quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Os políticos e o PIB trocista


O INE publicou os dados do PIB do 2.º T de 2014. Os resultados são insatisfatórios, conforme se demonstra:
  • O PIB aumentou de 0,6% em cadeia; isto é, da quebra de - 0,6% verificada no 1.º Trimestre.
  • A variação homóloga, relativa portanto ao 2.º T de 2013, fixou-se em 0,8%, abaixo, consequentemente, de 1,3% registado no trimestre precedente.
Certamente viciado na arrogância e no desprezo com que tratou trabalhadores - e desempregou umas dezenas - o homenzinho, como (des)governante, convence-se de estar a dirigir-se aos cidadãos deste País como de uma corja  de mentecaptos se tratasse.
A 'retoma económica', vista, apenas, por ele, pelos companheiros de (des)governo, pelos deputados da maioria e acólitos dos partidos no poder, é o mote que lhe serve de impulso para desancar em quem tem opiniões diferentes. Ou seja, aqueles, realistas, que vêm na austeridade, imposta pela 'troika', o percurso em sentido inverso ao que a Economia de Portugal e a manutenção do Estado Social necessitavam: o crescimento.
Se atentarmos nas principais justificações do INE para a queda do PIB - redução da procura interna com reflexos na quebra do investimento e desaceleração das exportações - facilmente se conclui que o comportamento económico desfavorável não é influenciado por acórdãos ou matérias em apreciação no Tribunal Constitucional, como alegava, em golpe de falácia, o emproado Luís Montenegro, líder de bancada do PSD.
O governo não acerta uma e corre uma vez mais o risco de falhar nas previsões do DEO de Maio passado (página 7, n.º 8), documento em que previa o crescimento do PIB de 1,2% em 2014. Todavia, MLA não está só no falhanço. Também a Comissão Europeia, nas previsões da Primavera, fazia previsão do PIB idêntica; e mais, dizia que a inflação cairia e aqui acertaram. Ignoro quanto, porque a percentagem não foi indicada; se essa mesma Comissão admitia que, durante 6 meses consecutivos, estivéssemos em situação de inflação negativa (- 0,9% em Julho-2014), podendo estar a caminho de um penoso processo de deflação. 
Uns eleitos, outros não eleitos, todos estes políticos se arrogam de destruir a vida de milhões de seres humanos. É a esta Europa que pertencemos, a do Euro, das dívidas crescentes e da destruição de históricos e legítimos direitos sociais.
É o nosso fado: o PIB, malvado, é trocista, desculpam-se eles.
    

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Novo Banco e BCE

O ‘Público’ anuncia:


Esta gente do Governo e do Banco de Portugal a mandar recados através da imprensa, e não o próprio jornal, diga-se, já me merece pouca credibilidade no que pretende transmitir à opinião pública.
Por via das dúvidas, permito-me formular um pedido ao Dr. Miguel Reis:
- O senhor, como advogado, não fazia o favor de obter uma certidão e uma nova acta que, explicitamente, esclareça que o Novo Banco já recuperou o estatuto de contraparte junto do Banco Central Europeu?
Como o País não disfruta de condições de pagar as dívidas, pública e privada, a única solução é pedir mais financiamentos, a fim de não perdermos os contactos com os sagrados mercados e investidores.
A sua diligência, Dr. Miguel, ajudaria imenso, a fim de saber se ficamos tranquilos ou temos razões para estados ansiosos, tratados por continuada ingestão de Xanax XR 3 mg.. O financiamento do Novo Banco pelo BCE é, de facto, um desígnio nacional, útil e generoso para milhões de portugueses.

Rangel na maré dos que partem

Todos os dias há gente a deixar o mundo. Chega-se à morte por múltiplos caminhos, uns na velhice outros na juventude.  
Seja a anónimo ou a uma figura pública, é com pesar que os vejo partir; em especial aqueles que, independentemente da forma modesta ou mediática, deixam um exemplo de vida digna e exemplar. 
As figuras públicas beneficiam naturalmente de maior notoriedade até na morte - umas vezes por boas razões, outras por más. 
Sinto mais dolorosamente a perda de homens e mulheres públicos que se notabilizaram pelo valor da obra que deixam como legado e da rectidão de carácter com que se distinguiram. Ontem foi Robin Williams. É hoje a situação de Emídio Rangel, a quem a revolução das actividades radiofónicas e televisivas em Portugal muito fica a dever. 
Tenho a convicção de Rangel ter sido um profissional de elevada qualidade e de princípios - a rejeição do abjecto 'talk show', 'big brother', como director da SIC marcou-o e teve um custo que agora, tarde e a más horas, o Dr. Balsemão tenta reparar, através de discurso amável, um passado de desprezo pelo contributo de Rangel no sucesso do referido canal de TV . 
A amabilidade e reconhecimento demonstram-se durante a vida de quem merece o elogio. Jamais  a morte é o evento e o tempo de ser justo com quem se foi indigno e arbitrário.
Igualmente o meu adeus a Rangel é um até sempre, idêntico ao que dirigi a Robin Williams.  

O risco da deflação avoluma-se

A fadiga da austeridade, dos discursos da crise, dos abundantes e variados números macroeconómicos publicados; sim, essa intensa fadiga é motivo compreensível para afugentar os cidadãos de mais uma preocupação: o risco de deflação, muito elevado em Portugal mas igualmente considerável na Europa do Euro.
Evito a repetição; porém, é irresistível o convite à leitura deste meu ‘post’ de 31-01-2014, referindo os receios de Draghi e Lagarde nessa altura. E sublinhe-se que há 6 meses, as preocupações dos responsáveis máximos do BCE e FMI fundavam-se numa taxa de inflação na Zona Euro de 0,7% em Jan-2014, comparativamente a 0,8% em Dez-2013.
A despeito da forte redução das taxas de juro de depósitos no BCE, as notícias do Eurostat de 31-07-2014 - nem há uma quinzena, portanto – agravaram-se para a Zona Euro. Com efeito, a inflação estimada para Jul-2014 é de 0,4%, abaixo dos 0,5% de Junho passado.
Draghi multiplica-se em entrevistas e a influencia notícias sobre o tema. A Bloomberg em 5-Jun-2014 publicava o seguinte texto:
Se a agitação de Draghi é aquela que, de facto, das palavras se depreende, que dizer acerca da inflação portuguesa? Já é negativa há 6 meses consecutivos!, segundo divulgado pelo ‘Público’, com base em números do INE, em Julho de 2014, a variação homóloga do IPC situou-se em -0,9%, 0,5 pontos percentuais (p.p.) inferiores ao observado no mês anterior.
O governo de PPC que, a cada dia, se ufana dos bons resultados (turismo, desemprego em queda (?), juros da dívida historicamente baixos (?), consumidores confiantes), fosse através de um ministro, de um secretário de Estado ou de qualquer ajudante, já deveria ter-se manifestado perante a opinião pública a respeito desta crónica patologia a caminho da deflação, a um ritmo extremamente acelerado.
É provável que calem deliberadamente o que devem dizer – A Dona Albuquerque tagarela, tagarela, mas a este respeito remete-se ao silêncio. Vivem amedrontados com o que Alemanha possa fazer, se denunciarem que este desfecho é o preço da austeridade, da falta de rendimento das famílias e da falta de empregos, como dizia em Janeiro a putativa Sra. Lagarde.
Necessitávamos de taxas reais negativas ou pelo menos ligeiramente positivas, o que implicaria uma inflação da ordem dos tais 2% que Draghi persegue mas não alcança.
Caso continuemos na mesma caminhada de há 3 anos, com a ‘troika’ presente material ou espiritualmente, a probabilidade da deflação aumentará significativamente. A situação económica do País tornar-se-á muito complexa, mas tal risco parece não assustar os nossos (des)governantes. Estamos na hora do Espírito Santo. Ámen!

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Robin, see you always!




Robin Williams morreu. Todavia, o talento, a força de grande actor, a naturalidade com que percorria o caminho da comédia ao drama, todos estes atributos tornam imortal e bela a obra de actor cinematográfico que legou ao mundo.
O seu nome ficará gravado, para sempre, na 'História do Cinema Mundial', entre os mais distintos e que, ombreando com outras e outros que desfilaram nas telas dos cinemas mundiais, jamais se esfumarão da memória de quem admira a 7.ª arte
Na continuação de actividades televisivas, as obras de cinema em que Robin Williams esteve presente incluem vasto número de filmes. 
Recordo o tom satírico e sarcástico em "Good Morning Vietnam" (1987), no desempenho de papel de quem sabia usufruir da popularidade entre os soldados rasos e, em simultâneo, desafiar e humilhar a autoridade do superior hierárquico, o tenente-coronel  Steven Hauk. É um dos filmes emblemáticos desses desgraçados tempos do conflito dos EUA no Vietname, emparceirando com outras fitas alusivas à guerra de grande sucesso: por exemplo, "O Caçador" com a participação dos não menos extraordinários Robert de Niro e Meryl Streep.
Outro ponto alto da carreira foi no drama 'O Clube dos Poetas Mortos' (1989), película em que é um professor que incita os alunos à irreverência, à contestação e ao hábito do pensamento autónomo e livre. Robin Williams esteve nomeado para o Óscar neste filme, mas o seu nome foi preterido.
Acabaria por ter a compensação de um Óscar de actor secundário em 'O Bom Rebelde' (1998). Tarde demais, entendo eu.
Robin, ao que se percebe, morreu como e quando quis. Homem livre, de espírito humanitário e progressista, combateu activamente os falcões Bush e Schwarzenegger. Era apoiante e financiava o Partido Democrático. O mundo perdeu um grande actor e um homem bom. 
Robin, see you always!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

BES - a mentira tem perna curta

A política tem-se transformado, e com dinâmica acelerada, no território de gente da imundice comportamental, da imoralidade; desprezando elementares princípios da ética inalienáveis na missão de governar.
Os políticos não enjeitam a falta de escrúpulos para ludibriar a maioria do povo, justamente aquele segmento enorme de gente que mais sofre. Por outro lado, garantem protecção a burlões e corruptos de ‘colarinho branco’, valendo-se da paralisação da justiça diante de tais energúmenos. Aos políticos, portanto, pouco ou nada inquieta enganar e condenar milhões de cidadãos à injustiça social. 
No caso BES, o actual governo recorreu à falsa e hipócrita argumentação da defesa dos interesses dos contribuintes e depositantes. Uma cantata de melodia sem harmonia, interpretada com desplante, em coro com o BdP. Serviu-lhes para entoar o canto da mentira.
Maus intérpretes, são também especialistas em topetes. Passos Coelho, Maria de Luís Albuquerque e Carlos Costa esqueceram-se de um provérbio tão comum como autêntico e consistente na frequência com que é usado. Um pensador, Ariel Oliveira, referia-se assim à mentira:
“A vida me ensinou, que a mentira tem perna curta... mas, eu acredito que mentira nem chega a ter perna...”
E esta apregoada mentira não chegou, de facto, a pôr-se de pé. Arrastou-se, escondida aqui, encoberta acolá, até ser rapidamente descoberta. Foi capturada pela acta consultada pelo advogado Miguel Reis e divulgada pelo ‘Expresso’, documento que no ponto 6 diz exactamente o seguinte:
É lógico deduzir que, para obter o citado empréstimo, o BES entregou como garantia ao BCE títulos de dívida pública portuguesa e este aspecto da operação ainda mais reforça os riscos para os contribuintes portugueses que Passos Coelho, Maria de Luís Albuquerque e Carlos Costa negaram desabridamente. Sem ponta de pudor.

Haja vergonha!

Santana Lopes, um romântico à presidência!

No pós-25 de Abril, e descontando aqueles militares de faxina revolucionária antecessores dos eleitos, na Presidência da República, órgão supremo da soberania nacional, os portugueses já colocaram um militar (Ramalho Eanes), dois advogados (Mário Soares e Jorge Sampaio), e um economista (Cavaco Silva, o actual PR) – curiosamente é nos tempos de um economista, ex-Professor de Finanças Públicas e ex-quadro do Banco de Portugal, que a maior crise financeira do País, de há muitas décadas, nos castiga asperamente e está para durar. Paradoxos da vida.
Santana Lopes, um advogado especialista em defender-se a si próprio e em atacar quem se lhe atravesse no caminho, começou há bastante tempo a manifestar a ambição de suceder a Cavaco. Antes cedo do que tarde, os primeiros alvos a abater, em discurso, têm sido Marcelo Rebelo de Sousa, Rui Rio e o seu “amigo de estimação”, José Manuel, com quem as contas jamais serão saldadas. Trata-se de um conjunto de teoremas e outras leis de um cálculo algébrico muito complexo e insolúvel.
Santana, nessas divagações de quem anda por aí, a saborear o milagroso elixir que o tornarão Presidente da República, encontrou alguém disponível a auxiliá-lo; no caso, um militante do PSD, Paulo Vieira da Silva, admirador de Santana desde que usava fraldas ‘Dodot’. O generoso apoiante resolveu criar uma página no ‘facebook’; a 2.ª porque a 1.ª lançada por outra gente em Janeiro teve apenas 130 ‘likes’. Ignoro se Pedro Passos Coelho, que já lhe expressou apoio no Coliseu, também participou nestes 130 ‘likes’.
É relevante os portugueses saberem que Santana Lopes teve um mandato de presidente do ‘Sporting’ atribulado, com queixas do promotor-financiador Roquette; por outro lado, ainda está por calcular o tempo exacto em que exerceu o mandato de presidente da CML; no lugar de PM durou pouco e, se Sampaio tem sido mais rigoroso, nem teria lá chegado sem ser eleito.
O homem é, portanto, assim: imprevisível, inconsequente, pouco fiável nas promessas, bem-falante e sabe extrair da política o que de melhor esta oferece: dinheiro, cargos, honrarias e prazeres.
Porém, para reanimação do ‘jet set’ que tem andado tão prostrado, as próximas eleições presidenciais é a oportunidade ideal para ter um ‘romântico em Belém’. No Palácio, é garantido, as festas serão quase como as sessões do velho ‘Olímpia’; i.e., contínuas. Iniciam-se ao fim de tarde e terminam ao fim da madrugada. O fenómeno terá esta particularidade inédita no exercício presidencial, digna de ‘slogans’:
  •        “Com Santana em Belém, os momentos de romantismo começam e acabam sempre no fim!”;
  •    “Se quer viver bem, apoie a ida do romântico Santana para Belém!”

sábado, 9 de agosto de 2014

Ella Fitzgerald - Summertime



De todos os intérpretes a quem ouvi 'Summertime' de George Gershwin, a minha eleita é Ella Ftitzgerald:


Neste Verão, climaticamente incaracterístico e estranho, em que milhões de portugueses vivem as amarguras de uma sociedade prenhe de injustiça social, saibamos, ao menos, extrair algum prazer deste 'Summertime' idealista assim descrito no poema da canção:

Summertime
And the livin' is easy
Fish are jumpin'
And the cotton is high
Your daddy's rich
And your mamma's good lookin'
So hush little baby
Don't you cry
One of these mornings
You're going to rise up singing
Then you'll spread your wings
And you'll take to the sky
But till that morning
There's a'nothing can harm you
With daddy and mamma standing by

Eis, pois, a minha escolha musical de fim-de-semana.
 


Amizade

Um dos pensamentos acerca de amizade e amigos é de autoria de Millôr Fernandes e está descrito na seguinte frase:
“ Com muita sabedoria, estudando muito, pensando muito, procurando compreender tudo e todos, um homem consegue, depois de mais ou menos quarenta anos de vida, aprender a ficar calado."
No que me diz respeito, a sabedoria nunca foi nem é muita; pensei muito mas jamais consegui compreender tudo e todos; obviamente que, depois de quarenta anos de vida, também não consigo ficar calado.
Nem todos os intelectuais e pensadores, Millôr Fernandes incluído, instituem racionalmente axiomas a respeito do comportamento humano.
Ter de ficar calado a fim de conservar amizades e amigos é um princípio destituído de sentido. No que me empenho profundamente, sem a utopia de compreender tudo e todos, é na recusa absoluta de silenciar o que penso.
Manifestar, portanto, de forma mais assertiva ou ligeira a opinião a respeito de determinadas pessoas que estimo e admiro é um sentimento legítimo que jamais calarei. Seja a propósito de um ‘post’ na blogosfera ou mesmo de qualquer outro tema ainda mais despiciente.
De uma vez por todas, entendam quem e como sou aqueles que me censuram a despeito do distanciamento absoluto. E apenas neste plano fico calado, por motivos muito mais frugais do que o pensamento de Millôr Fernandes: não tenho tempo nem paciência para tal gente. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O Dr. Vítor Bento e a Teoria das Probabilidades

Na entrevista concedida ontem na SIC N, ao infatigável jornalista pró-governamental Gomes Ferreira, o Dr. Vítor Bento (VB) admitiu ser “provável” a redução de balcões e despedimentos no Novo Banco. O ‘Público’ também refere a declaração do actual presidente do citado Novo Banco.
Igualmente ontem, em ‘post’ publicado neste meu refúgio, previ a inevitabilidade – conceito muito distante da probabilidade de VB – do Novo Banco vir a encerrar balcões e despedir trabalhadores.
Para afastar qualquer juízo de terceiros no sentido de ser classificado de atrevido presunçoso, advirto que a minha previsão não se funda na capacidade de genial presciente. Circunscrevi-me ao espaço do uso do raciocínio próprio da lógica que Aristóteles, na Grécia Antiga, instituiu como disciplina.  
Se há evidência pública que verbas da ordem de centenas de milhões estão a transitar do Novo Banco para outros bancos, por iniciativa de depositantes alarmados e em fuga, é do mais elementar e lógico raciocínio inferir que o mercado para o banco dirigido por VB está a sofrer significativa redução de clientes. Logo, o encerramento de balcões e eliminação de postos de trabalho será uma consequência natural e inevitável do que está a suceder.
Compreendo que VB, em defesa do sossego interno, se fique pela Teoria das Probabilidades. Todavia, já que a utiliza, quem ajuíza do exterior poderá também sublinhar que a probabilidade de derramar o sangue do despedimento sobre muitos trabalhadores do ex-BES é muito, muito elevada.
O drama que a humanidade está a sofrer com a falta de emprego – dos números relativos a jovens europeus é melhor nem falarmos – esse drama, dizia, deriva de múltiplos factores, que percorrem um caminho longo e recheado de trajectos acidentados, barreiras e abismos. A cruel e a cada dia mais vasta desigualdade entre pobres e ricos deve-se a várias causas, entre as quais a incapacidade do sistema económico repor os postos de trabalho profusamente destruídos pela automatização.
E, em último apontamento, diga-se que se houve sector que mais beneficiou da introdução das tecnologias de informação e comunicação foi justamente o financeiro. Em Portugal, na banca, deveriam ter sido eliminados muito acima dos 20.000 postos de trabalho nos últimos 10/15 anos. O sistema de computorização de um banco tem a capacidade de trabalhar sem intervenção humana uma noite inteira e realizar milhares de operações – e já nem me refiro ao trabalho realizado pelos clientes nas caixas ATM ou no ‘homebanking’. Uma agência bancária, hoje em dia, tem em média 3 ou 4 profissionais, na grande maioria dos casos.
Grande parcela dos ganhos de produtividade proporcionados pelas novas tecnologias alimentaram a ganância dos banqueiros e mesmo assim, em certos casos, não lhes bastou. Caso da família Espírito Santo, por exemplo.