi de algumas centenas. Dos confrontos com a polícia, documentadas pela imagem, resultaram 20 feridos, entre os quais 7 polícias.
A luta dos manifestantes, lembre-se, é motivada por situações desesperantes. Devido à elevadíssima taxa de desemprego em Espanha, acima dos 20%, os 'indignados' combatem a segregação social que os lança na pobreza e a muitos até na miséria.
A crise europeia, de que Espanha e Itália são os epicentros da erupção actual, entrou em nova aceleração e não há líderes políticos à altura de criar um projecto de solução. Capaz de concentrar as políticas na protecção do tecido humano e coesão social dos países da UE; em simultâneo, afrontando e reduzindo à mínima expressão o poder dos tais mercados e investidores que, despudoradamente e desde 2008, têm submetido vastos milhões de pessoas a penosas vidas enxameadas de carências extremas, incluindo a fome. Isto, diga-se, numa Europa que foi o paradigma dos benefícios do Estado Social.
Os políticos europeus, a continuar a demonstrar falta de visão e competência, submetendo-se aos caprichos da D. Merkel, provavelmente estarão a subvalorizar a hipótese de um dia destes haver a explosão da 'bolha social'. E a fase de pré-explosão, como se vê, já se iniciou nos países do Sul da Europa. O que não significa que o fenómeno não se alastre ao Centro e finalmente ao Norte. Basta ver o constante bailado de Sarkozy, para se perceber, por exemplo, que a dívida da França não permite ao presidente francês interromper o rodopio à volta de Berlim.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Comentários execráveis

O último mês da vida de José Sócrates, muito aparte da luta político-partidária, foi dramático. Pai e o único irmão que lhe restava faleceram. O sofrimento do ex-primeiro-ministro, que quase sempre contestei, merece-me o maior respeito. A discordância política, a não ser que se trate um facínora do tipo de Hitler, de Salazar, de Pinochet ou de outro do género, não deve ser impregnada do ódio expresso nestes dois comentários execráveis, no jornal "i":
Vítor Guerra:
"Falta o tiro no porta-aviões..."(sic)
Fenix Fenixx:
"Já ouviram dizer que tudo se paga neste mundo...pois então!”(sic)
Não me venham com o argumento de serem casos isolados. Já li outros semelhantes. E não se justifiquem também com a tese de se tratarem de loucos. São sim gente ignóbil, incapaz de aceitar a vivência democrática e de prescindir do espírito rancoroso com que se conduz na vida. Infelizmente, a sociedade actual contém cada vez mais estes espécimes espúrios e aberrantes.
ADENDA: Entretanto, o Jornal "i" decidiu remover os comentários denunciados. Louvável.

Cascais sem comboios, país sem rumo

Agora defensor de investimentos na produção de bens transaccionáveis, Cavaco Silva foi o PM pioneiro na prioridade a infra-estruturas rodoviárias, em detrimento da ferrovia.
O PS, por irressitível mimetismo das políticas ‘laranja’, teve em Guterres e Sócrates - com Barroso e Santana pelo meio - outros dois intérpretes das grandes obras de estradas, viadutos e tuneis, com desprezo pela via férrea.
Portanto, e porque nunca cuidaram do problema devidamente, até em termos de transportes ficámos às ordens da troika e condicionados pelo memorando que PS, PSD e CDS subscreveram com FMI-BCE-CE.
Ontem, a TV anunciava o fecho das oficinas da CP na Figueira da Foz, admitindo-se haver relação com o encerramento da Linha do Oeste.
Hoje, sabe-se que a Linha de Cascais que está em risco de fechar . Ao que se percebe, pela incúria dos diversos governos pelo caminho-de-ferro, à excepção do anedótico 'dossier' do TGV. O funcionamento de uma das principais linhas suburbanas do País está ameaçado. A ligação em 2010, sublinhe-se, serviu cerca de 30 milhões de pessoas.
A falta de lucidez - ou a prevalência de outros interesses? - dos gabinetes governativos desde há 30 anos é uma das marcas do vazio de estratégias; mas também da noção da falta de dimensão das políticas. Se já foi grave reduzir a escombros muitas estações de caminho-de-ferro do país, mais grave ainda, por trazer problemas de maior complexidade, é o risco de atingir com a paralização uma linha suburbana vital para a região de Lisboa. De resto, é também criminoso.
O 'i' cita ainda que, ao contrário do que sucede com a Linha de Sintra, o troço de Cascais corre o risco de não ser facilmente privatizável, porque requer um investimeno de 180 milhões em automotoras de bi-tensão. Para muitos, infelizmente, as preocupações centram-se, pois, nos interesses dos investidores e não nos serviços à população e até na defesa da actividade turística da Costa do Sol.
Trata-se de uma linha histórica, cujo primeiro troço, entre Cascais e Pedrouços, foi inaugurado em 1889, mas nem a história nem a efectiva necessidade de servir três dezenas de milhões de pessoas anualmente têm servido para mais do que uma propositada negligência.
Por último, é de realçar que o fecho da Sorefame, aqui bem documentado, também complica a compra das locomotivas em termos de endividamento externo. Neste momento, o potencial do valor acrescentado nacional é praticamente nulo. Nem os vidros para as carruagens se produzem em Portugal, por encerramento do fabrico na ex-Covina e actual Saint-Gobain Glass. São resultados da grande obra dos partidos do governo central e do apêndice CDS, na destruição do tecido económico.
(Nota: Quem tiver interesse em conhecer a história do uso das automotoras em Portugal, assim como da actividade Sorefame, sugiro a consulta deste site)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A Banalização da Violência




Na Noruega, foram retirados do mercado videojogos violentos, de que o pavoroso assassino Breivik era utilizador confesso. O "World of Warcraft" e o "Call of Duty" são dois dos jogos retirados. A medida, é explicado, foi tomada em respeito pelas vítimas do massacre.
Claro que, a avaliar por comentários da notícia, proliferam em Portugal opiniões contrárias à decisão em causa. Negam qualquer relação dos videojogos com o comportamento do assassino. Haverá outros a admitir o inverso. Enfim, o assunto é polémico, mas não deixa de ser verdade que o mundo actual é marcado por fenómenos crescentes de violência: a 'violência juvenil", em que se integra o "bullying" por exemplo, e a "banalização da violência", esta última referida assim por Washington Araújo em 2005:

“O gradual processo de insensibilização decorrente da banalização da violência é preocupante. Como diz Cristopher Lasch, os meios de comunicação em massa facilitam “a aceitação do inaceitável”. Eles terminam por amortecer o impacto emocional dos acontecimentos, neutralizando a crítica e os comentários. A violência ganha cada vez mais ares de normalidade e naturalidade, além de estar alcançando uma crescente “aceitabilidade” social. A inevitabilidade tem gerado atitudes do tipo: “deixa rolar”; “não tem jeito mesmo”; “super normal”; “deixa assim para ver como é que fica”. Dessa forma, podemos constatar que a saturação de programas violentos provoca perda de sensibilidade, “brutalizando” as pessoas a longo prazo. A psicanalista Raquel Soiler alerta que as crianças podem estar sofrendo de “televisiosis”. O principal distúrbio desse mal seria uma síndrome de neurose, cujos sintomas são a mania de perseguição, a fobia e a desordem mental. Cada vez mais é intransferível a responsabilidade dos pais sobre o que seus filhos assistem diariamente na TV.”

A comunidade científica ligada à saúde mental, como se vê, já debate os efeitos das televisões, videojogos e tecnologias de comunicação no comportamento social dos humanos e na ampliação do fenómeno de 'banalização da violência'. Poderá, pois, ser normal que muitos utilizadores de videojogos violentos neguem efeitos preversos; porém, a verdade autêntica é que o contributo desses jogos e de certos usos de tecnologias é nocivo em relação à formação e civilidade da personalidade humana. Tome-se o exemplo do jovem de 17 anos que faleceu a ‘tourear’ carros na estrada, próximo de Proença-a-Nova. A motivação foi de exibicionismo com o recurso (tecnológico) à Internet: depositar um filme da aventura no 'Youtube'.


BPN: Dúvidas dos deputados do PSD e CDS

 
Afinal, parece que as condições que levaram o governo a preferir o BIC na venda do BPN também merecem dúvidas aos deputados dos partidos da coligação, PSD e CDS. Os dois grupos parlamentares decidiram, em conjunto, ouvir explicações sobre o negócio da Secretária de Estado do Tesouro, Maria Luísa Albuquerque.
Resta agora saber se os referidos grupos de deputados estão mesmo interessados em esclarecer seriamente dúvidas ou se, porventura, estão a ensaiar uma espécie de fogo-fátuo para iludir a opinião pública.
Está, pois, na consciência desses parlamentares quererem ou não abordar o problema com seriedade, competindo à oposição, acima de tudo ao PS, actuar activamente no apuramento da verdade. Não apenas em relação à venda, mas igualmente no julgamento daquilo que Maria de Belém designou por "todos os actos criminosos que foram cometidos".
O esclarecimento desta transacção a favor do BIC, de Amorim, Isabel dos Santos e outros membros cleptómanos da nomenclatura do poder angolano, sob a batuta do ignominioso Mira 'Imoral', o esclarecimento, dizíamos, é devido, sobretudo, aos contribuintes portugueses; porém, as alegações do histórico Montepio Geral, cujo presidente reclama nem ter sido chamado à mesa das negociações, e ainda a exigência do grupo NEI obrigam também a que o governo deixe bem claro que, para os restantes candidatos, a preferência dada ao BIC se justifica à luz do interesse público. Pelos vistos, há fortes razões para duvidar.
(Volto a insistir: PS, PSD e CDS, subscritores do memorando com a troika, ao aceitar que, no ponto 2.10, ficasse explícito que a venda do BPN não estava condicionada por um preço mínimo, cometeram um acto de enorme incompetência; essa condição apenas serve os interesses dos eventuais compradores, limitando seriamente os objectivos de receita de quem vende, ou seja, do Estado Português) Tudo isto é fruto dos políticos que temos…    

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Desengravatados ficam para o fim

Tenho dúvidas que isto e isto, que são a mesma novidade das datas de pagamento de salários por ministério, entre 20 e 23 de cada mês, sejam notícia de 1.ª página. Bastaria, a meu ver, que cada ministério informasse internamente os funcionários das datas de pagamento. Se houver reacções negativas, tanto faz ter sido anunciado na comunicação social como informado no local de trabalho.
Acrescente-se que, neste tipo de situações, o polémico e arbitrário calendário dá origem a naturais especulações:
Por que razão Finanças, Defesa, Solidariedade e Segurança Social e Negócios Estrangeiros hão-de ser os primeiros e a Educação e Ciência em conjunto com a Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território os últimos?
Pensei em deixar a pergunta no ar, mas aprofundando a reflexão chego a uma explicação: na Educação e Ciência, área constituída maioritariamente por professores, estes não usam normalmente gravata; tenho vários amigos professores e não estou a ver uma ou um que seja a usar diariamente o incómodo acessório. Por sua vez, no extenso ministério de Assunção Cristas, a gravata foi abolida. Juntando os silogismos desta lógica, conclui-se: O GOVERNO DECIDIU QUE OS DESENGRAVATADOS FICAM PARA O FIM.
Tá a ver Dr.ª. Assunção Cristas como o governo em que participa é ingrato. Quem poupa na energia e nas emissões de CO2, “soutoura”, é pago mais tarde. - E esta hem! - diria o saudoso Fernando Pessa.

A RTP e a perturbação do mercado






A palavra 'mercado' ou o seu plural 'mercados' entraram na linguagem quotidiana. Quase sempre em explicações imperceptíveis e livres de personificação, para referir flutuações financeiras: as taxas de juro aplicadas às dívidas soberanas, as compras dessas dívidas, as cotações de bolsa e outros mega-episódios do mundo comandado por especuladores. São sempre os mercados a ditar guerras, movidos por gente sem rosto.
No caso da privatização da RTP, também o primeiro-ministro cede aos mercados e adia a privatização da estação de TV pública. Não porque entenda que o Estado deva manter em seu poder um meio de comunicação isento e suficientemente plural, quer em termos programáticos, quer em termos de divulgação externa da vida do País e a difusão da cultura e da língua portuguesas, em especial junto das comunidades de emigrantes e de países da CPLP. Tudo isto, acentue-se, é serviço de interesse nacional e não negócio.
A motivação do adiamento 'sine die' da privatização da RTP é, pois, ditada fundamental e exclusivamente pela fuga à guerra que se despoletaria no mercado televisivo, hoje em recessão, entre o Dr. Balsemão (Impresa) e Nuno Vasconcelos (Ongoing); da qual a TVI certamente também não se excluiria.
Afinal, as forças livres do mercado, essa grande abstracção neoliberal, também podem ser artificialmente mitigadas ou mesmo eliminadas. Basta que estejam em causa os interesses de poderosos e o Estado neoliberal vale-lhes de imediato.