sábado, 17 de outubro de 2015

INE - Os números do empobrecimento em Portugal

Advirto para a inevitabilidade de no sector público, mas também no privado, se terem de cortar custos, o que significará salários e níveis de vida mais baixos.

O fatal e funesto propósito foi cumprido, havendo 36,6% de votantes nas legislativas de 2015 - menos de cerca de 700.000 e dos 50,25% de votos obtidos por PSD+CDS em 2011- que sufragaram, e alguns de forma entusiástica, a maioria relativa do par Coelho e Portas que, na minha previsão, Cavaco Silva nomeará para novo mandato - só que desta feita, estou certo, a governação vai ser bastante complexa, caso não venha mesmo a ser derrubada a certo ponto da legislatura. 
A advertência de Passos Coelho em 2011 correspondeu, de facto,  a um objectivo inequívoco de levar uma parcela muito significativa de portugueses ao empobrecimento. Chamar miserável e rasteiro a este objectivo conseguido é pouco. Coelho, o demagogo Portas e os protegidos de um e outro estiveram e estão longe das dificuldades e das inquietações de pobreza e miséria que fizeram questão de impor a mais de 2 milhões de portugueses. As crianças e os reformados de baixos rendimentos são aqueles que mais sofrem, em conjunto, obviamente, com os desempregados.
Andam os altos dirigentes da igreja católica, desde logo o Cardeal Patriarca, a pugnar por um acordo dos partidos da PáF com o PS. Ignoro se o Papa Francisco conhece esta posição oficial da igreja portuguesa. Sem ser crente, estou certo de que a obscenidade não lhe chegou ao conhecimento. Tenho-o na conta de um homem devotado às causas do humanismo que falta à estrutura eclesiástica nacional, actualmente no poder.
Amanhã, comemorar-se-á o Dia de Erradicação da Pobreza. O INE, citando a efeméride, publicou este comunicado que, em documento em PDF anexo, tem uma descrição minuciosa da desgraça da pobreza em Portugal. 
O texto do citado documento em PDF é, efectivamente, completo e reflecte com clareza os níveis e características dramáticas do empobrecimento em Portugal desde 2009. Não resistimos à vontade de reproduzir o seguinte gráfico:




Observações:
  • Uma linha de pobreza ancorada no tempo tem por base, neste caso, a linha apurada em 2009, actualizando-a segundo a inflação. Na prática, este método traduz que, mesmo com rendimentos ao nível ou algo acima do ano inicial, a proporção do número de pessoas em risco de pobreza aumentou de 17,9% em 2009 para 25,9% em 2013. O incremento registado foi, portanto, de 8% neste cálculo.
  • Se trabalharmos apenas com os preços correntes, durante o mesmo período, essa proporção de pessoas aumenta apenas para 19,5%, deixando, de facto, de fora uma parte da população que, por quebra do rendimento devida à inflação, caiu efectivamente na situação de risco de pobreza. Neste caso, o aumento é apenas de 0,7%.
O INE, neste domínio, sublinha:
De acordo com o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EU-SILC), realizado anualmente junto das famílias residentes em Portugal, o limiar, ou linha de pobreza relativa (que corresponde a 60% da mediana da distribuição dos rendimentos monetários líquidos equivalentes) aumentou de 4906 euros em 2012 para 4937 euros em 2013, ou seja, de 409 euros para 411 euros em termos mensais.

Para os menos familiarizados com as teorias de estatística, referimos que  a mediana corresponde ao valor numérico que separa a metade superior de uma amostra de dados, de uma população, por exemplo, como é este caso. De forma mais directa: dizemos se tivermos uma série de cinco números: 2,3,6,8,9, a mediana, nesta série, é 6. Se, porventura, o total de números for par, então a mediana será a média aritmética dos dois números centrais: na série 3,4,5,6,7,8 a mediana é igual a (5+6)/2.

Deixando de lado estas considerações de ordem estatística, volto a sublinhar que o documento em PDF do INE tem abundante informação a respeito do agravamento de pobreza da população que governo e o inquilino de Belém omitem sistematicamente no discurso político.  Todavia, uma parte significativa da população, em especial do litoral e da classe média, achou que estamos a ser bem governados e... PáF para a frente. Bem fazem aqueles que aos milhares estão a deixar o País ano após ano. Com estes governantes desonestos, de uma direita autora de tal deriva anti-democrática, anti-social e anti-popular, o melhor é efectivamente fugir.