sábado, 28 de fevereiro de 2015

Passos Coelho, do calote à reforma da Segurança Social

Do discurso de Agosto de 2014, no Pontal, inflamado e demagógico como é habitual, retenho a seguinte afirmação de Passos Coelho:
Esta afirmação foi motivada pela declaração de inconstitucionalidade pelo TC da contribuição de sustentabilidade que o governo de Coelho e Portas se propunha aplicar a reformados e pensionistas.
Coelho proferiu ainda outras “malabarices”, termo retórico que os linguistas portugueses lhe devem, como contributo para o desenvolvimento do campo lexical. Na sessão em causa, de forma tão desconexa como hipócrita, ainda teve outra proclamação curiosa:
“Os pensionistas não merecem que todos os anos se esteja a tentar fazer o que os outros não deixam ou não consentem que se faça.
Que falta de decoro!
De súbito e sem ficar surpreendido com as incongruências e a desonestidade intelectual, e neste caso material, de Coelho, li no jornal ‘Público’ a notícia de que o PM acumulou dívidas de milhares de euros à Segurança Social (SS) durante cinco anos; de 1999 a 2004. Diz o jornal que as dívidas prescreveram em 2009, mas, a despeito da prescrição, Coelho fez questão de ter liquidado uma parte – 4.000 euros, diz-se.
Coelho alega que jamais foi notificado pela SS. Trabalhei anos a fio em empresas de algumas centenas de trabalhadores e o IGFSS (Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social) notificou sempre os devedores, havendo até um programa, PEC, apoiado pelo IAPMEI, a fim de calendarizar a regularização das dívidas em atraso.
No caso da falta de entrega de contribuições dos trabalhadores independentes, o ‘Público’ explica com clareza o sucedido.
Dos políticos do “arco da governação” em geral, e deste governo em especial, já nada me surpreende quanto a mentiras e injustiças, em especial sobre os trabalhadores no activo, dependentes ou independentes, reformados, pensionistas, desempregados e o sector dos desvalidos a quem também eliminaram ou reduziram as prestações sociais.
Coelho, ‘compère’ do grupo revisteiro sem humor e promotor de grandes dores sociais, deveria ter vergonha em ser governante do País, não hesitando em recorrer ao topete de ter o objectivo de reforma de um sistema de SS que ele próprio lesou, pesada e demoradamente.
Quer convencer-nos de que ignorou que durante 5 (cinco!) anos esteve em incumprimento com a SS.
Que falta de decoro!
Gente deste género deveria, pura e simplesmente, ser impedida de desempenhar qualquer cargo no Estado e, por maioria de razão, candidatar-se a cargos políticos. É por efeito de caloteiros deste calibre e de empresas que não entregam à Segurança Social as contribuições exigidas pela Lei e as quotizações retidas aos trabalhadores que, em conjunto com outros factores, a sustentabilidade do sistema de SS está ameaçada.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

George Gershwin: I got rythm

Norte-Americano, nascido em 1898 e falecido     prematuramente em 1937, George Gershwin, é um lendário compositor musical.  
Notabilizou-se na música popular e em melodias de estilo clássico - a ópera Porgy and Bess que integra a velhinha relíquia 'Summertime' é, porventura, a sua obra mais divulgada e ainda hoje interpretada em diversos palcos mundiais.
Tentando associar o prazer que as composições de George Gershwin me suscitam ao desejo (ou sonho?) de retomar uma actividade mais regular e intensa no meu recanto, designado 'Solos sem Ensaio', elegi, neste fim-de-semana, "I got rythm", um clássico do Jazz, tão intemporal quanto a obra Gershwin, na íntegra. No fundo, é um acto próprio de alegoria sentimental.

Costa, afinal, é o mito que a direita esperava

Começo por ler e reflectir sobre o fragmento deste texto publicado em 1998 no ‘site’ Scielo:
“Na linguagem corrente, a palavra "mito", desprovida de qualquer complexidade, designa uma ideia falsa ou, então, a imagem simplificada e ilusória de uma realidade. Seu campo semântico é o da "mentira". […]”
O novo ano chinês, que dizem ser da ‘cabra’, foi fatal para o secretário-geral do PS, António Costa. Acima de tudo, causou um surto de brucelose de tal intensidade político-bacteriana no partido rosa que, fora outras discussões internas, já acamou definitivamente, em leito externo ao PS, Alfredo Barroso. O episódio de Costa na festa chinesa do novo ano causou a desfiliação de Barroso do partido de que foi fundador.
Com efeito, Costa desiludiu-me. Creio ter sucedido o mesmo com milhares de cidadãos, militantes ou simpatizantes, que nele votaram ou não – colateralmente, o caso do perdão de 4,6 milhões ao Benfica (“Marques Mendes são 4,6 milhões oferecidos à enorme família vermelha!”… “grito, grito, mas o videirinho não me ouve…”); ia a dizer que perdoar 4,6 milhões a um clube de futebol, chame-se Benfica ou Charneca dos Tesos Futebol Clube é abjecta ofensa à enorme horda de pobres e desempregados, crianças esfomeadas, que sobrevivem em sofrimento no tecido social deste País.
Helena Roseta, do movimento “Cidadãos por Lisboa”, a despeito da coligação com Costa, na qualidade de presidente da Assembleia Municipal felizmente parece estar segura de que a proposta lesiva para os fundos públicos será derrotada, a qual, dizem, é encabeçada por Manuel Salgado, primo do outro e braço das direitas de Costa.
Quando o povo se revelava empenhado em perfilar-se maioritariamente à esquerda para, através do voto, afastar a coligação maldita no poder, Costa oferece, de bandeja, tais prebendas eclesiásticas ao arrivista e arruaceiro Nuno de Melo que, como bom “democrata-cristão” (da corda e do tacho) a disseminou com eficácia no ‘facebook’ .
Neste ambiente de sarilhos e falta de categoria que caracteriza os políticos portugueses – salvo claro excepções e Mariama Mortágua é uma delas – o desmentido categórico da Comissão Europeia de que, afinal, os nossos desequilíbrios económicos e sociais permanecem graves e sob vigilância; sim quando há esta oportunidade de ouro de desmitificar a propaganda de Coelho, Portas, Pires e da amanuense Albuquerque, humilde servidora de Herr Wolfgang Schäuble, Costa inflige dura derrota aos cidadãos ansiosos, e são muitos,  por derrubar um governo dos mais reles e injustos que a nossa democracia conheceu.

(Obs.: não faço qualquer menção a Seguro, porque o que teria a escrever seria, no conteúdo, idêntico ao que redigi a propósito de Costa. A realidade é que o PS vive uma crise de liderança e não tem com quem a resolver.)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Surpresa de Paulo Azevedo (Sonae) equivale a incompetência

O empenho do inquilino do Palácio de Belém, em sucessivas e entusiásticas manifestações de amizade junto do homólogo de Luanda, tem servido de estímulo e impulso ao “estreitamento” de relações entre sociedades portuguesas e angolanas – ou dito de forma mais clara, com a filha mais velha de José Eduardo, Isabel, e mais meia-dúzia de poderosas figuras da oligarquia angolana; casos do general ‘Kopelika’ e do famoso Sobrinho que liderou o BESA até ao naufrágio do BES e do GES  com o outrora poderoso Ricardo Salgado no comando.
Sob a orientação superior de Paulo, filho do ‘digno’ e ‘decoroso’ Belmiro, a Sonae decidiu desenvolver e aplicar um plano estratégico para lançar o negócio dos hipermercados ‘Continente’ em terras angolanas, em parceria com Isabel dos Santos.
Paulo tramou-se e agora lamenta-se da fuga de dois quadros, ao que se percebe, com funções cruciais no projecto em causa. Miguel Osório e João Seara, assim se chamam segundo o ‘Público’, traíram e abandonaram o patrão Paulo, a fim de trabalhar directa e exclusivamente para Isabel dos Santos.
Na mesma onda dos promotores portugueses dos investimentos no BESA e da PT, esta última com a Unitel dominada por Isabel, e de outras empresas cuja listagem seria demasiado exaustiva, a Sonae, certamente, foi alvo de uma golpada que não me causa a mínima perplexidade.
É do conhecimento geral que o mundo dos supernegócios de Angola, onde impera a filha do presidente daquele País, é caracterizado pela volatilidade dos compromissos dos empresários locais, sobretudo os poderosos. Quando a esse fenómeno se combina com a vulnerabilidade e quebra dos preços do petróleo, então estamos conversados…
De facto, Paulo de Azevedo, à semelhança de outros gestores qualificados com cinco e seis estrelas, cometeu o erro elementar de ignorância da qualidade da parceria e do país anfitrião. Agiu com falta de segurança e desprezou riscos das parcerias com membros da oligarquia angolana, robustecendo a incompetência mediante a selecção de dois colaboradores de alto nível, mas infiéis.
Este e outros episódios prestam-se também a revelar que, do ponto de vista teórico, grandes empresários e membros próximos de ‘staff’ revelam desconhecimento da bicentenária teoria de Adam Smith da ‘liberdade do mercado’, centrado no seguinte pensamento:
“[Adam Smith descreveu a auto-interesse e da concorrência em uma economia de mercado como a "mão invisível"]”,
Isto, justamente, quando é corrente na economia global em voga, o sentido neoliberal se fundamentar nos citados conceitos básicos da tal «mão invisível’. Por um e por outro lado, pura e simplesmente, à superestrutura da Sonae nem lhe passou pela cabeça assegurar-se a tempo com mecanismos legais preventivos, para acção em tribunal internacional. Sim, porque no sistema de justiça angolano nem uma causa será ganha por entidade estrangeira contra a filha do presidente Eduardo dos Santos, mesmo que a razão penda integralmente para o seu lado.
No fim de contas, e talvez impelido por sentido de revanche, penso que quem amontoa fortunas a pagar salários de 500 euros brutos, para trabalho a tempo inteiro, ou 250 euros, a meio-tempo, a muitas centenas de concidadãos, assim como a explorar os fornecedores mais frágeis com preços deprimidos e prazos de pagamento alargados; penso que quem assim actua, dizia, umas vezes merece suportar o alto custo de ser burro em terra estrangeira.  

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ser espectador da “democracia” actual

O espectáculo é demasiado intenso e dinâmico. Da casa à rua, mesmo que contrariado, sou espectador frequente. Umas vezes divertido, outras revoltado e perplexo, leio as páginas dos jornais – nos ditos sensacionalistas, os títulos e pouco mais. Percebe-se que, de entre outras características, Portugal é um país de segredos. Tem casa própria para estes e um centro produtor prolífero em sede judicial.
Todavia, temos segredos e… segredos. Jamais, por exemplo, temos acesso ao conteúdo do esconderijo de certos casos e causas sigilosas – onde está o rosário de contas do caso BPN? Insisto: o que se passa com os protagonistas Oliveira e Costa ou Dias Loureiro? O silêncio tem razões inatingíveis.
Na refrega entre forças partidárias, em função deslocações no arco do poder, temos arguidos beneficiários de fino e confidencial trato e outros sujeitos à persistente fuga dos segredos de justiça. Que justiça? A portuguesa, a autenticamente nacional que Paula Teixeira da Cruz, Ministra da Justiça (!), definiu de forma transparente e eloquente, a propósito das escutas:
“Falo para o telefone como se fosse para um gravador”.
A um arguido, independentemente da condição social ou política, é reconhecido o direito à presunção de inocência até o processo transitar em julgado. Engana-se quem imagina que as minhas preocupações se reduzem ao caso de Sócrates. Derramam-se, essa é a verdade, por outros casos de aparente conivência e acção ineficaz das autoridades judiciais; em atitude atentatória da dignificação do sistema de justiça inerentes aos direitos tradicionais e inalienáveis de um regime democrático.
Constatar o funcionamento inquinado do nosso sistema de justiça suscita desconforto. Tem, em minha opinião, um efeito confrangedor idêntico ao espectáculo que bastas vezes assisto, ao ver grupos enormes de gente ‘sem-abrigo’ à volta de carrinhas de instituições de acção humanitária. No Saldanha ou na Praça de Londres, ou ainda por outras paragens onde abunda a aristocracia lisboeta, incluindo políticos na actividade, é pungente ver homens e mulheres esfarrapados; envoltos em trapos para mitigar o frio, de ar faminto, a ingerir uma sopa e um pedaço de pão num acto tão rápido e muito sôfrego.
É igualmente penoso vê-los isolados: um aqui, outro a dez ou vinte metros do primeiro, acamados em placas de cartão canelado que, sob a fermentação a quente dos golos do tinto, os confortam e gradualmente os matam, nas noites gélidas vividas compulsivamente ao ar livre.
Segundo notícia recente, a região de Lisboa concentra cerca de um terço dos ‘sem-abrigo’ em Portugal. “Benefícios” da capital e arredores… ou melhor, da moirama.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

O indecoroso Passos Coelho e a dureza pobreza

Fátima é um lugar de fé. De ilusões, jamais de certezas. Segundo Passos Coelho e seus acólitos presentes nesta hipócrita sessão de solidariedade social -  Dom Manuel Clemente, o cardeal de equívoco humanismo nomeado há semanas pelo Papa Francisco, provavelmente esteve presente. Todavia, mesmo que ausente, a sua alma mater, produzida a escopo desumano, reduzir-se-ia a imitação precária de mármore de Carrara. A incandescência é superficial e um fenómeno de obstrução visual.
De pedra bruta, símbolo da rigidez inflexível e severa falta de humanidade, construiu-se a falsa crença do descarado e condenável embuste de Passos Coelho; considerar os dados da pobreza em Portugal em 2013 (INE) melhorados no ano seguinte.
Concretamente, Passos Coelho negou que o índice de pobreza em 2013, 19,5% contra 18,7% de 2012, já não correspondia à situação actual.
De facto, existem informações de origens fidedignas de que esta ilação é falaciosa, Justamente por evolução em sentido em inverso ao da descarada propaganda de Passos Coelho.
Com efeito, existem números tratados por entidades fidedignas de que, em 2014, a percentagem  de portugueses em situação de pobreza já atingia cerca de 24% da população total - praticamente um ¼ dessa mesma população.
Um reles desta ordem, Passos Coelho, deveria ser compelido a provar em tribunal - Juiz Carlos Alexandre, allot, allot! – as afirmações ilusórias que a comunicação social difundiu, e das quais, uma vez mais e como no caso de outros políticos do “arco” da governação, o dito Passos Coelho,  um dos mais descarados aldrabões da nossa história recente, sairá impune.
Declaro solenemente que não receio confrontar-me judicialmente com o reles político de Massamá.
Amedronto-me tanto como em relação a Ricardo Salgado, sobre quem escrevi este ‘post’ em 5 de Fevereiro de 2013, certo de que, no altura e ainda hoje, a razão estava do meu lado .
Talvez, no jeito de suavizar a conversa, possa ser interessante citar Vinícius de Moraes que dizia:
“Não há Paz,
Não há Beleza”
e replicar, com impiedosa brutalidade, que aqui, em Portugal, nesta hora só há Merda!

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O propagandista Hugo Soares (PSD)


Das escassas qualidades do jovem deputado "laranja"  - nascido velho - em termos do conhecimento e cultura política estávamos há muito esclarecidos. Consequentemente, a afirmação documentada neste vídeo:
"... de que mais de 200.000 jovens tiveram contacto com o mercado de trabalho ..."
nem chega a ser afronta, apenas pelo carácter e desfaçatez de quem o afirma.

O INE estimou hoje uma descida da taxa de desemprego global para 13,4% em Dezembro de 2014 - uma descida de 0,1% relativamente à estimativa de Novembro de 2014 que, pelos vistos, deixa os membros da coligação PSD+CDS eufóricos. 

Do conjunto de deputados da maioria, e dada a vocação própria de quem imagina falar para ignorantes e idiotas, Hugo Soares foi naturalmente o deputado eleito para enaltecer um falso sucesso que o seguinte texto do INE desmente liminarmente:
"A população desempregada aumentou para os jovens (3,3%; 4,1 mil)...
O desemprego jovem aumentou 3,3,%, ou seja 4.100 cidadãos de idade compreendida entre 15 e 24 anos, mas para Hugo Soares o enorme sucesso está nos tais 200.000 que contactaram o mercado de trabalho... - a enviar currículos e a emigrar certamente, acrescento porque o autor propagandista não explica como se deu o fenómeno e o número é significativo.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Paulo Macedo: o genial arrasador do SNS

Bastas vezes, e algumas vozes causam-me perplexidade, tenho ouvido rasgados elogios a Paulo Macedo, como o mais inteligente dos ministros do infesto governo de Coelho e Portas, afectuosa e indecentemente apoiado por Cavaco Silva - o presidente de meia-dúzia de portugueses, conforme as sondagens o demonstram.
Há outras, mas a defesa de Macedo expressa por Clara Ferreira Alves é, para mim, surpreendente. Sei tratar-se de mulher culta, às vezes inclinada à esquerda, mas pergunto: que percebe Clara Ferreira Alves de organização de sistemas e unidades de saúde, para se pronunciar com tal convicção como advogada do desempenho de Macedo como ministro dessa área? Muito pouco, para não dizer nada. Os seus poderes de ‘tudóloga’ valem-lhe zero ou menos, nesta e em outras matérias. Pode juntar-se ao José Manuel Fernandes, seu ex-colega no ‘Expresso’.
Comprometer-se com a avaliação da personagem, no caso Paulo Macedo, é um erro de subjectividade, mil vezes repetido. O que está em causa não é avaliar Macedo, no que respeita ao comportamento pessoal de ministro, mas sim julgar o desempenho em relação ao SNS que, a meu ver, quer reduzir a pó.
Mais do que palavras, as ocorrências no Amadora-Sintra e no São José, em Lisboa, são paradigmáticas do programa em curso para destruir o SNS – no hospital lisboeta, sem qualquer cuidado médico ou assistência mínima ao fim de 6 horas, faleceu um cidadão de 83 anos de idade. Isto a acumular às 11,15, 16 horas de espera nos ‘serviços de emergência’ do Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) é, em época presumidamente festiva e mais propícia à intensidade noticiosa de dramas pelos media, o corolário lógico de como o SNS está a ser desmoronado, com falta de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde.
O percurso do SNS e dos problemas gerados por Macedo e suas equipas dariam para um extenso e nefasto relato – por que razão a vacina infantil “Prevenar”, com um custo muito próximo de 60 euros, não beneficia de qualquer comparticipação do Estado? E diz o governo que pretende combater a queda da natalidade em Portugal – 83.000 nascidos em 2013 contra 100.000 em 2012.
Contudo, melhor do que palavras, e fui profissional de gestão de unidade de saúde, é suficiente e eloquente transcrever a seguinte frase da médica anestesista, Ana Gonçalves, de 54 anos, emigrada em França:
Ler a notícia na íntegra e saber que, em 2014, houve 269 clínicos que pediram à OM os certificados que os habilitassem a emigrar é uma das fotografias que ilustram o álbum de imagens de que Paulo Macedo e o governo estão claramente apostados em desmoronar o SNS.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Novembro: produção industrial em queda

Taxas e taxinhas constituíram o tema com que Pires de Lima eternizou uma das mais ridículas intervenções de um governante na Assembleia da República.
 Dir-lhe-ia, se o encontrasse, que existem taxas e taxinhas para todos os gostos e leituras. Algumas, estou certo, o ministro da economia detesta e, ao aperceber-se delas, assobia para o lado. É o caso, certamente, dos números da ‘Produção Industrial’, referidos, por exemplo, no ‘Jornal de Negócios’, relativamente a Novembro-2014.
Todos os valores componentes dessa estatística revelam uma quebra global de – 0,2%, com referência a Outubro, que já havia sido mês de estagnação. Nada melhor que citar a fonte, o INE, e transcrever o texto inicial que, em PDF, é publicado hoje pelo Instituto citado:
Índice de Produção Industrial (*) registou variação homóloga negativa
O índice de produção industrial apresentou uma variação homóloga de -2,0%, em Novembro (variação nula em Outubro). A secção das Indústrias Transformadoras registou uma variação homóloga de -3,1% (-0,5% no mês anterior).
Variação homóloga
O índice de produção industrial situou-se, em Novembro, em 93,7, o que corresponde a uma variação homóloga de -2,0%, 2,0 pontos percentuais (p.p.) inferior à observada em Outubro.
Todos os agrupamentos apresentaram taxas de variação inferiores às observadas em Outubro, destacando-se os contributos negativos dos agrupamentos de Bens de Consumo e de Bens Intermédios (-2,0 p.p. e -0,9 p.p., respectivamente) que superaram os contributos positivos dos agrupamentos de Bens de Investimento e de Energia (0,1 p.p. e 0,8 p.p., pela mesma ordem). As variações homólogas dos dois primeiros agrupamentos fixaram-se em -6,2% e -2,5% (-4,1% e -1,8% em Outubro) e as dos dois últimos situaram-se em 0,7% e 4,9% (4,1% e 8,5 no mês anterior).”
Para um governo que, com especial destaque para o PM, Coelho, e subordinados ministros, incluindo o Pires, iniciou uma luta eleitoral a um ano de distância, começou um longo período de proeminência de auto-elogios do desempenho económico do País; para esse governo, dizia, é um doloroso desmentido que a Economia Real do País lhe oferece.
A austeridade, cuja continuidade o governo actual defende com intenso empenho, não é, de facto, o caminho para Portugal e para a Europa. Olhe- se e reflicta-se com redobrada a atenção sobre o que se passa na Grécia (Syriza), Espanha (Podemos), à esquerda, ou em França, a Frente Nacional, à direita, para se perceber que a Área do Euro, se não está ameaçada de morte, iniciou há tempo suficiente um estado de morbidez cujo desfecho se desconhece: morte ou reabilitação? Esta última, creio convictamente, jamais terá probabilidades de ser alcançada com as políticas e ilusórias promessas do nefasto Juncker (o herói do ‘Luxleaks).
Do ‘suspense’ deste filme dramático, veremos que solução haverá para 78 milhões de desempregados da UE e de múltiplas desgraças que atingem os povos do Velho Continente.
(Adenda: tomei a liberdade de alterar o texto do INE nos termos em que este usou o AO de 1990.)


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A vida e o tempo

Dos afazeres ou da falta deles; dos subsídios azerados, ou quase, a elevados ganhos anti-éticos; dos navios à superfície aos submersos submarinos; de insonso ao salgado; da fome, sentida e sofrida, ao obsceno arroto boçal do político ou do empresário do vinho a martelo; da solidariedade à indiferença perante quem se limita a padecer; do ouro ao latão; do brilhante à chispa do seixo abandonado; da árvore moribunda à erva daninha que teima em crescer. De uma ponta a outra destes e de outros limites, assisto desgostoso aos dias da vida que vou desfolhando. Folhas de livro satânico.
Ouço, num ruído imperceptível sem ser mudo, os aviões que partem de Lisboa para Caimão, destino de milhões sugados ao mexilhão atacado de Neoplasia Hemo cítica, doença fatal dos bivalves condenados a morrer aos poucos; em múltiplas e contínuas dores e sofrimentos. Olho para Belém e imagino, lá dentro, o protector dessa gente imunda, o homem a quem o outro chamou palhaço. Eu não o chamaria assim. É uma ofensa para quem, em criança e agora, teve e tem a inteligência de me fazer sorrir, às vezes gargalhar. Se circulo pelo IC 19, vejo Massamá ao largo. Existem ali provavelmente muitos, mas apenas conheço um; sinto e sofro, como centenas de milhares, a trapaça dos seus conhecidos passos.
Sei bem que, neste perverso mundo, onde, entre muitos exemplos universais possíveis, a Coca-Cola se apropria da água de localidades indianas – alguém morrerá à sede – e paga 1,37 euro(s) por um dia de trabalho de doze horas aos escravos que emprega (?) na era da globalização, sei bem, sim, que no meio dos explorados nacionais e dos mártires do criminoso mundo global, sou certamente um privilegiado.
Porém, asseguro também ser um indignado, um revoltado, de alma angustiada. Capaz de… - omito a intenção, não sei se por cobardia ou se para evitar uma dureza que mesmo os que de mim gostam reprovariam. Assevero que não temo os D’sDT, o SIS e todos esses bandalhos, alguns declarados judicialmente corruptos. Um bandalho é um ser desprezível. Resta.me trata-lo como pulha. É uma cínica e contraditória suavidade, sei bem.
A vida, do cidadão honesto e comum, de fotografia melhor ou pior focada, é capturada neste cenário. É também a minha vida e as razões de falta de tempo para me dedicar ao meu blogue. Ao contrário do sabichão Marcelo e do videirinho Marques Mendes, não tenho tempo de antena.
À imagem do samba brasileiro, diria: “sou pai único, tenho minha casa para olhar”. E porque assim é, raramente tenho tempo para escrever e publicar ‘postes’, para me libertar deste estado de alma.
Todavia, nesta altura, e embora agnóstico, não poderia deixar de escrever estas palavrinhas para dizer que, deglutidas as broas de milho e passado o Natal, 2015 se for igual ao nefasto 2014, que agora termina, será um golpe de sorte. É uma raspadinha que não compro.
Saudações aos que me lêem!