segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Promulgação do OGE: reacções dos partidos

PSD e CDS
Curiosamente no principal partido do governo, PSD, há reacções opostas ao processo e deliberação da presidência.
Teresa Leal Coelho (TSC) exultou de grande contentamento com a colaboração institucional do PR. O “enorme conforto para o governo” e “a validação da Lei Orçamental por Cavaco” são duas expressões que lhe agitaram a alma de euforia. A alma, o corpo e os gestos. Nem sei mesmo se, ao estilo do ‘encantador de serpentes’, não cometeu o milagre de fazer dançar o cachecol, longo do pescoço aos joelhos, acessório que raramente dispensa na invernia.
Todavia, dentro do PSD, há quem tivesse antecipado uma posição bem dura contra Cavaco Silva. Trata-se, nem mais nem menos, do Prof. Bacelar Gouveia, constitucionalista da FDL, concorrente anunciado à presidência da Distrital de Lisboa do PSD. Veja-se e ouça-se o que pensa e diz:
 
(Do CDS nem vale a pena falar. Digo apenas que tem as fechaduras e as dobradiças das portas bastante emperradas e vergadas pelo duo Gaspar e Coelho – Gaspar não é, obviamente, o gato de Honório Novo. Nuno Magalhães, líder parlamentar, limitou-se a afirmações superficiais).

PS

Do Largo do Rato, coube ao porta-voz, João Ribeiro, fazer o papel de idiota útil, como comprovam as embrulhadas palavras do discurso insípido e inconclusivo do jovem socialista; muito cauteloso ao referir-se ao PR, lá afirmou a medo:
Os deputados do PS assumirão as suas responsabilidades e pedirão a fiscalização sucessiva do OE"
A comunicação, no fundo, integra-se na estratégia de Seguro; primeiro, na manutenção na liderança do PS e, depois, no objectivo de chegar a primeiro-ministro.
Não é em vão que Seguro percorre Portugal de lés a lés, a fim de em todas as secções do PS, mesmo as mais recônditas, angariar apoio ao seu projecto de poder; projecto bem distinto das necessidades reais de liderança de um País em crise, de amputada soberania e inserido num espaço “colectivo” dominado por um único “parceiro”, a Alemanha de Angela Merkel; coadjuvada, diga-se, por homens da Goldman Sachs; caso de Draghi na presidência do BCE e outras ramificações pela Zona Euro.
Os socialistas devem ser prudentes, mas céleres em encontrar uma liderança sólida e credível.

BE e PCP

Do BE e PCP, as críticas à promulgação do OGE inserem-se no processo de contestações manifestadas desde a 1.ª hora de gestação da proposta orçamental de Gaspar (este é que é o n.º 1) e dos secundarizados Coelho e Portas. Das declarações de inconstitucionalidade ao compromisso de acção conjunta de requerer a fiscalização sucessiva do TC, tudo era previsível e lógico, dentro do posicionamento político da ala esquerda do Parlamento.
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Sou, por norma, optimista.  No caso da crise portuguesa e até porque o atoleiro tem dimensão internacional, tenho, ainda assim, a esperança que saia de cena quem está em cena e se encontrem os verdadeiros talentos vocacionadas para a acção política eficaz. Trata-se de uma expectativa alta, tanto mais que contamos com um PR de baixo perfil, como sabemos.