quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O pânico na comunicação social sobre um governo de esquerda

O alvo preferido é o PS. BE e PCP, nesta fase,  são meros acessórios da retórica e propaganda anti esquerda com que a comunicação social portuguesa inunda os noticiários e prestações de comentadores.
Numa espécie de exercício escatológico, infundem a ideia, na opinião pública, de que só à direita é consentido erigir e fazer funcionar coligações partidárias. - À esquerda não! – Reclamam eles, desde os jornalistas, sem ponta de ética e de imparcialidade, aos políticos de percursos contaminados, de que Durão Barroso é um rotundo exemplo.
O nosso ex-José Manuel de Bruxelas, um servo humilde e bem recompensado por Bush, Blair e Aznar, declarou ao “Diário Económico”:
“Eleitores do PS não votaram para um governo com o PCP e o Bloco”
Trata-se de uma especulação saída do vazio, porque nenhum José Manuel, como ele, ou um José Maria, como outros, têm meios de garantir que, do primeiro ao último dos votantes do PS, ninguém foi às urnas para que se formasse um governo de esquerda.
No seio da especulação política, há uma práxis: nada é inquestionável. Portanto, usufruindo da mesma legitimidade da afirmação de Barroso, pergunto-lhe: quantos votos o PS obteria se tivesse anunciado que faria uma aliança à esquerda? Nem ele, nem ninguém sabe. A dúvida é pertinente e fica obviamente sem resposta.
É útil lembrar Barroso que António Costa, durante a campanha, sempre afirmou que não se coligaria com Coelho e Portas. Trata-se de uma forma de implicitamente dar a entender com quem se aliaria. Resta saber, agora, se a comissão política do PS, e uma parte de militantes adversários da aproximação às forças à esquerda do mesmo PS, lhe permitirão coligar-se com os partidos de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. Ou os socialistas, através de Costa ou qualquer outro, são coagidos a juntar-se ou apoiar, no governo ou no parlamento, à tenebrosa trupe de Coelho e Portas.
O ‘Jornal de Negócios’, que depois da saída de Pedro Santos Guerreiro se converteu em ‘pasquim de negócios’, alarmava esta manhã ‘on-line’ que as cotações das acções da banca nacional (BCP e BPI) estavam em acentuada queda, em consequência da perspectiva de Portugal vir a ser governado à esquerda.
À tarde, porém, já publicava um texto, de onde retiramos o seguinte parágrafo:
“Os bancos nacionais acompanharam, assim,as perdas no sector na Europa. O índice que reúne os bancos do Velho Continentedesce 1,52%. O UBS Group chegou a recuar quase 3,5% durante a sessão, depois deo ministro das Finanças da Suíça ter afirmado que planeia exigir aos maioresbancos do país que tenham capital equivalente a 5% dos activos totais. O HSCBdesce 2,14%.”
Todos sabemos que os mercados, os investidores e as agências de ‘rating’ formam um demoníaco mundo. Na defesa do interesse e soberania nacionais, seria mais adequado ser honrado, sensato e patriota nas apreciações. Ainda antes das eleições, as cotações do BCP, por exemplo, estavam abaixo dos valores a que fecharam hoje e as causas eram outras.

Estes jornalistas de almanaque deveriam saber que a situação da banca nacional, em geral, é de imensa vulnerabilidade. Perante as dúvidas que se colocam à Economia Mundial – ler este artigo da Bloomberg – as preocupações atingem, a nível do Universo, os decisores ao mais alto nível. FMI e Banco Mundial, incluídos. Portugal é uma pequeníssima e frágil gota neste oceano.