terça-feira, 6 de outubro de 2015

Classe média do litoral deu a vitória à direita

Sublinho que, embora distante do regozijo desejado, não me sinto angustiado com o desfecho eleitoral. A direita, desta vez baptizada de PAF, venceu com maioria relativa. O desenlace merece-me alguma expectativa. Passámos do romance de percurso e fim previsíveis (maioria absoluta), para uma espécie de história de suspense empolgante (quando é que esta gentalha se vai embora?).
A política tem características simples. Umas vezes ganha a direita, outras, como prefiro, é a esquerda a sair vencedora. Todavia, apercebemo-nos pelos percursos históricos, que nada é definitivo nem sobrevive à implacável lei da vida e das sociedades humanas: tudo tem um princípio, um entremeio e um fim. 
Na política tudo acaba melhor para uns e pior para outros. Sempre foi assim. E, concretamente nas eleições de Domingo, quem começou realmente muito bem foi o BE. Devemos felicitar as jovens e inteligentes mulheres. Ofuscam os homens com naturalidade. Parabéns Catarina, parabéns Mariana, parabéns Marisa e todas as outras que deram uma lição aos presumidos sábios da política, nomeadamente ao Fazenda e ao Louçã - a minha saudação é desinteressada porque não fui votante nem sou militante do 'Bloco'.
O PS espalhou-se e à grande. António Costa andou muito só, apelando ao voto contra uma coligação que nos últimos quatro (4) anos espoliou os portugueses com impostos, cortes de salários, de reformas e pensões, fez disparar o desemprego e disfarçou com estágios e acções de formações a criação de emprego, endividou o País em mais 30 mil milhões de euros, empobreceu a Nação tanto na venda de patrimónios como na servil subserviência ao Sr. Schäuble, Dona Merkel e a Bruxelas.
Com todas estas e outras malfeitorias aos portugueses - desemprego, pobreza, miséria e emigração em massa - o 'povo', essa generalização do 'bom povo português' de que sempre duvidei, no que respeita a seriedade e capacidade intelectuais, consciência dos direitos colectivos de cidadania, espírito de solidariedade com os desvalidos e as populações idosas do interior; com todas essas malfeitorias, dizia, não me surpreende que a classe média decomponível em mescla de estratos de interesseiros, oportunistas,  egocentristas, superficiais ou mesmo ignorantes dos deveres cívicos e destituídos de sentimentos de solidariedade, tenha sido a grande propulsora da vitória da coligação PAF (PAF, PEF, PIF, POF, PUF* * ** *****!).
O quadro adiante exibido, contendo os dados da PAF de distritos do litoral, onde a classe média é, de facto, o extracto social prevalecente, revela que, nesse segmento geográfico, demográfico e social, a dita coligação de Coelho e Portas, registou uma expressão de votos que se traduziu em 82 deputados, precisamente 78,85% da totalidade da representação da PAF+PSD Madeira:

Partido Vencedor Nº. de Deputados
Distrito 
PAF PAF
Aveiro 48,14% 10
Braga 45,64% 10
Coimbra 37,18% 4
Faro 31,47% 3
Leiria 48,42% 6
Lisboa 34,68% 18
Porto 39,59% 17
Setúbal 22,59% 5
Viana do Castelo 45,54% 4
Açores 39,96% 2
Madeira 43,77% 3
Total 82
78,85%


(Nota: nos distritos acima indicados, apenas em Faro e Setúbal o PS saiu vitorioso).

Ficamos expectantes para saber se não se trata de uma vitória Pírrica e se o PS, em desfavor dos portugueses espoliados e que sofrem, não se deixa envolver em cumplicidades no domínio da Segurança Social e de outras políticas do bem público para a nossa vida colectiva.
António Costa está a ser bombardeado, naturalmente. Todavia, o PS cometerá grossa asneira se repescar Seguro, grande amigo de Miguel Relvas, e as belezas ofuscadas ou os brilhantes baços. O Assis e sua paixão pela coligação com o PSD também não é recomendável. Decida quem possa, porque eu também não sou militante. Nem do PS, nem de qualquer outro.