quarta-feira, 9 de abril de 2014

A subserviência do velho ao rapaz

O burro afastou-se para longe, na direcção da reunião do conselho dos asnos. Abandonou o velho e o rapaz; este era torcido, teimoso e opinioso, embora pouco ou nada soubesse do que quer que fosse.
Trio reduzido a duo, o rapaz assumiu a liderança. Inspirado na tradição de chefe supremo do Império Romano sentenciou, irritado, ao modesto ajudante que abrira a boca aos jornalistas: “Ó senhor secretário de Estado sobre cortes em salários e pensões, estou cá eu para falar… compreendeu?”. Ao País o rapaz anunciou:
“Governo não tem intenção de "proceder a cortes adicionais nas pensões ou salários"
Todos os patrícios, plebeus, clientes, escravos e libertos perceberam no Império e muitos outros no exterior.
O velho subserviente, ao mesmo tempo, concluiu:
“Roma falou, a questão está decidida”
O burro regressou, a farsa acabou e vem-me à memória uma frase de Schopenhauer, filósofo alemão:
“A modéstia é a humildade de um hipócrita que pede perdão por seus méritos aos que não têm nenhum.”
De facto na política, e sobretudo no Portugal actual, há burros, velhos, rapazes. Uns são modestos e hipócritas, outros oportunistas descarados e intrujões; do outro lado, existem cidadãos e prescrições.