quinta-feira, 17 de abril de 2014

Cavaco Silva, o presidente irónico de mau gosto

A falsidade é susceptível de uma infinidade de combinações;
 mas a verdade só tem uma maneira de ser.
Jean-Jacques Rousseau



Fonte: SAPO Vídeos
Produzidas na presença dessa figura encardida de nome Branquinho - o tal que declarou na AR ignorar o que era 'Ongoing' e em seguida ingressou nos quadros dessa infestada empresa - as palavras de Cavaco Silva, carregadas de triste ironia e cinismo, não iludem. 
Com efeito, de um homem que "nunca se engana e raramente tem dúvidas" as declarações públicas jamais me equivocam ou me causam incerteza. O actual PR é do género de quem hoje diz e faz uma coisa e amanhã é crítico dos resultados nefastos do que defendeu e decidiu anteriormente. Sem assumir responsabilidades.
A profunda cumplicidade de Cavaco com o governo de Passos e Portas retira-lhe qualquer legitimidade para, por exemplo, defender criticamente que "devem ser corrigidas as situações de injustiça nos últimos anos nesta fase de vida do país."
No zelo de um forte aliado do governo, o PR focou a "melhoria dos indicadores económicos" que, todavia, milhões não sentem, antes pelo contrário sofrem com dificuldades crescentes; e introduziu um novo conceito macroeconómico curioso: "O dividendo orçamental do crescimento económico, proporcionado pelos aumentos das receitas dos impostos e pela redução dos subsídios de desemprego."
Qualquer cidadão com meio-dedo de testa, perante esta falta de verticalidade, questionará com mais do que justificada razão: "Este não foi o PR que promulgou todas as leis que permitiram justamente ao governo cortar subsídios de desemprego, reformas, pensões e salários que tornaram complexa e, em certos casos, causar grave sofrimento a milhares e milhares de famílias portuguesas?"
A hipocrisia em política sempre foi uma figura de estilo e uma componente do acto de governar. No entanto, na 'Democracia de Abril', com este Presidente e esta maioria, nos últimos anos, foram largamente ultrapassados os limites do tolerável. Seria preferível que o PR permanecesse no caminho das vacuidades que lhe são peculiares, em vez de pretender aliar-se aos prepotentes e às vítimas destes. É demasiado contraditório.