segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Derrapa o défice, derrapa a economia, derrapa o País

o piloto das derrapagens
Gaspar, o campeão das derrapagens
Temos um governo de estrutura hierárquica bem definida. O número 1 não conta, a não ser para se desmentir a si próprio – fórmula mais suave de dizer que mente; o número 3 serve para se pavonear em salões e areópagos pejados de diplomatas chiques, de belos fatos, gravatas e lenços de vivas côres, e de jeitos e trejeitos ‘snobes’ nos gestos e na voz.
No fundo, de tudo isto resulta que ficamos entregues ao número 2, Gaspar. Gere as finanças públicas  atira-nos para a penúria e, no final de complexas mas erradas contas, esmera-se em OGE’s e rectificativos a fazer derrapar o défice, a economia e o País. 
Recordo-me da primeira e única vez que ousei patinar no Rockfeller Center, em NY: não me aguentei um segundo de pé (o Ulrich bem me incitava: AGUENTA, AGUENTA!) e, em vez da patinagem, executei múltiplos exercícios de derrapagem.
Vítor Gaspar, na pista do Ministério das Finanças, demonstra também ser um exímio ‘artista da derrapagem’. Agora é a UTAO (Unidade Técnica de Execução Orçamental) que, depois de analisar a ‘execução orçamental de Outubro’ vem dizer-nos que o défice público em 2012 terá de ser inferior a 4,3% no último trimestre do ano, caso se mantenha o objectivo de atingir os 5% do compromisso assumido com a ‘troika’.
Só por milagre se atingirá os 4,3% de défice no 4.º trimestre. De maneira que Gaspar, uma vez mais, se vai estatelar com um buraco que pode variar de 5,9% a 6,3%. Quer dizer: estatela-se ele, e repito, derrapa o défice, a economia e o País. Tantos sacrifícios pedidos aos portugueses para nos espalharmos ao comprido - nem quero pensar em 2013, porque, além do mais, Cavaco pensa por nós todos e de igual modo ao de Coelho e Gaspar.
Para os mais atentos não será novidade. Para esses e para outros eventuais interessados, basta observar a diabólica e negra pintura, sobre a Economia Portuguesa, na página 5 dos ‘Indicadores de Conjuntura’, n.º 11, do insuspeito Banco de Portugal. É a imagem do desastre.