terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Comissão Europeia: do Nobel à novela do corte das despesas

Gaspar, na (obs)escurido
Gaspar na (obs)escuridão aprovada pela CE
A Comissão Europeia, a querer fazer jus à quota-parte do Nobel da Paz (podre) ridícula e insensatamente atribuído à UE em 2012, demonstra desmesurado empenho na pacificação das sociedades, à custa de pobreza e miséria, e de torpes políticas de finanças públicas.
Essa obra genial das contas públicas, designada por PEC – Pacto de Estabilidade e Crescimento, bem como a componente indissociável da ‘consolidação orçamental’ constituem actos de inaudito pacifismo; tão abstruso, de resto, que já arrastou para os caminhos da indigência muitos dos cerca de 30 milhões de desempregados na UE. Sem considerar outros grupos demográficos: idosos da Grécia, Portugal e Espanha, por exemplo, a viver em paz e na solidão da morbilidade induzida.
A despeito dos idealismos de fundadores e de outras personalidades posteriores, Jacques Delors por exemplo, é visível que para a actual CE – e para essa obscura e desumana figura chamada Vítor Gaspar – o que conta são tão somente as contas. Os cidadãos não!, é óbvio.
Assim, o ex-MRPP Barroso e companheiros da comissão – sim, comissão, sem insinuações a propósito de comissões, submarinos e de tesouros afundados em mares nunca dantes investigados – Barroso e companheiros, repito, manifestam apoio aos ‘cortes das despesas’ no processo orçamental de Portugal para 2013. Isto, argumentam, “devido aos riscos associados ao forte ajustamento efectuado do lado da receita…”
A CE e os ‘Gaspares’, o português é condutor falhado na pista das finanças públicas, ainda não perceberam que nós, cidadãos, já percebemos que certos cortes são meros ‘impostos disfarçados’, dos tais que empolam receitas.
Os cortes excepcionais a que reformados e pensionistas vão estar sujeitos em 2013, por exemplo, e que excedem os parâmetros da ‘troika’ (Memorando de Entendimento, no ponto 1.11) serão desembolsos mensais por apropriação do Estado de valores substanciais,  ou seja, um autêntico imposto retido pelo Estado.
Também evitam tornar claro que este tipo de medidas, a par da condescendência da UE com a banca (Deutsch Bank, HSBC e a intrujice à volta da taxa ‘Libor’ e por aí fora…), estão a criar uma Europa subdesenvolvida, de indigentes e fugitivos que vão procurar noutras paragens condições consignas e próprias de um Estado Social que o governo e a ‘troika’ estão apostados em destruir.
  

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer, o traço eloquente do novo e do belo

Niemeyer partiu. Tinha 104 anos. A notabilidade artística e o talento venerado de Oscar Niemeyer legaram à humanidade, em diversos azimutes, capítulos de exaltação do belo e da criatividade, na arquitectura.
"Há um antes e um depois do Niemeyer"
afirmou, em expressão feliz e justa, Manuel Aires Mateus, arquitecto português.
No primeiro troço de saudade percorrido na partida de Homens -  com ‘H’ maiúsculo, efectivamente -  da qualidade intelectual e humana de Niemeyer, mais se acentua a tristeza de ficarmos num mundo de feras da voracidade financeira, de funestos políticos com que Niemeyer, agora, deixou de se inquietar.
A despeito de, no universo e nesse imenso Brasil matizado de  grandes e/ou ilegítimas fortunas e das mais pungentes das misérias de milhões, haver infalivelmente gente do povo anónimo, com postura instintiva, a viver a despedida de Oscar Niemeyer; em estado de automatismo e ao som do poema de outra personalidade brasileira de vulto, Manuel Bandeira, que deixou assim escrito:
“Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.”
Niemeyer saberia que, além de outros, a morte chega com estes episódios. Natural que estivesse sempre voltado para a vida, absorto e confiante nela. Aos 104 anos partiu, ciente de tudo isso.
 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

‘Há Lodo no Cais’ ou ‘Há Merda no Beco’

‘Há Lodo no Cais’ é um filme memorável (1954), de Elia Kazan. Dos considerados clássicos. Os desempenhos de Marlon Brando e de Lee J. Cobb constam, na história do cinema mundial, como interpretações extraordinárias.
A sinopse do filme é a seguinte:
“Marlon Brando interpreta o papel de Terry Malloy, um ex-pugilista que ousa fazer frente a Johnny Friendly (Lee J. Cobb), líder de um sindicato de estivadores das docas de Nova Iorque, que pretende que os trabalhadores cedam uma percentagem do seu salário, despedindo todos aqueles que se recusem a tal.”
Fonte: Infopédia
Ao ler notícias sobre a greve dos estivadores em curso, é impossível não me saltar à memória essa notável obra da 7.ª arte, vencedora de oito ‘Óscares’.
Ontem, de novo, uma cinzenta figura, dito presidente do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, trouxe-me ao pensamento ‘Há Lodo no Cais’.
Porém, hoje, com a intenção manifestada pelo Álvaro de “abrir a porta a despedimentos nos portos portugueses”, da lembrança passei a imaginar que, à escala do incipiente ministro, há forte probabilidade de virmos a ter um filme de dimensão lusa, a que eu chamaria “Há Merda no Beco”.
Nesta, como em outras histórias de trabalhadores menos coesos e determinados, pretende-se liberalizar a contratação do trabalho (com a conivência do PS, diga-se),  mediante o habitual sacrifício económico do factor trabalho – baixar salários e contratar livremente trabalhadores indiferenciados é o propósito. 
Olha com quem se estão a meter.

Passos Coelho, um homem habituado ao enxovalho

O Senhor Primeiro-Ministro faz-me lembrar uma esponja, de elevado poder absorvente. De ar democrático e demonstração de quem venera ser enxovalhado, sob gritos e apitos, lá leva o País para a cova. Trata-se, pois, de cerimónia fúnebre, mas arrastada, dirigida pelo prior Gaspar e abençoada por D. José Policarpo, protector do governo contra a revolta manifestada pelo povo na rua.
Repete, inúmeras vezes, o número do democrata acrobata,  capaz de ouvir os gritos de gente idosa, de meia-idade ou de jovens a clamar: DEMITE-TE!.
Sereno, pelo menos aparentemente, diz ao segurança Serra:
Ao mesmo tempo pensava: “Demitir-me é que não de demito, nem o meu amigo de Belém o vai fazer…tenho uma tarefa para cumprir: empobrecer toda esta gente até ao último dos cêntimos, custe o que custar…” 
Que triste sina a nossa: depois de um vem outro que é sempre pior do que o anterior.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A traficância é forma de vida?

os tranficantesNo ‘Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea’ da Academia das Ciências de Lisboa: “Traficância = Transacção comercial fraudulenta”.
Quem a pratica? O traficante, pessoa que trafica ou faz traficância.
Há tempos, na SICN, Helena Roseta denunciou Miguel Relvas. Na função de secretário de Estado da Administração Local no governo de Barroso, Relvas propôs à Ordem dos Arquitectos a realização de acções de formação de arquitectos, financiados por fundos europeus do programa ‘Foral’. Impunha, todavia, uma condição inegociável: essas acções de formação teriam de ser exclusivamente realizadas pela Tecnoforma, empresa de que Passos Coelho foi director e administrador.
A arquitecta, destituída de vícios de corrupção e adversária tenaz de ilicitudes, presenteou Relvas com um rotundo “Não!”.
À denuncia de Roseta, Relvas reagiu com a habitual ameaça do ‘processo judicial’. Onde está ele? Não existe. Nem jamais existirá, quero crer.
Basta ler a notícia do ‘Público’, para se entender o plano do famigerado ministro e do seu actual chefe supremo, Passos Coelho.
Certamente que a brutal austeridade que os portugueses estão a sofrer, entre várias causas, resultam da acção de políticos e empresários corruptos.
Sócrates, estúpida e alarvemente, tornou-se no ‘grande bombo da festa’; porém, outros, e alguns de ar de cidadãos impolutos e bem comportados, como Passos Coelho, também tentaram ou serviram-se dos poderes dos dinheiros públicos, em prejuízo do interesse nacional. O Estado, afinal, para estes assumidos ultra-neoliberais, é  fonte de todos os males sociais e simultaneamente o comedouro onde abocanham nacos de iguarias e o “taco” que os alimentam e promovem.
A traficância é uma forma de vida em Portugal? É, sem dúvida. Quem são os traficantes políticos? São tantos, tantos, tantos, que uma exaustiva lista daria um ‘post’ do tamanho de imensos relvados, frequentados por coelhos e outros animais domésticos e roedores do interesse nacional.

Merkel: CDU a seus pés, Coelho e um extenso séquito de joelhos

A chancelarina Merkel tem o partido, CDU, vergado a seus pés. Bem ao jeito dos líderes alemães que sempre fizeram curvar governados e dominados, na paz, mas sobretudo nas guerras.
A seguir aos militantes do CDU segue-se um enorme séquito de indigentes pensadores, entre eles o nosso Coelho. Todos fazem submeter os povos do Sul da Europa ao modelo de pobreza e desgraça imposto por Merkel e Schäuble, em sequência da tradicional prepotência alemã.
A certa altura, na notícia, declara-se:
“A personalização é um elemento estranho à política alemã, onde as fidelidades se constroem em volta dos partidos.”
O que, de facto, é estranho é esta afirmação. Na História da Alemanha, da Europa e do Mundo, a personalização da política desde os tempos de Bismarck, passando por Hitler, Adenuaer, Willy Brandt e agora Merkel, é uma patologia crónica do exercício do poder germânico – uns no bom sentido, outros no mau. Como, de resto, em Portugal e em outras paragens – ‘salazarismo e cavaquismo’ que sentido semântico têm e qual a origem da definição?
O crime da Sra. Merkel consiste em permitir que, no âmbito de uma União Europeia de 27 países, haja um país, a Alemanha, que, sobrepondo-se às estruturas da União, decida e condene ao sofrimento e à miséria milhões de cidadãos de outros povos, sem respeito pelo consignado nos tratados sobre coesão e solidariedade social. Batendo-se por uma austeridade desumana em regiões de outras nacionalidades, ao mesmo tempo que internamente oferece aumentos de 9% ou mais a reformados, com fins eleitoralistas.
Se a Alemanha tivesse pago a totalidade as dívidas de guerra às nações europeias e aos EUA, hoje não estaria em condições de lançar uma nova afronta aos cidadãos do Velho Continente. Nem sequer de produzir navios de guerra e submarinos, por imposição de vários episódios históricos de que é a 1.ª responsável, nomeadamente a 1.ª e 2.ª Guerras Mundiais.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Homenagem espontânea a Janis Joplin

Janis Joplin preferiu ser breve na vida. Viveu como ambicionou e a satisfez.
Partiu cedo, mas deixou para sempre este voz poderosa e imortal, não havendo assim tantas que a igualem. Tinha um disco dela à mão e não resisti à tentação de a relembrar. Espontaneamente.

O despertar do eixo franco-alemão

eixo franco-alemoAdormecido desde o termo do período ‘merkozy’, o eixo franco-alemão volta a despertar pela vontade, arte e impudência do casal “merkhollande”; tornou-se agora visível nas condições especiais – aliás, justas - concedidas à Grécia, em termos de valor, prazo e juros da dívida. No facto de não serem aplicáveis aos outros países beneficiários da “ajuda externa” – Portugal e Irlanda – é que está o busílis.
Conclui-se, à partida, não ser apenas Passos Coelho a negar o que afirma antes perante audiências de largas centenas de milhar de espectadores. Jean-Claude Junker fez exactamente o mesmo. Há imagens e material da imprensa a comprová-lo.
Vamos, então, a factos: Schäuble com o discurso de quem imagina estar a falar para dementes ou gente vítima de obstrução mental, advertiu:
“[seria] um sinal terrível…Não aconselho Portugal a obter a mesma coisa…eu não gostaria de ser comparado à Grécia”
Para restabelecer o funcionamento perfeito do famigerado eixo, o ministro das Finanças francês, Moscovici, acrescentou:
 “[As situações de Portugal e da Irlanda] não são evidentemente as mesmas [que a Grécia].”
Quanto ao alemão, devo dizer-lhe que não se trata de uma questão emocional: gostar ou não gostar de ser comparado. Ao francês, responderia: as situações de Portugal e da Irlanda não são exactamente iguais, excepto no importantíssimo pormenor de, com diferenças de escala e de causas, os três países estarem submetidos a (impropriamente) chamados “programas de ajuda externa”, pelo FMI, CE e BCE.
A ambos indagaria ainda: qual a lógica de países integrados no mesmo projecto europeu e de moeda comum (Euro grupo) serem objecto de tratamentos distintos, quando o objectivo principal, está escrito, é virem a cumprir condições idênticas do Programa de Estabilidade e Crescimento da UE e harmonizarem as condições económicas e sociais, segundo o diapasão da coesão social.
Coesão social para Merkel é, em ano de eleições, prometer o aumento de 9% das pensões de reformados alemães e exigir, no seio da UE, que os pensionistas e reformados do Sul Europa sofram avultados cortes nos ganhos que o Estado lhes prometeu pagar, após o final de décadas de trabalho?
De Passos Coelho, é histórica a cega obediência aos poderes da Angela. De Seguro, estou na expectativa e atento para saber se, em vez de “Joyeux Noël” a Hollande, lhe ouvirei um sonoro “Vous êtes un faux ami”… - era o ouvias!  

Derrapa o défice, derrapa a economia, derrapa o País

o piloto das derrapagens
Gaspar, o campeão das derrapagens
Temos um governo de estrutura hierárquica bem definida. O número 1 não conta, a não ser para se desmentir a si próprio – fórmula mais suave de dizer que mente; o número 3 serve para se pavonear em salões e areópagos pejados de diplomatas chiques, de belos fatos, gravatas e lenços de vivas côres, e de jeitos e trejeitos ‘snobes’ nos gestos e na voz.
No fundo, de tudo isto resulta que ficamos entregues ao número 2, Gaspar. Gere as finanças públicas  atira-nos para a penúria e, no final de complexas mas erradas contas, esmera-se em OGE’s e rectificativos a fazer derrapar o défice, a economia e o País. 
Recordo-me da primeira e única vez que ousei patinar no Rockfeller Center, em NY: não me aguentei um segundo de pé (o Ulrich bem me incitava: AGUENTA, AGUENTA!) e, em vez da patinagem, executei múltiplos exercícios de derrapagem.
Vítor Gaspar, na pista do Ministério das Finanças, demonstra também ser um exímio ‘artista da derrapagem’. Agora é a UTAO (Unidade Técnica de Execução Orçamental) que, depois de analisar a ‘execução orçamental de Outubro’ vem dizer-nos que o défice público em 2012 terá de ser inferior a 4,3% no último trimestre do ano, caso se mantenha o objectivo de atingir os 5% do compromisso assumido com a ‘troika’.
Só por milagre se atingirá os 4,3% de défice no 4.º trimestre. De maneira que Gaspar, uma vez mais, se vai estatelar com um buraco que pode variar de 5,9% a 6,3%. Quer dizer: estatela-se ele, e repito, derrapa o défice, a economia e o País. Tantos sacrifícios pedidos aos portugueses para nos espalharmos ao comprido - nem quero pensar em 2013, porque, além do mais, Cavaco pensa por nós todos e de igual modo ao de Coelho e Gaspar.
Para os mais atentos não será novidade. Para esses e para outros eventuais interessados, basta observar a diabólica e negra pintura, sobre a Economia Portuguesa, na página 5 dos ‘Indicadores de Conjuntura’, n.º 11, do insuspeito Banco de Portugal. É a imagem do desastre.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Hipocracia

Adoro as tardes de Sábado, no Chiado. O desfile é intenso.  Socialmente deparamo-nos com gente bem vestida, músicos, vagabundos e mulheres e homens de diversas nacionalidades.
O desfile é, de facto, inebriante, mas volto-lhe as costas e entro pela Rua Anchieta a dentro. Contígua à veteraníssima Bertrand. Confesso-me confuso em relação ao nome da rua: Anchieta? Ivens? Serpa Pinto? É pormenor de somenos. O importante é a feira de alfarrabistas, de bancas estendidas ao longo da rua.
No final da feira, oposto à Rua Garrett, deparei-me com um cartaz com a palavra:
HIPOCRACIA
Confesso ter sentido um sobressalto íntimo. De facto, a sociedade portuguesa está submetida a um regime de Hipocracia. Do governo, seria exaustivo enumerar provas. Limito-me, pois, às notícias do dia:
  • O incapaz Seguro diz que o PS não está disponível para fazer um assalto ao Estado Social? Depois de Sócrates e da revogação socrática das ‘leis laborais’, não é um Seguro, qual cacique a percorrer o País sem cessar para domar as hostes socialistas, que me convence da honestidade das declarações “socialistas”.
  • Isabel Jonet, cuja proclamação da multiplicação da pobreza, tem este fim-de-semana nas ‘grande superfícies’ a recolha de alimentos para o Banco Alimentar – A Dr.ª Jonet, em momento televisivo de cretina desumanidade ou incapacidade intelectual, teve o desplante de estimular a pobreza, quando tem a responsabilidade de combatê-la; não percebeu, nem está interessada possivelmente em considerar que o direito a uma vida e subsistência dignas, de qualquer ser humano, está muito, mesmo muito, acima da ideologia política do ‘empobrecimento’ de Passos Coelho.
Estes e outros episódios graves do nosso dia-a-dia levam-me a concluir que. efectivamente, vivemos tempos de Hipocracia. Com a ilusão de usufruir de um regime verdadeiramente democrático.