domingo, 13 de abril de 2014

25 de Abril: o Coelho ignorante, autoritário e pedante


O homem era na época menino. Um “retornadozinho”. Jamais conheceu verdadeiramente o Portugal Continental de então, a Metrópole. Nunca sentiu a falta de liberdade. Nem o destino macabro daqueles da minha geração, mortos em África - em Angola, na Guiné ou em Moçambique. O Luís, o António, o Pedro, o Bino… bom, estes foram os meus amigos desaparecidos. E os outros? Aos milhares embarcavam em Alcântara ou na Rocha, banhados por lágrimas de quem no cais, em especial os pais, os viam sumir Tejo fora. À velocidade de penitência de 2 a 4 nós; nós diferentes daqueles que, no sofrimento, se enrolavam nas gargantas de quem parte e de quem fica. Lá iam eles. Talvez para a morte ou para rumos de vida impensáveis. Iam combater. Defender o império, diziam os poderosos e amantes da ditadura.
Parte dos jovens militares tinham como destino Luanda. Onde viviam certos colonos sem limites de salário máximo. Para os filhos destes, na infância dos 2 aos 10 anos, a escassa idade era obstáculo natural à interpretação do que se passava à sua volta. De dia, os ‘Pedrinhos’ eram tratados e transportados às costas, esse colo negro aconchegador, da Conceição, da Maria ou da Rafaela, ao mesmo tempo lavadeiras. Nas noites quentes, o café ‘Polo Norte’ ou gelataria ‘Baleizão’, entre outros, eram os pontos de encontro dos colonos luandenses de sucesso e filhos.
Na noite do 25 de Abril de 1974, e à semelhança do epíteto de cubanos com que o Alberto João nos brinda, aqui, neste Portugal governado agora por Pedro que provavelmente se babou de gelado do ‘Baleizão’, fomos classificados de traidores. Todos eramos comunistas e vendilhões da pátria; uma vez que era a deles e não a nossa, escreva-se inteiramente com minúsculas.
Pedro, o miúdo babado de gelado, hoje baba-se da chefia do governo. Sem saberes suficientes para o cargo. Jogos partidários de ‘jotas’. Relvas, outro miúdo vindo de Angola, foi a alavanca. Da política, Pedro andou afastado. Ignora, em rigor, o que o 25 de Abril significou por cá para milhões de portugueses.
Todavia, a vida tem passagens adversas. Alberga gente má. Ou melhor, tem ‘Pedros’ sem préstimo nem valor, mas autoritários e pedantes. Os tais que se atrevem a considerar lateral o conflito entre a Assunção, presidente da AR, e os militares de Abril, barrando a estes últimos a liberdade de falarem na Casa da Democracia que restituíram ao Povo, na comemoração da data que patrioticamente inscreveram na História de Portugal.
Quando acaba o tempo deste Pedro pedante, infame, inflamado de tiques autoritários com trabalhadores activos, reformados e pensionistas? Sim, quando acaba ele de lamber a gelada vida que não é do Baleizão, mas poderia ser a de Catarina Eufémia? Vida dura, difícil, coarctada subtilmente nas liberdades laborais e de cidadania; vida podre que obriga o País a esvair-se em emigração, atraso e desertificação.
‘Pedro’ é escrito com as mesmas palavras de ‘podre’. País infeliz…até nos anagramas.

sábado, 12 de abril de 2014

Tradução do ‘Monitor Fiscal do FMI’ de 9 de Abril de 2014

(Nota Introdutória: o documento publicado há 3 dias (09-04-2014) no 'site' do FMI sob a designação de 'Monitor Fiscal' - em minha opinião, em português a imprensa deveria designá-lo por 'Relatório de Monitorização Orçamental' - é o modelo divulgado, sem economia de recurso a detalhes, da política que o FMI - Fundo Monetário Internacional pretende ver instaurada a nível global.
O FMI, independentemente de agrupar de forma artificial porque genérica países sob as classes de 'Economias Avançadas', 'Mercados Emergentes' e 'Países de Baixos Rendimentos', em termos de contas públicas, o núcleo dos interesses das análises, têm como argumentos comuns as 'reformas da despesa pública' para se atingir o objectivo de obsessiva 'consolidação orçamental'. 
Cortar nas despesas de saúde, de educação e nas condições de contribuições e benefícios de pensionistas, entre outros, são exaustivamente citados como alvos a atingir. Seria de esperar, considero eu, alguma referência a diagnosticar  e definir medidas drásticas sobre 'offshores' e paraísos fiscais. Ambas, a par de outras iniquidades, do ponto de vista fiscal para uma entidade supranacional e global empenhada (?) na solidez das contas públicas dos Estados-membros da organização, deveriam estar na primeira linha das preocupações. Esta e outras graves omissões e divergências que ferem o espírito humanitário que deveria constituir princípio irrefutável e universal, inocenta a obscena China, os responsáveis máximos pelos miseráveis territórios asiáticos e africanos, políticas na América Latina que, caso após caso, o FMI atraiçoou com opções financistas, com total desprezo por milhões de seres humanos que nessas áreas geográficas sofrem desigualdades inaceitáveis, traduzidas por viver na pobreza, por sobreviver na miséria ou mesmo por condenação à morte, à falta dos mais elementares meios de sustentação da vida humana, da alimentação à saúde.
EUA e Europa, como o conjunto países de Economias Avançadas, estas na linguagem imprecisa do FMI, também são abordados segundo a mesma lógica: contas orçamentais certas, custe o que o custar para os desprotegidos, renda o que render para os multimilionários detentores de fortunas obscenas que não envergonham e jubilam os donos do mundo actual - chamem-se Obama, Merkel, Putin, Li  Keqiang, Lagarde, o pestilento Kim Jong-Il ou outra 'merda qualquer', como Schäuble, Barroso, Oli Rhen, Van Rampoy, sem contar com os de cá de dentro que nem são poucos nem menos fétidos.
Hesitei em publicar já o trabalho de tradução, naturalmente parcial porque extenso e complexo, mas não quis condenar o meu modesto blogue, este sim verdadeiramente modesto, ao silêncio, que me cala e distancía dos leitores que em número crescente o visitam. Portanto, publico a parte da tradução concluída, sempre com a ideia de estar aberto a sugestões que contribuam para a melhoria do documento).

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A euforia de Albuquerque com os investidores na dívida

A ministra Albuquerque reuniu-se em Londres com “investidores bem informados” e “optimistas”. A senhora ficou eufórica. Os tais investidores topam-na à légua e estão convictos de que, com mais ou menos polémica, Portugal sairá do PAEF com, pelo menos, uma carta de conforto das autoridades europeias – CE e/ou BCE – desde que a Alemanha e os neo-sudetas austríacos, finlandeses e holandeses estejam dispostos a avalizar o compromisso… e com uma cunha do Gaspar ao Schäuble e outra do Coelho à Merkel não será impossível.
Todavia, é oportuno interrogar: de que género de investidores fala a ministra? Justamente dos especuladores dos mercados financeiros, dispostos a comprar dívida em condições de riscos minimizados. Enfim, trata-se de mais uns clientes para as obrigações do IGCP de Moreira Rato.
O que seria vantajoso e interessante para o País é que fossem investidores na Economia Portuguesa e que reforçassem o aparelho produtivo na indústria, na agricultura e nas pescas – tanto mar!, expressão do Chico Buarque de que Cavaco se apropriou.
O tecido produtivo alargado a outras actividades, que adicionassem valor às exportações do calçado, do vinho, da cortiça e do que é mais comum exportarmos, não constitui um ‘dossier’ da ministra das finanças. 
Competiria ao Pires, ajudado agora pelo Frasquilho, desenvolver outro tipo de prospecção no sentido de encontrar novos investidores na Economia. Contudo, não sabem ou não conseguem. E, assim, temos de nos contentar com os especuladores.
A dívida pública portuguesa, sob protecção dos alemães, é um investimento de risco controlado. Sim, eu sei que os bancos alemães já venderam grande parte da dívida que detinham, mas isto quer dizer que, se forem outros a financiar, eles pedem ao Draghi uma simulação de protecção eficaz na aparência. E imaginação do ex-Goldman Sachs, que ajudou a Grécia a baralhar as contas, será útil e, inevitavelmente, prodigiosa.

A subserviência do velho ao rapaz

O burro afastou-se para longe, na direcção da reunião do conselho dos asnos. Abandonou o velho e o rapaz; este era torcido, teimoso e opinioso, embora pouco ou nada soubesse do que quer que fosse.
Trio reduzido a duo, o rapaz assumiu a liderança. Inspirado na tradição de chefe supremo do Império Romano sentenciou, irritado, ao modesto ajudante que abrira a boca aos jornalistas: “Ó senhor secretário de Estado sobre cortes em salários e pensões, estou cá eu para falar… compreendeu?”. Ao País o rapaz anunciou:
“Governo não tem intenção de "proceder a cortes adicionais nas pensões ou salários"
Todos os patrícios, plebeus, clientes, escravos e libertos perceberam no Império e muitos outros no exterior.
O velho subserviente, ao mesmo tempo, concluiu:
“Roma falou, a questão está decidida”
O burro regressou, a farsa acabou e vem-me à memória uma frase de Schopenhauer, filósofo alemão:
“A modéstia é a humildade de um hipócrita que pede perdão por seus méritos aos que não têm nenhum.”
De facto na política, e sobretudo no Portugal actual, há burros, velhos, rapazes. Uns são modestos e hipócritas, outros oportunistas descarados e intrujões; do outro lado, existem cidadãos e prescrições.

Tradução das Previsões de Primavera do FMI

(Nota introdutória: com o objectivo de permitir a divulgação em língua portuguesa do texto integral do Relatório das Previsões de Primavera do FMI, excepto a tabela no final da tradução que não tive possibilidade de traduzir do inglês, realizei a presente tradução, em complemento das notícias sobre o tema publicadas no jornal ‘Público’. No caso de serem detectados erros ou expressões tecnicamente incorrectas, agradeço que sejam citadas em comentário para eventuais correcções. Entretanto, vou proceder a uma revisão mais atenta da tradução e introduzir as alterações que me pareçam exigíveis.)
TRADUÇÃO
PERSPECTIVA ECONÓMICA MUNDIAL
Reforço da recuperação, mas exige esforço mais forte de políticas
Análise do FMI
8 de Abril de 2014
·        A economia global crescerá 3,6 por cento em 2014 e 3,9 por cento em 2015
·        Retoma nas economias avançadas, mas a recuperação global ainda se manterá irregular e abaixo da média
·      Os riscos incluem incertezas geopolíticas, potenciais reversões de fluxo de capital e inflação baixa
A recuperação global está a tornar-se mais ampla, mas as mudanças ambientais externas colocam novos desafios aos mercados emergentes e economias em desenvolvimento, diz a mais recente Perspectiva Económica Mundial (World Economic Outlook [WEO] do FMI).
O FMI prevê para o crescimento mundial uma média de 3,6 por cento em 2014―acima dos 3 por cento em 2013―e um aumento para 3,9% em 2015.
A robustez da recuperação da Grande Recessão nas economias avançadas é um desenvolvimento positivo, de acordo com os profissionais do FMI. Mas o mais recente WEO também enfatiza que o crescimento permanece abaixo da média e desigual em todo o globo.
"A recuperação que começou a firmar-se em Outubro está a tornar-se não só mais forte, mas também mais ampla," disse o Economista Chefe do FMI, Olivier Blanchard. "Apesar de estarmos longe de uma recuperação completa, a normalização da política monetária — convencional e não convencional — está agora na ordem do dia."
Blanchard advertiu, no entanto, que, a despeito de riscos agudos terem diminuído, nem todos os riscos desapareceram.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Afinal o Costa é igual ao Constâncio

O governo quer, a todo o custo, usar a alternativa da ‘saída limpa’. A coligação PSD+CDS prioriza as ambições eleitorais – ‘que se lixem as eleições!’ era treta do Coelho – deixando para segundo plano a gestão dos interesses supremos do País, no caso as finanças públicas.
Ao contrário das acusações inflamantes ao estilo de Barroso a Constâncio, a ministra Albuquerque e respectiva equipa recorrem à vil malícia de insinuar pela calada que CarlosCosta, governador do BdP, não actuou junto do BCE sobre uma cláusula imposta por Draghi.
Apenas uma agência de ‘rating’, a menos conhecida DBRS, canadiana,  tem uma notação acima de lixo atribuída a Portugal. Caso essa classificação se deteriore, o BCE cortará o financiamento aos bancos portugueses para financiar dívida portuguesa. Esta é a ameaçadora regra contra a qual Costa é acusado de não se ter batido pela revogação no BCE. Como um governador, em órgão que integra todos os que desempenham cargos congéneres na Zona Euro, só ele, no entender do governo, tivesse êxito assegurado na iniciativa.
O Banco de Portugal, sob a governação de Costa, ainda agora em Março passado publicou previsões macroeconómicas muito favoráveis ao governo, em período de pré-campanha eleitoral. Todavia, a ingratidão é tão grande como a baixa de probabilidade das previsões acertarem.
Se a Moddy’s, Standard & Poors e Fitch, embora não concorde com a força que lhes foi concedida mas é a regra, sim, se essas agências mantêm Portugal no lixo é pura e simplesmente porque o governo não conseguiu retirá-lo da lixeira.
Estar dependente da classificação de uma única agência é resultado da política governamental. Os mercados são, de facto, muito voláteis. Esta manhã, abriram com a taxa a 10 anos a agravar-se em + 0,90%, o que corresponde a 3,915%/ano. E esta volatilidade é um enorme risco, acentuado pela motivação eleitoralista de uma saída limpa e contando com a fragilidade marcada pela nossa dívida, pelo desemprego e uma economia ainda em meia depressão. 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

A liberdade de expressão no ‘Distrito de Cavaquistão’

Como noutras regiões, o sistema de justiça no Centro funciona em plano inclinado. Há dias critiquei neste ‘post’ a condenação de um bloguer que alegadamente ofendera Fernando Ruas, essa emblemática figura que, anos a fio, presidiu à Câmara Municipal de Viseu. O ‘tacho’ autárquico foi para a sucata. Porém, a título de compensação, o homem do cabelo e do bigode negros da cor carvão, receberá não um ‘tacho’, mas um ‘trem de cozinha’ de luxo: candidato bem posicionado do PSD ao Parlamento Europeu.
Agora, em São Pedro do Sul, município contíguo à capital de distrito, Viseu, virou-se o feitiço contra o feiticeiro. O Tribunal da Relação de Coimbra confirmou a condenação em 2002 de Fernando Giestas, por, na qualidade de jornalista do ‘Jornal do Centro’, ter denunciado o desvio de móveis antigos do Tribunal de São Pedro do Sul a favor da misericórdia local. Os móveis, lembre-se, constituíam património do Estado e outras associações locais também se achavam no direito de ser contempladas.
O pior é que, em Portugal, lesar gravemente o País e os cidadãos, casos BPN, BCP e BPP, no espírito e letra do sistema de justiça e para certos homens de beca ou toga jamais existe falcatrua. De recurso em recurso, desde que haja gente graúda desta podre sociedade, a prescrição é o destino fatal.
O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos – quem nos dera que a UE e em especial a Zona Euro seguissem o exemplo – condenou Portugal por ter violado a liberdade de expressão, ao punir judicialmente o citado Fernando Giestas.
Os juízes que, na 1.ª instância em São Pedro do Sul ou na Relação de Coimbra, aplicaram a punição em Portugal sentirão algum pudor por aparentemente terem violado a Lei Europeia dos Direitos Humanos? E não é caso inédito, sublinhe-se.

Turismo financeiro

A Ministra das Finanças, em acesa disputa com o ‘Paulinho dos Emiratos’, empenha-se a fundo no campeonato dos governantes que mais viajam – em compensação, diga-se, o MNE, o viajante supostamente mais assíduo pela natureza do cargo, fica-se pelas ‘Necessidades’… necessidades impostas por funcionamento intestinal ou das vias urinárias; incontinências que o convertem em turista contido, pronto!
Miss Albuquerque vai a Londres avistar-se com investidores, na sequência de diligências de Moreira Rato do IGCP. O objectivo é lançar novos empréstimos. Quer dizer, ordenou ao funcionário Rato que desbravasse caminho para o País continuar a avançar na dívida e sairmos demagogicamente limpos do ‘programa da troika’.
Agora na ‘city londrina’ surgirá ela, amanuense transformada em ministra de ocasião, de ar resplandecente para apor assinatura e chancela nos contratos com os leiloeiros – o presidente do IGCP já havia anunciado que a nova dívida seria objecto de leilão ou leilões.
Conclusão: afinal a estratégia deste governo não era solucionar a situação de bancarrota do anterior. Esticam e não estancam a dívida.
Segundo imagino, atendendo a que os juros estão em baixa, pensam que o melhor é continuarmos a endividar-nos – em Setembro próximo com a SEC10 que Bruxelas impõe vai haver um salto tão elevado, que é de temer a queda.
No entanto, voltando às viagens, diga-se que ir a Londres é curto. O turismo financeiro é muito exigente. E Miss Albuquerque de seguida vai até Washington para a reunião da Primavera do FMI e do Banco Mundial. São as jornadas floridas do capitalismo mundial. Será um cheirete a fertilizante orgânico difícil de suportar – é muita matéria orgânica junta.
Provavelmente Albuquerque encontrará Gaspar e – quem sabe?! – daqui a uns tempos o 1.º elemento da ‘troika’, jamais o 4.º, meterá uma cunha à Lagarde e lá vai a sua sucessora integrar os quadros do FMI. No pior pano, cai a nódoa.  

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Passos Coelho: a doentia visão da saúde





Dados divulgados, também hoje, pelo jornal 'Público':

O PM, com a falta de ética e rigor que o distinguem, afiançava na Casa da Democracia, o Parlamento, que não há menos saúde no País com o seu governo, em resposta ao deputado e médico, João Semedo, do BE.
Em primeiro lugar, quando Passos Coelho diz que, em Portugal, não há menos saúde, pretendia dizer que no SNS não se registam quebras na prestação de cuidados de saúde. Como dizia ontem na SICN Maria do Carmo Vieira, professora e autora do livro 'O Ensino do Português", basta ouvir os nossos governantes e imediatamente se percebe que são "broncos". Temos, portanto, de descodificar as mensagens grosseiras, mas infelizmente já estamos habituados.
Saltando da forma para o conteúdo, torna-se  claro  que as palavras do PM não passam de uma intrujice, se tomarmos em consideração o evidenciado no gráfico acima reproduzido e o seguinte texto da notícia:
"Os hospitais públicos fizeram menos 44 milhões de actos complementares de diagnóstico (análises e exames como radiografias ou endoscopias) e menos 2,6 milhões de actos complementares de terapêutica (fisioterapia, radioterapia, etc.), entre 2010 e 2012. Em contrapartida, neste período as unidades privadas aumentaram substancialmente a sua actividade nestas duas áreas, ainda que isso não tenha sido suficiente para compensar a redução verificada no sector público. Nestes dois anos, o número total de exames e análises caiu 26,5%."
Entre esta mensagem concreta e o discurso de Passos Coelho há uma enorme diferença, que jamais uma intrujice pode esconder: a falsidade das declarações do PM, por um lado, e a realidade dos serviços de saúde em hospitais do Estado que a evidencia, por outro.  
Há diversas opiniões a premiar Paulo Macedo pelo desempenho como Ministro da Saúde. Uma delas, cito-a por ser figura muito mediática, chama-se Clara Ferreira Alves. Saberá esta senhora que, em hospitais públicos, uma consulta de cardiologia tem um tempo de espera de cerca de 10 a 12 meses? Ou ainda que um doente com uma dor ciática, além de quatro injecções de 'Voltaren + Relmus' receitadas pelos serviços de urgência, é enviado para uma consulta hospitalar de reumatologia com um tempo de espera igualmente de meses? 
Neste cenário, e  segundo outra interpretação possível, da mensagem de Coelho também se pode inferir que "não há menos saúde", porque uns, com posses, recorrem aos serviços de prestadores privados e outros sem meios financeiros morrem, contando estes últimos para as estatísticas de óbitos.
(Adenda: seguindo idêntica tendência é também demonstrado pelo Público que a nível geral, actividade hospitalar em particular, os serviços de cuidados de saúde público diminuíram a actividade em favor do sector privado - O PM ainda está mais afastado da verdade)  

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O caso BPN está na esfera judicial e acima dos partidos

O ruído iniciou-se Sábado, na entrevista de Barroso ao ‘Expresso’. O Zé Manuel era primeiro-ministro ao tempo de, no BPN, se terem cometido atrocidades que, pensa-se, vieram a onerar entre 5000 e 7000 milhões de euros os contribuintes portugueses – o valor real de contas falsas e dolos está longe de ser conhecido com rigor. É natural que o fugitivo PM se sinta acossado.
Do subconsciente jamais expurgou a vergonha, se é que a tem, não resistindo a perorar indirectamente, entre outros, Oliveira e Costa, o padrinho Cavaco, efémero mas accionista do fétido projecto, e Dias Loureiro, conselheiro privilegiado e influente no programa de governação de Barroso.
Vítor Constâncio, então governador do Banco de Portugal, foi acusado pelo ainda presidente – na verdadeira acepção dos poderes exercidos jamais o foi – da Comissão Europeia. É aceitável que a supervisão do Banco de Portugal seja posta em causa, mas de forma consistente, transparente e em local próprio, a fim de que os portugueses venham a saber toda a verdade pelas estruturas da justiça.
Mais ainda: se o Banco de Portugal teve responsabilidades, também as tiveram outras entidades que trabalhavam directamente com as contas do BPN – e porque se omite a SLN?!. O caso caiu sob a alçada do sistema judicial, competindo a este, impelido pela gravidade, ser célere e justo no julgamento de todos arguidos.
Tentar mascarar o lesivo ‘processo judicial’ para o povo português em pérfida luta partidária é infame e um atentado contra a inteligência de muitos cidadãos. A nível partidário, o caso BPN já foi suficientemente dirimido através de inquérito, muito mediatizado, na AR; mas, como qualquer outro, foi inconsequente. É pura e simplesmente desonesto Barroso, de imediato mimetizado pelo aberrante fanfarrão Nuno Melo do CDS-PP, vir deslocar para a discussão público-partidária o grave caso ‘BPN’ que, na essência, foi assimilado e está em fase de audiências no ‘sistema judicial português’.
Oxalá os homens e mecanismos da justiça portuguesa, ao menos uma vez, façam cumprir a Lei para punir quem se provar ser culpado, chame-se Oliveira e Costa, Dias Loureiro ou Arlindo de Carvalho – todos governantes cavaquistas; ou mesmo Vítor Constâncio e profissionais da supervisão do Banco de Portugal que, provadamente, se venham a revelar responsáveis por imprevidência na acção de combate a golpadas de vulto que desabaram sobre os portugueses – trabalhadores activos, reformados e até desempregados e outros desventurados alvo de reduções nas prestações sociais e no agravamento “enorme” de impostos.
Oxalá que, desta vez, ‘os de colarinho branco’ sejam julgados. Neste caso, deixem-se de lutas partidárias! Estas, para os mais sensatos, não são divertidas, mas ofensivas.