sexta-feira, 25 de abril de 2014

Nos 40 anos do 25 de Abril, de novo em busca do tempo perdido.

Sinto a sofreguidão do tempo a correr, louco na celeridade e pulverizado de transformações de que os homens – os políticos, principalmente - impregnaram a sociedade. Como defendia Marcel Proust, o tempo, em si mesmo, é desprovido de conteúdo. Porém, é o abrigo de tudo que desfila na sua incessante contagem. Uma regra a que não escapam os eventos da vida colectiva desde sempre e as figuras inextinguíveis da História da Humanidade.
Nasci e vivi neste País nos tempos da doutrina, das tradições e das vozes medievas, a exaltar uma estranha felicidade de “estarmos orgulhosamente sós”. Orgulho fétido, lançado pelos militares de Abril para um desterro distante. Tão longínquo que jamais se sentiu o exalar da fedorenta e opressiva tirania.
Dos tempos democráticos, neste 40.º aniversário do 25 de Abril, o País vive a pior crise social, económica e financeira de sempre, sob o comando de um grupo de gente, na maioria, de escassa cultura que abraçou a vida política através das ‘juventudes partidárias’, por descarado e ignóbil carreirismo e ambições de carácter material e mediático.
Tiveram excelentes mestres, ou seja, alguns dos retirados; muitos acumularam fortunas sem escrúpulos quanto aos meios utilizados, em diversos casos dolosamente. Tudo à custa de um povo, nesta hora fustigado por nova tirania, traçada em ‘ateliers’ financeiros e executada por títeres subservientes a centros de poder estrangeiros – do FMI de Washington à Comissão Europeia e BCE; estes últimos comandados desde Berlim.
É graças a esta sórdida gentalha, às ordens de poderes externos não sufragados, que os portugueses, em vez do “orgulhosamente sós”, estão agora submetidos a uma soberania decapitada e vivem “humilhantemente subjugados”. Uns, muitos, emigram; outros, também muitos, vivem sem emprego, em situações de extrema pobreza, ou mesmo de miséria; outros especiais: idosos, sem recursos e assistência médica capaz, sofrem na morbidez do caminho abreviado para a morte, ou crianças, mais de 120.000, que morreriam de fome se não existissem ajudas de instituições de solidariedade criadas pela sociedade civil.
É desta sórdida gentalha, ocupante das salas do poder, a derramar mentiras a propósito da baixa de juros e a falsear dados macroeconómicos, como o peso real das exportações na Economia Portuguesa, que temos de nos livrar.
É desta sórdida gente hipócrita, desumana e que, dando-se conta ou não, exerce uma governação assassina que nos devemos livrar.
É desta sórdida gente que temos de nos libertar, em busca do tempo perdido nestes últimos três anos, de perdas de direitos laborais, de salários, de prestações sociais, de assistência na saúde ou na prestação dos serviços do Estado na educação.
Temos de expurgar toda esta ganga das nossas vidas, para que o espírito e as conquistas do 25 de Abril se revigorem fulgurante e definitivamente, em benefício do povo português.
Vivam os militares de Abril! Viva a memória de Salgueiro Maia! Lá estarei, daqui a umas horas, no Largo do Carmo com milhares na homenagem póstuma a um capitão que contribuiu decisivamente para que uma data, 25 de Abril, se tornasse intemporal e simbólica da felicidade do povo português.