quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Para o registo do escatológico caso BES: a pensão de Salgado & Administradores Associados

Temos uma direita social e funcionalmente estruturada para o mal. Sob o halo da injustiça social, da protecção dos inimputáveis, mesmo em relação a autores de gravíssimas infracções à lei e avultados prejuízos causados aos cidadãos, a direita portuguesa, sob as ordens de Cavaco, Passos e Portas, tem-se esmerado, de facto, em afirmar-se como abjecto instrumento de produção de excrementos com que vive em estado de sublime volúpia do despudor.
Notícia fresquíssima do ‘Expresso’:
“Antigo líder do Banco Espírito Santo vai passar a receber uma pensão mensal de 90 mil euros, o triplo do que recebe hoje…… Só Ricardo Salgado recebe retroactivos de um milhão de euros, diz ainda a TVI. E a partir daqui receberá uma pensão de cerca de 90 mil euros por mês, o triplo dos 29 mil que recebia até aqui.Além de Ricardo Salgado, há mais dez antigos gestores do BES beneficiados por esta decisão. A TVI cita os nomes de Rui Silveira, José Manuel Espírito Santo, João Freixa e António Souto, e ainda a viúva de Mário Mosqueira do Amaral… também José Maria Ricciardi [um homem com quem Passos Coelho compartilha a mesa de refeições… e talvez a mesma gamela] receberá uma pensão nos mesmos moldes quando reformar.”
Os ‘Lesados do BES’, que hoje se manifestaram pela enésima vez junto à sede do Novo Banco em Lisboa, receberam este incentivo no sentido de endurecerem a luta fermentada por situações revoltantes. Se alguém se perturbar e optar pela violência, não me causará surpresa.
O governo tem-se esquivado, inabilmente, de fortes responsabilidades que lhe cabem no caso. De resto, ofereceu em bandeja de platina ao Sr. Carlos Costa um segundo mandato na governação do Banco de Portugal pelos serviços oficiosos por ele prestados. O objectivo da deliberação foi obviamente uma desajeitada tentativa de demonstrar que a autoridade do governo, sobre o caso BES / Novo Banco, era nula.
Há, todavia, outros focos de análise aos centros de responsabilidade: (i) a injecção de 3.900 mil milhões de euros em fundos públicos no Novo Banco emanou de um acto governativo; (ii) a escolha do ex-ajudante – no léxico cavaquista – do Ministério da Economia, o beirão Sérgio Monteiro, para a venda do Novo Banco (um insucesso de Costa e sua equipa) foi assumida pelo BdP, mas o verdadeiro decisor da matéria foi o governo de Passos e Portas.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Cavaco em discurso faccioso, sórdido e desconexo

Classifico de normal que Cavaco Silva tenha indigitado Passos Coelho para formar governo. Aguardemos as consequências: governo de gestão ou a coligação PS+BE+PCP.
Na União Europeia de hoje, totalmente diferente daquela dos tempos de Jacques Delors. Tornou-se regra renegar os direitos de soberania de um povo.
Willy Brandt, Olaf Palm, François Mitterrand, Filipe Gonzalez ou Mário Soares, criadores e fomentadores da Europa do Estado Social, seriam hoje esquerdistas proscritos.
A actividade política, a ética e a ideologia de fundo das correntes políticas e dos políticos citados foram clamorosa e despudoradamente abandonadas pela 3.ª via do trabalhista Tony Blair, de quem Francisco Assis era um entusiasta seguidor. A continuidade desta 3.ª via foi assegurada por outros social-democratas europeus, destacando-se Gerhard Schröder que deixou um belo e útil legado anti-social a Angela Merkel.
Os movimentos da 3.ª via nos trabalhistas ingleses e em partidos europeus da mesma família política constituíram a resposta aos neoconservadores, encimados por Thatcher (UK) e Reagan (EUA). Imitaram a diabolização da intervenção do Estado na produção de bens e serviços, eliminando, sobretudo no Reino Unido, parte de políticas sociais do Estado. Isto, lembre-se, facilitado pela queda do muro de Berlim e o início do desmoronamento da URSS de Gorbatchov em 1989.
Cavaco foi um aluno devotado de Thatcher, Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, um dito ‘social-democrata’ e outro autoproclamado ‘democrata cristão’, formam o trio do neoliberalismo radical, em sintonia e cega obediência à UE dos tempos modernos.
Cavaco, que desde a nascença tem complexos de presumida superioridade e inteligência falsas, acaba este segundo mandato desastradamente. Não, em meu entender, porque tenha indigitado Passos Coelho – esta ‘conta’ ele próprio pagará mais tarde, antes de regressar a casa.
Sobretudo, foram o tom e as passagens sensíveis do discurso que, uma vez mais, o distinguem como o ‘ditador de araque’ deste canto sem humano encanto. Ora façamos alguns comentários a algumas dessas passagens:
  •    Esta situação é tanto mais singular quanto as orientações políticas e os programas eleitorais desses partidos [PSD; PS e CDS] não se mostram incompatíveis, sendo, pelo contrário, praticamente convergentes quanto aos objectivos estratégicos de Portugal.
Comentário: é curioso que tenha esquecido essa situação singular, ao tempo do governo do PS de Sócrates e tenha feito um discurso mais do que sórdido na AR anti PS.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A necessidade de solidez e realismo na coligação à esquerda

A direita europeia já começou a expelir vómitos para amedrontar os portugueses:
“Em conferência de imprensa em Madrid, onde esteve em peso o PPE (Partido Parlamentar Europeu), o presidente deste grupo conservador, o francês Joseph Daul, amedronta a opinião pública portuguesa com a expectativa de que, consumada a possível coligação à esquerda, a situação em Portugal terá contornos semelhantes à Grécia.”
Paulo Rangel, que também está no evento de apoio desesperado a Mariano Rajoy e ao seu PP, em afirmações integradas na voracidade da procura de popularidade, é um dos candidatos a presidente do PPE, também vai dizendo algumas coisas contra a hipotética coligação do PS+BE+PCP (hipotética, assim a considero por enquanto).
Um outro cavalheiro, secretário-geral do PPE e Antonio Lopez-Isturiz de nome, também entrou no jogo de apavorar os portugueses, devido aos efeitos do governo de esquerda sobre os investidores que, segundo o propagandista, são quem nos garante o emprego, a casa e o pão.
Todos estes tons discursivos são, em antes de tudo, estúpidos. Uma parte significativa das pessoas está ciente da ‘revanche’ que Portugal esperará, com juros a subir e outras ameaças a vários domínios da nossa soberania; fenómeno este que, de resto, já sucede com a conivência traiçoeira do governo PSD+CDS.
Por outro lado, os mais atentos, devem atender à prelecção de Varoufakis em Coimbra. Os discursos intimidatórios dos neoconservadores do PPE são uma espécie de certificado de autenticação da comunicação do Professor de Economia grego, na cidade dos estudantes.
Oxalá a esquerda se entenda! É meu desejo profundo. Todavia, devido aos compromissos mais apertados com as normas e tratados europeus, ou o BE e PCP aceitam que, efectivamente tomando em conta o sucedido com o Syriza, o PS tem de gerir com pinças o controlo orçamental; ou então, é preferível nem embarcar em aventuras do tipo do súbito aumento do salário mínimo nacional de 18,81%. Teremos, neste tipo de medidas, uma alteração bastante profunda e susceptível de ameaçar a sobrevivência de PME’s e, consequentemente, de multiplicar o desemprego.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A actual trama da governação de Portugal

A figura da retórica da direita assenta na ideia perversa dos partidos do ‘arco de governação’. No restrito círculo artificial, imiscui-se o CDS-PP, partido minoritário que, em média, obtém 8 a 10% de votos.
Todavia, e a despeito da condição de menor, reivindica o estatuto de ‘partido de poder’. Sempre que o PSD vence, com maioria insuficiente para, por si só, formar governo, lá vai o Dr. Portas e a sua trupe de obedientes para o governo. Foi assim com Durão Barroso e a história repetiu-se nas legislativas de 2011, onde, excepcionalmente, teve 11,70% de votos que se somaram aos 38,65% do PSD. Consequência: uma maioria absoluta de 50,35%.
Sucede que, nas últimas legislativas, 4 de Outubro de 2015, o PSD+CDS, coligados ou não (caso de Açores e Madeira) registaram 38,36% de votos  (107 deputados). Em contrapartida, o PS (32,31%), o BE (10,19% e o PCP (8,25%) totalizaram 50,75% de votos (122 deputados). O PAN obteve 1 deputado eleito.
O Art.º 187, n.º 1, da CRP, estabelece:

1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.

O que são os resultados eleitorais a ter em conta segundo esta norma? Os votos contados nas urnas, em que a maioria é vencedora, mas apenas com uma vantagem relativa ou o número de deputados eleitos para a AR pelos diversos agrupamentos possíveis, PSD+CDS, por um lado, ou PS+BE+PCP, por outro?
Reside, pois, nas divergências de interpretação do conceito constitucional de ‘resultados eleitorais’ que direita e esquerda esgrimem argumentos a favor da legitimidade do direito à governação.

sábado, 17 de outubro de 2015

A conferência de Varoufakis na Faculdade de Direito em Coimbra


Texto da SIC Notícias (já sem o António José Teixeira, mas sob direcção do grande Alcides):

Primeiro, o 'lead' da notícia:
"O ex-ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, aconselhou, este sábado, o PS a não se comprometer com as regras da UE, por ser "impossível" não violar as mesmas."
Depois, o resto:
"O PS não se deve "comprometer com regras que sejam fundamentalmente irracionais", devendo advogar, pelo contrário, por regras racionais e democráticas dentro da zona euro, sublinhou Yanis Varoufakis, que falava numa conferência de imprensa, posterior ao seu discurso na aula inaugural dos programas de doutoramento do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
'Há um debate dentro do PS sobre se deve haver uma aliança com partidos de esquerda. Alguns deputados estão prontos para que isso aconteça, mas desde que haja um acordo de que o Governo jogue pelas regras da zona euro e do Eurogrupo e manter-se fiel aos compromissos que Portugal tem na União Europeia. Esse é o problema. Os compromissos não se podem cumprir', sublinhou o ex-ministro das Finanças grego.
Segundo o economista, as regras europeias não estão a resultar, porque nem Portugal, nem a Grécia, nem a Alemanha 'conseguem respeitar as regras. Se a zona euro quer ficar segura, temos de violar estas regras por acordo e criar novas regras nacionais'.
O ex-ministro das Finanças grego falava depois de ter proferido uma conferência intitulada 'Democratização da zona euro', que decorreu no auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. 
O auditório foi demasiado pequeno (472 lugares sentados) para o público que se dirigiu à Faculdade de Direito para ouvir Varoufakis falar, com largas dezenas de pessoas de pé a assistir à conferência. 
Varoufakis foi ministro das Finanças do primeiro governo liderado por Alexis Tsipras e dirigiu as negociações com os credores até ao referendo de 05 de Julho sobre a proposta de acordo apresentada pelas instituições (UE e FMI)."
Lusa
Pergunta para um milhão de euros: o que é que Varoufakis disse de errado, violando a regra da verdade que impera na União Europeia, em particular na Zona Euro, sob o comando da poderosa Alemanha, derrotada em duas guerras mundiais no século XX, mas vencedora da guerra económica que sórdida e silenciosamente desencadeou para castigo dos países mais frágeis do Sul da Europa? 
Ora respondam lá, porque é para aprender que a gente cá está!  
Pense bem António Costa e diga lá Sr, Assis a quantas milhas está desta matiz. 

ZAZ, cantora francesa: 'A chuva'


Este dia invernoso de Outubro poderia suceder em Dezembro, mês escolhido para letra da canção. O País está triste, mesmo quando, aqui e acolá, a TV nos mostra o casal Cavaco Silva de sorrisos artificiais e burlescos, 
O fim-de-semana está coberto de céu cinzento, próprio de dias ventosos e plúmbeos. Valha-nos, ao menos, esta melodia dedicada à chuva, interpretada pela francesa Zaz (Isabelle Geffroy), uma jovem cantora francesa com reportório de vários géneros: 'jazz', música variada, 'folk' e 'soul'.   
Música francesa, assim como a boa música portuguesa', são coisas raras nas rádios portuguesas. Com o tempo, há prazeres na vida que o tempo levou. 
Que saudade da revista 'Salut les Copains' que comprava na adolescência! Vozes como Edith Piaf, Yves Montand, Gilbert Bécaud, Françoise Hardy, Charles Aznavour (91 anos de vida), Georges Brassens, Sylvie Vartan, Richard Anthony, Mirelle Mathieu e muitos outros apenas habitam a minha memória de tempos idos e de alguns espectáculos no saudoso Teatro Monumental no Saldanha. 
Ouçamos então Zaz, uma desconhecida do presente em Portugal,

INE - Os números do empobrecimento em Portugal

Advirto para a inevitabilidade de no sector público, mas também no privado, se terem de cortar custos, o que significará salários e níveis de vida mais baixos.

O fatal e funesto propósito foi cumprido, havendo 36,6% de votantes nas legislativas de 2015 - menos de cerca de 700.000 e dos 50,25% de votos obtidos por PSD+CDS em 2011- que sufragaram, e alguns de forma entusiástica, a maioria relativa do par Coelho e Portas que, na minha previsão, Cavaco Silva nomeará para novo mandato - só que desta feita, estou certo, a governação vai ser bastante complexa, caso não venha mesmo a ser derrubada a certo ponto da legislatura. 
A advertência de Passos Coelho em 2011 correspondeu, de facto,  a um objectivo inequívoco de levar uma parcela muito significativa de portugueses ao empobrecimento. Chamar miserável e rasteiro a este objectivo conseguido é pouco. Coelho, o demagogo Portas e os protegidos de um e outro estiveram e estão longe das dificuldades e das inquietações de pobreza e miséria que fizeram questão de impor a mais de 2 milhões de portugueses. As crianças e os reformados de baixos rendimentos são aqueles que mais sofrem, em conjunto, obviamente, com os desempregados.
Andam os altos dirigentes da igreja católica, desde logo o Cardeal Patriarca, a pugnar por um acordo dos partidos da PáF com o PS. Ignoro se o Papa Francisco conhece esta posição oficial da igreja portuguesa. Sem ser crente, estou certo de que a obscenidade não lhe chegou ao conhecimento. Tenho-o na conta de um homem devotado às causas do humanismo que falta à estrutura eclesiástica nacional, actualmente no poder.
Amanhã, comemorar-se-á o Dia de Erradicação da Pobreza. O INE, citando a efeméride, publicou este comunicado que, em documento em PDF anexo, tem uma descrição minuciosa da desgraça da pobreza em Portugal. 
O texto do citado documento em PDF é, efectivamente, completo e reflecte com clareza os níveis e características dramáticas do empobrecimento em Portugal desde 2009. Não resistimos à vontade de reproduzir o seguinte gráfico:




quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A SIC fechou (?) a grande limpeza de pessoal

Ainda ontem, no texto deste 'post', argumentei como no 'Expresso' é importante estar nas boas graças do Dr. Balsemão. Quem diz no 'Expresso', obviamente diz nas empresas de comunicação social do grupo 'Impresa'.
O que há muito tempo está a ocorrer na SIC em termos de afastamento de profissionais é demasiado evidente através dos rostos, hoje um, amanhã outro, que se vão evaporando dos 'écrans'. Se é assim no 'front office', podemos imaginar o que sejam nos bastidores os efeitos da política de despedimentos. Ao longo dos últimos anos, foram atingidos por essa política um número significativo de profissionais.
Como sobrinho de meu amigo, meu amigo é, o Pedro Norton de Matos é a personalidade mais confiável para o Dr. Balsemão na chefia da equipa especializada em despedimentos. E que melhor instrumento de que poderiam beneficiar, para despedir fácil e baratinho, senão da revisão da legislação laboral do governo dos amigos Coelho e Portas.
A SIC, desde os gloriosos tempos de Rangel, têm andado nas mãos de uns tantos aprendizes de gestão de canais televisivos que, nada aprendendo de signficativo, permanecem nessa humilde classificação: aprendizes.
Como afastar o Norton de Matos e outros figurões intocáveis é difícil, o melhor é atacar os mais frágeis. É dos manuais do experimentalismo nas empresas. Seguindo nesta onda,  a parte do processo de despedimento em curso já foi objecto de divulgação na comunicação social. Reproduzimos parte da notícia do "Diário Económico":
"A Impresa decidiu proceder a um ajustamento funcional de algumas áreas do Grupo, decidindo por isso racionalizar algumas direcções. Este processo já foi concluído , e, tal como é prática da Impresa , a rescisão por mútuo acordo foi a opção escolhida", avançou fonte oficial do grupo liderado por Pedro Norton."
Uma nota de descabelada anedota é esta referência específica:
" Antes, já António José Teixeira tinha deixado a estação. O director de informação da SIC Notícias foi substituído pelo director de informação do canal generalista, Alcides Vieira, ..." [Ah, que grande Alcides!]
Era 5 de Outubro. O comboio nunca mais chegava, o Teixeira desesperava e, de súbito, decidiu partir pelo próprio pé. É o popularmente chamado "ir andando".

Atenção que outras sociedades da 'Impresa' foram alvo de medidas idênticas, diz o 'CM'.

'Impresa', 'Somague', 'Unicer'. e mais aquelas que desconhecemos. Não há a menor dúvida de que o período pós-eleitoral está a correr de feição a grandes empresários, em matéria de redução de pessoal. É aproveitar porque, apesar de pouco provável, poderá vir o governo de esquerda e, então, mandar trabalhadores para a rua pode tornar-se em problema mais complexo.

O tropeção de Pedro Santos Guerreiro

Pedro Santos Guerreiro (PSG) é um dos jornalistas por quem tenho apreço. Ainda ontem tive a oportunidade de lembrar a quebra de qualidade do 'Jornal de Negócios', depois da sua saída para o 'Expresso'.
A consideração e a concordância dedicadas aos artigos e intervenções televisivas não estão condicionadas por qualquer relação pessoal - jamais o conheci pessoalmente ou fiz esforços nesse sentido. 
Trata-se meramente de me agradar a isenção, a argúcia e o estilo com que escreve. 
O 'Expresso', no seio da comunicação social portuguesa, desde há meses, embalou em descontrolada luta contra António Costa (AC); nem sei mesmo se, em certos casos, a ligação familiar do secretário-geral do PS ao pretensioso Ricardo Costa não é a fonte de sentimentos odiosos, na página do jornal, do 'Expresso Diário' e do 'Expresso Curto'.
A Ângela, o Monteiro, o Martim, o económico Vieira, uns mais do que outros, atiram-se a António Costa (AC) como gato a bofe. Destes eu entendo, ou porque detestam o mano Ricardo, ou porque estar nas graças ao Dr. Balsemão é mais gratificante do que respeitar princípios deontológicos da profissão.  Sempre foram assim.
O importante é estar na crista da avassaladora vaga contra AC - igualmente faço aqui uma declaração de princípios, assegurando que nem sou amigo de António Costa, nem tão pouco militante do PS ou de qualquer outro partido. Sou de esquerda, ponto final!
À falta de Sócrates - "por azar nosso nem tem falado", lamentam-se eles - desanca-se no Costa.
Causa-me alguma surpresa que com seu artigo 'António Gosta', PSG, que até poderia e deveria abordar o tema de forma honesta e neutral, também se tenha integrado ao núcleo de vanguardistas pró-governamentais e pró-Dr- Balsemão.
Ainda assim, PSG poderia evitar o uso de estilo jocoso e humilhante próprio do 'Correio da Manhã', No 'Expresso Diário', para consolidar o título do artigo, Pedro Santos Guerreiro, começa assim o escrito António gosta:
"Gosta de poder. Gosta de negociar. Gosta de sobreviver. António Costa quer consumar o inexplicável e conseguir o impossível. ..." 
Em jeito de réplica, poderia dizer-se que Passos e Portas não gostam mesmo nada do poder. odeiam negociar, mas gostam de sobreviver. E se ambos precisam de sobreviver da forma como vivem!  Um só começou a trabalhar quase quarentão (entretanto, a Tecnoforma e o Foral foram dando umas coroas) e o outro sem a política certamente não se meneava tanto, decorado pelos padrões da moda do Rosa & Teixeira.
Todavia, a passagem onde entendo que PSG se espalha é na seguinte: 
"[...] PCP e BE ficarão anos com a mordaça acrítica da austeridade que durante anos aí vem, os bancos que ainda há que capitalizar, a privatizações que podem continuar a ser inevitáveis?"
Afinal, PSG, de forma indirecta - ia a dizer ao estilo de insinuação covarde - desmente subtil e totalmente o governo da coligação PáF, em particular os seus líderes Coelho e Portas. Isto é, o programa de ajustamento não expirou e austeridade é para manter por anos. Trata-se de um contrato sem termo à vista, a despeito da 'troika' e FMI terem abandonado, entretanto, Lisboa. Apenas de quando em vez, os fabulosos técnicos estarão por aí  para meros actos de cortesia e, já agora!, para usufruir de  manjares de estalo no Ritz. 
Capitalização da banca? Aliena-se a CGD, como o sábio Coelho desde sempre defendeu e emprestam-se os fundos de capitalização aos bancos necessitados. Para a venda da CGD, não faltam chineses, mas começa é a faltar dinheiro aos chineses.
Por último, excepto a CGD, o que é que existe mais para vender? A TAP, sim essa sim, porque está num processo complexo, mas tudo há-de terminar em felicidade. A CP Carga, que essa então vai render umas pipas de massa a quem quiser explorar o diamante chamado 'Porto de Sines' de água profundas e de ligações marítimas ao Oriente, goza de possibilidade de venda segura, mesmo numa altura em que os Mercados Emergentes, incluindo China, e os fluxos de bens estão em declínio. 
O que temos mais para privatizar? A água, o ar, e talvez o grupo Imprensa que de manhã pode vender-se ao Estado e à tarde é transaccionado por preço muito mais elevado a um bielorrusso com direito a visto 'gold' - é uma espécie de 'cross-selling'. E pronto, pelos caminhos de Portugal, como cantava o outro, entraremos todos no paraíso.
Se, de facto, quiser continuar a fazer o jornalismo sério, sugiro ao PSG que, em vez de recorrer a amesquinhar homens como ele,  critique os políticos de forma séria e objectiva, fazendo alusão a políticas e à estratégia de desenvolvimento de que o País tanto carece. E se não é com AC, também não é com a PáF que a Pátria Portuguesa deixará de ter uma Diáspora em expansão e um Território abandonado.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O pânico na comunicação social sobre um governo de esquerda

O alvo preferido é o PS. BE e PCP, nesta fase,  são meros acessórios da retórica e propaganda anti esquerda com que a comunicação social portuguesa inunda os noticiários e prestações de comentadores.
Numa espécie de exercício escatológico, infundem a ideia, na opinião pública, de que só à direita é consentido erigir e fazer funcionar coligações partidárias. - À esquerda não! – Reclamam eles, desde os jornalistas, sem ponta de ética e de imparcialidade, aos políticos de percursos contaminados, de que Durão Barroso é um rotundo exemplo.
O nosso ex-José Manuel de Bruxelas, um servo humilde e bem recompensado por Bush, Blair e Aznar, declarou ao “Diário Económico”:
“Eleitores do PS não votaram para um governo com o PCP e o Bloco”
Trata-se de uma especulação saída do vazio, porque nenhum José Manuel, como ele, ou um José Maria, como outros, têm meios de garantir que, do primeiro ao último dos votantes do PS, ninguém foi às urnas para que se formasse um governo de esquerda.
No seio da especulação política, há uma práxis: nada é inquestionável. Portanto, usufruindo da mesma legitimidade da afirmação de Barroso, pergunto-lhe: quantos votos o PS obteria se tivesse anunciado que faria uma aliança à esquerda? Nem ele, nem ninguém sabe. A dúvida é pertinente e fica obviamente sem resposta.
É útil lembrar Barroso que António Costa, durante a campanha, sempre afirmou que não se coligaria com Coelho e Portas. Trata-se de uma forma de implicitamente dar a entender com quem se aliaria. Resta saber, agora, se a comissão política do PS, e uma parte de militantes adversários da aproximação às forças à esquerda do mesmo PS, lhe permitirão coligar-se com os partidos de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. Ou os socialistas, através de Costa ou qualquer outro, são coagidos a juntar-se ou apoiar, no governo ou no parlamento, à tenebrosa trupe de Coelho e Portas.
O ‘Jornal de Negócios’, que depois da saída de Pedro Santos Guerreiro se converteu em ‘pasquim de negócios’, alarmava esta manhã ‘on-line’ que as cotações das acções da banca nacional (BCP e BPI) estavam em acentuada queda, em consequência da perspectiva de Portugal vir a ser governado à esquerda.
À tarde, porém, já publicava um texto, de onde retiramos o seguinte parágrafo:
“Os bancos nacionais acompanharam, assim,as perdas no sector na Europa. O índice que reúne os bancos do Velho Continentedesce 1,52%. O UBS Group chegou a recuar quase 3,5% durante a sessão, depois deo ministro das Finanças da Suíça ter afirmado que planeia exigir aos maioresbancos do país que tenham capital equivalente a 5% dos activos totais. O HSCBdesce 2,14%.”
Todos sabemos que os mercados, os investidores e as agências de ‘rating’ formam um demoníaco mundo. Na defesa do interesse e soberania nacionais, seria mais adequado ser honrado, sensato e patriota nas apreciações. Ainda antes das eleições, as cotações do BCP, por exemplo, estavam abaixo dos valores a que fecharam hoje e as causas eram outras.

Estes jornalistas de almanaque deveriam saber que a situação da banca nacional, em geral, é de imensa vulnerabilidade. Perante as dúvidas que se colocam à Economia Mundial – ler este artigo da Bloomberg – as preocupações atingem, a nível do Universo, os decisores ao mais alto nível. FMI e Banco Mundial, incluídos. Portugal é uma pequeníssima e frágil gota neste oceano.