domingo, 6 de maio de 2012

Distribuição Moderna: Cristas, 10 – Álvaro, 0

consumidor e produtor
As margens da distribuição moderna, o consumidor e o produtor

A jornada promocional do “Pingo Doce”, no 1.º de Maio, inflamou  o debate sobre as margens e condições desreguladas do negócio da distribuição moderna em Portugal – os líderes do sector são, como se sabe, o ‘Pingo Doce’ e o ‘Continente’.
O evento chegou, pois, a suscitar posições contraditórias entre membros do governo. A ministra Cristas declarou:
“O que temos visto é que nestes casos as grandes superfícies e grandes grupos – e em particular a Jerónimo Martins – fazem promoções e depois mandam uma cartinha a impor os descontos nos preços acordados, sem negociação. Essas práticas não são admissíveis”
O inefável Álvaro, ministro da Economia e do Emprego(?), disse, por sua vez, não alinhar com as críticas ao PD, argumentando:
“Este tipo de acções é normal em vários países, da Europa aos EUA”.
Em primeiro lugar, e porque não basta afirmar sem provar, gostaria que Álvaro desse um exemplo, ao menos um, de uma operação idêntica, realizada no 1.º de Maio, em qualquer País europeu ou nos EUA – EUA, lembre-se, que são a pátria do 1.º de Maio, mas que, paradoxalmente, não o comemora como feriado nacional.

sábado, 5 de maio de 2012

O Portugal corrupto

capa do correio(2)
Portugal, como país, é um espaço geográfico, humano e social, carregado de diversas matizes.
Ao falar do Portugal profundo, o conteúdo são as manchas do País envelhecido, isolado e inerte, ignorado pelas lideranças políticas. Temos o Portugal insular, com o inebriante brilho dessa joia madeirense caprichosamente chamada Jardim. Do mapa, destaca-se o Portugal da orla marítima, onde, aqui e além, se aglutinam grandes polos urbanos, povoados de gente de todas as classes – dos abastados proprietários de palacetes e urbanizações de luxo aos humildes e marginalizados, a viver em dormitórios erigidos por “gaioleiros” ou “pato-bravos”, ou em bairros sociais carregados de anátemas. Do desemprego a vidas marginalizadas, do álcool á droga.
Temos também, um Portugal deliberadamente difuso e confuso, construído por segmentos de gente que, de pobre ou de classe média, evoluiu súbita e celeremente para extractos sócio-económicos de elevado estilo de vida. Bastou-lhes, apenas, militar em manadas de misantropia de desumanidade extrema. Nos negócios ou na política. Disto, nos fala hoje o ‘Público’, do Portugal corrupto. Com um texto, precedido do seguinte título:

“ Estudo diz que leis anti-corrupção em Portugal estão "viciadas" à partida”.
 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Reino Unido: a direita começou a levar nas ventas

Sem a crise do euro mas com as dores da libra esterlina, em aliança com os liberais democratas, David Cameron está a levar nas ventas e com força.
Nas eleições locais, e segundo dados da BBC, projecta-se um resultado nacional de 38% para o Partido Trabalhista (Labour), uma subida de 3%, contra 31% dos Conservadores (Tories), com uma perda 4 p.p.. Por sua vez, os Liberais devem manter-se nos 16%, mas com um número de eleitos inferior a 3.000 lugares, o que sucede pela primeira vez desde 1988.
Em Londres, o favoritismo do conservador Boris Johnson está aquém das expectativas. Às 19:00 horas, contados os votos de 10 das 14 jurisdições, os resultados eram os seguintes:
Nome
Partido
Votos
Johnson Conservador
724.226
Livingstone Trabalhista
592.148
Paddick Liberais Dem.
64.709
Jones Verdes
63.261



Jardim a desbaratar o nosso dinheiro

De Alberto João Jardim, como político e homem,  nada surpreende.  Destemperado e boçal no comportamento e sem o menor respeito por compromissos políticos sobretudo com o poder central, tudo se pode esperar, do pior claro, da vida pública de Jardim.
No entanto, como o homem é do PSD, partido dominante da coligação e há um enxame de anteriores dirigentes ‘laranja’ lhe acham imensa piada, até o Sr. Silva e o Prof.Marcelo, o político madeirense persegue a marcha imparável da indisciplina, da prepotência e do total desrespeito pelo interesse nacional. Agiu sempre com um grande à-vontade, certo da conivência e dos receios de quem o deveria punir. É um dos nossos inimputáveis.
Agora, nas barbinhas do troca-tintas Coelho e do pastoso Gaspar, AJJ vai emprestar – ou esbanjar? – 259 milhões de euros, de fundos públicos a 5 sociedades de desenvolvimento (?) regional, todas em situação de falência técnica, dizem o Tribunal de Contas e a Inspecção-Geral de Finanças.
Acrescente-se que a referida verba provem do financiamento de 2012, no âmbito do Programa de Ajustamento Financeiro.
Caso para lhe dizer: “Ó filho ajusta, ajusta que os funcionários públicos no activo e reformados, e ainda os pensionistas da privada, com os restantes portugueses, pagam e o Gaspar de ti tem medo…desbarata lá o nosso dinheiro!”.
Ah, esquecia-me: “A culpa é sempre do Sócrates, de maneira que estás à vontade, Alberto João…” 

‘Pingo Doce’: Soares dos Santos encornado

alexandre soares dos santos
Soares de Santos, o encornado
Alexandre Soares dos Santos, segundo o ‘Sol’, não teve conhecimento da operação de promoção do ‘Pingo Doce’ no 1.º de Maio.
À semelhança de Henrique Granadeiro há uns tempos, na PT, foi encornado. Neste caso, os traidores foram os ‘marketers’ do ‘Pingo Doce’.
Porém, os malandros têm sempre sorte. O tio Alexandre é compreensivo, não o repugna ser corno  - nestas circunstâncias, entenda-se - e acabará por premiar toda a equipa de marketing do PD. Até o Estado português, ao que se anuncia, será contemplado com uma verba de 15.000 a 30.000 “euritos” de coima, porque isto de fazer ‘dumping’ em Portugal é muito económico. Mesmo em negócio de milhões. Somos muito competitivos.
Walmart, Tesco, Sainsbury, Safeway e outros, venham até cá e aprendam. Têm é de pedir desregulação total aos governos dos países onde têm lojas.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Sarkozy, a derrota anda por aí


Sacré Coeur
Comemorar vitória antes de tempo é, de facto, um exercício arriscado. Se falhar, o incauto optimista sai murcho e machucado.
Todavia, depois do debate de ontem, em que Sarkozy, nervoso e desastrado, saiu de gatas e por Hollande cilindrado, há acrescida crença na vitória do candidato socialista, nas presidenciais francesas do próximo Domingo.
A cimentar a confiança em Hollande, surgiram sondagens após o debate. Todas lhe são favoráveis. Sondagens são sondagens, valem o que valem, mas os peritos e privilegiados no acesso ao oráculo do Sacré Coeur, em Montmartre, juram que o candidato socialista será o preferido. Um candidato, diga-se, católico para uns, judeu para outros, mas confesso defensor da população islâmica. Religiosamente transversal e admirado em todos os credos. Oremos e veremos.
Segundo os presságios das sondagens, sempre malditas se adversas, Sarkozy sofreu novo revés no objectivo de permanecer no Palácio do Eliseu, mais precisamente na Rue Faubourg Saint-Honoré, 55, VIII arrondissement, Paris.
Para desilusão de ‘Sarko’ – e de Merkel, por que não? – o centrista Bayrou, ao contrário da Le Pen que votará em branco, declarou que depositará o voto a favor de François Hollande.
Um conselho:
“Sarkozy, mergulha a alma, a devoção e dirige uma sentida prece ao Senhor; na Notre Dâme ou junto do divino juiz no Sacré Coeur; porque, Sarkozy, a derrota anda por aí e nem os amparos vocais e  sensuais da Bruni compensarão a dor da fuga da vitória”.
Hollande? Inshallah!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Dissequemos a operação ‘Pingo Doce’

fotoPDA singular, porque original e arrojada, operação de promoção no 1.º Maio dos supermercados ‘Pingo Doce’, da Jerónimo Martins, pode ser analisada em diversas vertentes. Dessa diversidade, destaco os capítulos principais:
1) Acção de marketing:
A JM, em bem conseguida operação de marketing, centrada na redução drástica da variável preço, disponibilizou aos consumidores que, no 1.º de Maio, adquirissem, pelo menos, € 100,00 um desconto equivalente a 50%. Sem restrições ou exclusões das inúmeras classes de produtos, dos alimentares a bens não duráveis – dito de outro modo, da margarina ao micro-ondas, passando pela cerveja e o vinho, o ‘Pindo Doce’, nas condições referidas, concedeu um valioso desconto de 50%. A acção de marketing, uma vez colocada no terreno, revestia-se da probabilidade do enorme sucesso registado, ainda que com os conflitos e o ambiente de guerrilha vivido nas lojas.

O desemprego e o descaramento de Passos

Ontem, ao ver Passos Coelho profanar o ‘Dia do Trabalhador’, com o descarado discurso do desemprego nos próximos anos, pensei e disse de mim para mim: “Olha este gajo já sabe que a taxa de desempregados aumentou e está a preparar o pessoal para a má notícia que aí vem”.
Publiquei este ‘post’ de repulsa pela figurinha – ou figurão? – que nos saiu em sorte para PM, a seguir a um outro que, bem vistas as coisas, inaugurou o ciclo político dominado pelos meninos ex-jotas; todos, embora com nuances, diga-se, com uma sede  enorme do  exercício lesivo da governação de Portugal e da vida dos portugueses; para mais, sem que estejam, de facto, habilitados a fazê-lo. A não ser captar proveitos pessoais, ressalve-se.
O que congeminei e concluí, muita gente o fez, penso. Não me arrogo, pois, do cometimento de sábia e rara inteligência. De tal forma, estes meninos são destituídos de bom senso que os truques de comunicação burlesca, se revelam facilmente previsíveis, aos olhos de todos.

Desemprego: 15,3% diz o Eurostat

Ora hoje tivemos a justificação da suspeita: aqui e aqui, a comunicação social divulga que a Eurostat, em relação a Março passado, registou um aumento da taxa de desemprego para 15,3%, em Portugal. Continua, pois, o governo a assegurar presença no pódio dos mais altos valores dessa chaga na UE de 27 países. Consolidámos, de facto, o 3.º lugar dos países líderes, com os tais 15,3%, a seguir a Espanha (24,1%) e à Grécia (21,7%).
Com esta Europa que, a partir de Berlim, impõe a via única da política monetarista e draconiana do controlo do défice, sem crescimento e emprego, em óbvio detrimento da qualidade de vida dos cidadãos, os milhões de desempregados, em particular os jovens ou mais idosos, desocupados de longa duração, poderão um dia vir gritar: basta! E exigir o fim das políticas de austeridade de que Coelho e sua trupe são dos mais severos e desumanos executores, a mando dos directórios externos.

Antevisão da partida dos governantes

Lá regressará o Coelho ao trabalho com o Correia, o Gaspar para o FMI, o Álvaro para o Canadá e o Relvas para o Brasil. Com ou sem Mota e de Cristas em baixo, Portas relançará a carreira parlamentar, com o carisma teatral que lhe é próprio - como não fosse nada com ele.
Quem se seguirá? Outro jota. Porra! Somos um povo com o destino marcado. 

Ó Alexandre, emprega lá estes, por favor

pingo_doceOs blasfemos estão em incontido delírio. Um rodopiou extenuado pela diversão, até à apoplexia final.  O sucesso da promoção Pingo Doce, no 1.º. Maio, cativou-lhe a emoção . Diz que não estamos perante a concertação social, mas está certo do mérito e humor da jornada de marketing da insígnia do Alexandre,  ‘O Grande Merceeiro’: “Isto é de facto hilariante”. Riu-se horas a fio, com gargalhadas soltas e sonoras, a pontos de ser encaminhado de urgência para o HSM, devido a imobilização dos maxilares. Coitado, paralisou o riso de  boca aberta, ao deglutir sofregamente o êxito de uma jornada de  civismo e ética indescritíveis. A que não faltaram confrontos verbais e físicos entre populares, mediados pelas forças da PSP, sempre dóceis e generosas (no ‘porradum’). As bebidas alcoólicas foram dos produtos que mais depressa se esgotaram das prateleiras e, portanto, é natural que os ânimos se tivessem volatilizado em acaloradas exaltações.
Outro, utilizando o mesmo epíteto, 1.º Maio Subversivo, foi mais parcimonioso. Limitou-se a publicar o logótipo da insígnia. 
Confesso que ainda estava na expectativa de ler uma terceira. Mas, ao que consta, a mulherzinha, serva do trabalho doméstico, esteve de serviço como cliente activa da promoção. Coitada, no meio empurrões e apalpações anónimas e incómodas, lá conseguiu retirar do linear das carnes as costeletas, o bife, o lombo, a robusta salsicha alemã e demais enchidos; depois, nos frescos, aviou-se com tomates e agriões. E assim continuou, percorrendo a loja até encher o ‘chariot’. Sem que se safasse de mil e um encontrões; mas fazia parte do desafio à helénica figura.
Um feriado é por norma um dia diferente dos demais e a vida é assim. Uns teclam comodamente algures num local sossegado, outra dá o corpo ao manifesto na promoção do Pingo Doce.
Ó Alexandre, faz de conta que é o Medina que te suplica, arranja lá uns empregos para este trio. Nem que seja na Holanda, na Polónia ou na Colômbia. As  ‘cofee shops’ holandesas vão ser interditas a estrangeiros, mas há sempre um lugar para ganzar, no futuro, um 1.º de Maio tão histórico e entusiástico na vida deles.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O que é que este gajo merece?





Pronunciadas no Dia do Trabalhador, na presença e com os aplausos de falsos ou pérfidos trabalhadores, autodenominados social-democratas (Arménio Santos e Pedro Pinto, por exemplo, estavam lá) as palavras infames de Passos Coelho foram:

Teremos de estar preparados para nos próximos dois ou três anos viver com níveis de desemprego a que não estávamos habituados, porque ele não vai baixar imediatamente
Este “bon vivant’ da política e da vida social, que se deu ao luxo de começar a trabalhar aos 37 anos e ter emprego assegurado, quando quis, junto do amigo Ângelo Correia, com a naturalidade e a insensibilidade nefastas de ampliar o caos social em que o país vive, sim este podre ‘bon vivant’, barítono das canções da “Doce”, o que merece ? Um corte ainda mais radical do que os preços da abjecta promoção do “Pingo Doce”. As lojas desta insígnia replicaram na perfeição os pontos de retalho dos tempos de Brejnev na URSS, em dias de prateleiras cheias.
Construindo uma sintonia entre o PM e a cadeia PG, penso que talvez mereça a sorte do prepotente e corrupto ditador soviético. Ou pior ainda. Quando ? O tempo exacto chegará. Porque é exacto e proibitivo não acreditar.