terça-feira, 17 de novembro de 2015

O panfletário 'Jornal de Negócios' pró-direita

Na função de panfleto da direita, o 'Jornal de Negócios', online, publica a seguinte notícia:
"Dívida portuguesa é a pior do mundo desde as eleições
 Apesar da vitória da coligação entre o PSD e o CDS, as eleições culminaram em incerteza, o que afectou a dívida portuguesa. Ainda assim, dizem os analistas, há margem para ganhos. Até porque o BCE deverá apostar numa política ainda mais expansionista.
Após as eleições a 4 de Outubro, a crise política instalou-se, culminando no derrube do Governo de Passos Coelho a 10 de Novembro. Um factor que aterrou com estrondo nos juros da dívida, levando as obrigações ..."
A notícia, incoerente e sem ponta por onde se lhe pegue, é assinada por um tal André Tanque Jesus - um tanque a cilindrar a verdade e a manipular a opinião pública, na prossecução da pérfida campanha pró-PáF. 
No 'Jornal de Economia' da SIC-N, às 18:15 h, da redacção da Reuters informaram que os juros das obrigações portuguesas se destacaram, por serem aqueles cujas taxas registaram hoje a maior baixa.
A facciosa campanha do 'JN' também é contrariada no 'site' da Bloomberg, que no quadro em que lista de juros para 10 anos, um prazo padrão das obrigações de dívida pública, a taxa da dívida portuguesa era a que, apenas precedida pela Grécia, registava a 2.ª maior queda relativamente ao dia de ontem (- 11 pontos), fixando-se em 2,55%, abaixo, portanto, dos 2,88% indicados pelo "Negócios". 
Também não é a pior da Zona Euro (Grécia = 6,79%); muito menos do mundo: México 3,84%, Brasil 5,96%, Austrália 2,91%, Nova Zelândia 3,54%, Singapura 2,59% e Índia 7,67%  superam a taxa da dívida portuguesa para o prazo em questão. Registe-se que a taxa de idênticas obrigações dos EUA se fixam em 2,27%, mais baixa apenas -28 pontos base do que a cotação das obrigações nacionais a 10 anos.
  

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Informação privilegiada e irresponsabilidade



O insosso e inócuo ex-presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, veio a Lisboa participar em conferência organizada pela Mckinsey & Company, conjuntamente com Durão Barroso (PSD, Portugal) e Joaquin Almunia (PSOE, Espanha),
O citado evento constitui um acto colectivo de prestidigitação, sob a designação de 'Portugal - Escolhas para o futuro'; sim, porque as escolhas para o tempo que passa estão condicionadas por Cavaco e só ele (e amigos e companheiros de partido) as conhece.
Passos Coelho, dando a ideia de ter acesso a informação privilegiada, revelou-a ao Sr.Rompuy, ao declarar, em inglês fluentemente pastoso, que Portugal terá um novo governo daqui a duas semanas, para negociar com Bruxelas.
Trata-se de mais uma infantilidade do irresponsável Coelho, porque este tipo de revelação de informação privilegiada a um estrangeiro constitui uma despropositada e ofensiva primazia em desrespeito pela soberania e pelo interesse supremo dos cidadãos portugueses. Naturalmente, deveriam ser os primeiros a saber notícias do novo governo. Quando nomeado e entrará em funções. 
É certo que os cidadãos nacionais igualmente ignoram quem chefiará esse governo - uns podem crer que será António Costa, outros farão outras congeminações. Todavia, ao desvendar o prazo, Passos Coelho ficou sob a suspeita de conhecer mais pormenores da deliberação de Cavaco que, hipocritamente, na Madeira afirmava ter estado num governo de gestão durante 5 meses.
A inconfidência de Coelho é mesmo inaceitável, por ter sido feita publicamente a um estrangeiro que hoje já nem tem funções na UE e, na companhia de Barroso e Almunia, anda por aí a fazer prelecções ocas sobre a Europa que nos legaram nas circunstâncias que os portugueses e outros povos do Continente conhecem e sofrem, no quotidiano.
(Outra infantilidade de Coelho: abordar a situação política portuguesa em citação comparativa com os atentados terroristas de Paris. Haja paciência para aturar esta criançada!)        

Tolerance - artigo de Laurent Joffrin no 'Libération' (tradução)

O artigo traduzido revela-se uma reflexão objectiva sobre os movimentos geracionais, caracterizando a comunhão de experiências e interesses das vidas das gerações de hoje - em França e na Europa em geral. Os obstáculos de iniciar e desenvolver uma carreira profissional pelos jovens de hoje; a infalível mistura social de zonas urbanas e suburbanas; o ódio instilado na juventude mais precária, fanatizada por repugnantes e aterradoras instituições religiosas fundamentalistas, das quais o EI é a expressão máxima. 
O autor toma em consideração o perfil comum das vítimas para sublinhar que os terroristas dizimaram a violência justamente sobre o segmento jovem mais tolerante da sociedade  francesa actual. 
Do ponto de vista sociológico, psicossociológico e de políticas sociais e de segurança é uma reflexão a merecer atenção, como estudo das comunidades de crescentes complexidades, integrantes do mundo actual. Globalizado mas de expandida desumanização.
   
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Laurent Joffrin - 15-11-2015


ÉDITO O que é uma geração? Um evento. Havia a geração da guerra da Argélia, aquela de Maio 68, ou mesmo a do caso Dreyfus. Agora há a geração Bataclan. Os assassinos afirmaram, eles mesmos, na reivindicação: é em plena consciência que têm como alvo este grupo, depois de uma escolha de lugares deliberada, "minuciosa", segundo o seu próprio termo. Contra a França e a Alemanha, eles pretendiam fazer um massacre no Stade de France, mas também contra o desporto, que têm por uma ocupação profana - o GIA argelino, no seu tempo, designava o futebol à condenação dos activistas fundamentalistas.
Contra um estilo de vida aos seus olhos pervertido, enfim, eles mataram mais de cem pessoas no perímetro do estreito que é adjacente ao canal Saint-Martin, bairro jovem, um pouco misturado entre boémios e filhos de imigrantes, intelectualmente precários e executivos votantes da esquerda na maioria. Claro, o grupo etário que estamos falando é muito mais amplo, mais diversificado em toda a sociedade francesa. Observe também que os assassinos são, neste caso, da mesma idade das suas vítimas. Mas há referências em comum desta geração, gostos partilhados e valores convergentes para que se reunissem sob este vocábulo, legitimo senão mesmo científico. Uma certa abertura cultural, um liberalismo de costumes, um cosmopolitismo que não exclui uma forma de patriotismo amigável, como evidenciado pela proliferação das três cores francesas nas páginas de Facebook... Sem que esta tolerância forme um mundo de ursinhos: os mesmos jovens, muitas vezes entram dificilmente na vida profissional, conhecem a precariedade e celebram a sua primeira remuneração como os outros da legião de honra. A sua vizinhança, mesmo que continue a ser mista, é mais uma justaposição das minorias como uma mistura feliz. Mas é uma cultura, um modo de vida, decadente, de acordo com os islamitas, que é gratuito, que os assassinos queriam aterrorizar. Paradoxo destes assassinatos: como Charlie Hebdo, queriam alcançar os Franceses tolerantes. É a tolerância que se visa tanto como a França. Nestas condições, o  erro supremo seria tornar-se intolerante a si próprio. Então ninguém entenderia que uma agressão, idealizada pelo Daech, permanecesse impune, mesmo na tradicional retórica bélica, enquanto esta guerra para além das definições convencionais, é deslocada da realidade do conflito. O discurso de fechamento, cada vez mais barulhento, não fará justiça às vítimas que viviam diariamente os valores da abertura.

sábado, 14 de novembro de 2015

Sous le Ciel de Paris, Edith Piaf



Sinto a obrigação de homenagear Paris e a sua população, em respeito pelas vítimas da bárbara mortandade cometida na passada noite pelo Estado Islâmico. Com este propósito, seleccionei a canção 'Sous le Ciel de Paris' interpretada por Edith Piaf, a deusa eterna da música francesa.
Os bárbaros jiahdistas, através da carnificina assassina de mais de uma centena de cidadãos, acabam de prestar um serviço inestimável à xenofobia e à extrema-direita europeias. Se a Europa com o fenómeno de multidões de migrantes já formava um quadro desconexo, complexo e triste, o atentado do Estado Islâmico tende a incrementar a aversão e a intolerância em relação a cidadãos estrangeiros. Servirá para erguer novas barreiras políticas e físicas num Velho Continente,  pátria modelar da democracia e da cultura.. Sobretudo, a França e a Cidade Luz que, na História Mundial, foram o berço e são o ícone que iluminou o mundo dos saberes da vida e da ciência.
No jornal 'Público', Isabel Moreira, citada aqui sem a mais pequena partícula de partidarismo e apenas em atenção ao papel de cidadã, convida-nos de forma brilhante para uma séria reflexão, ao questionar: "Quem captura quem?"

Paris a ferro e fogo!

Área próxima do 'Bataclan'
Paris está a ferro e fogo! E como meu amo Paris. Iniciei essa relação de amor, depois de assistir, na adolescência, no Cinema Império, em Lisboa, ao filme "Paris já está arder?", pergunta e desejo frustrado de Hitler, ao saber da tomada da capital pelas forças dos aliados.
Quis o destino que, tempos mais tarde e durante 16 anos, ao serviço de certa empresa com capitais de origem francesa, tivesse como missão visitar Paris várias vezes por ano.
A minha adoração por Paris é indiscrítível. Conheço bem a cidade, os seus recantos e os diversos 'arrondissements' em que ela se subdivide de uma forma harmoniosa e ordenada.
Ao saber do morticínio que marcou o final desta 6.ª feira negra - a passagem de 13 para 14-11-2015 remanescerá na História como noite trágica parisiense - acedi ávido de notícias a órgãos de comunicação franceses. 
Concentrei-me no 'Libération' onde, entre outros trechos, li o seguinte:
"Homens armados abriram fogo em vários bares na capital; havia sete ataques no total. 120 pessoas estariam mortas. Quatro assaltantes morreram.
Em  discurso televisionado sexta-feira às 23:50, o Presidente da República, François Holland, decretou estado de emergência em França e o fechamento das fronteiras após "ataques terroristas". 
Informo-me através de outras fontes que, no 'Stade de France' , local onde se disputava um jogo de futebol e donde Hollande foi evacuado, um bombista suicida provocara uma explosão.
Os restantes episódios passaram-se no bar 'Le Carrilon' e na casa de espectáculos 'Bataclan', onde decorria um concerto de uma banda de 'Heavy Metal'. Tudo isto, no 10.º e 11.º 'arrondissements', nas imediações do Boulevard Voltaire. Justamente no Boulevard em que se situava um dos meus locais de peregrinação obrigatória: 'La Librairie Entropie' (Paris). 
Suceder em Paris tem um significado especial. Todavia, se fosse outra a cidade, a minha  revolta e sofrimento seriam como estão a ser, igualmente muito intensos e solidários. Surgem notícias de que os autores são (e alguns já eram) membros do Estado Islâmico. 
A infeliz Europa da era actual está submetida a perturbações e convulsões em que políticos europeus - Barroso, Blair e Asnar - em conjugação com George Bush filho deram fortes contributos para o desastre, através da desorganização do Médio Oriente e vizinhanças. Ajudaram a multiplicar o fundamentalismo islâmico (o Estado Islâmico é, em grande parte, uma emanação dos militares de Saddam que os invasores do Iraque proscreveram e subestimaram). 
Com centenas de milhares de migrantes a procurarem a segurança que não têm nas suas terras (entre quem se podem misturar os agressivos jiahdistas), a construção de muros e protecção de arame farpado a dividir países integrantes da União Europeia, tudo complementado por este tipo de ataque, que, creio, se multiplicará e distribuirá por outras cidades europeias, é legítima a interrogação: para onde vais Europa? Talvez para o precipício colectivo, admito.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Saltos de Coelho: revisão da CRP e o assalto ao poder

O supremo objectivo de Pedro Passos Coelho (PPC), desde 2010 (ou até antes), é materializar a revisão da Constituição da República Portuguesa. Agora mais do nunca, porque o homem está de alma mutilada pela perda do poder. 
Sem qualidade cultural e especialista em discursos palavrosos e manipuladores, Coelho acaba de manifestar desesperada disponibilidade para fazer uma revisão constitucional extraordinária, a fim de se realizarem eleições já. Concretamente afirmou:
"Estou inteiramente disponível para dar o meu apoio à revisão constitucional para que o Parlamento possa ser dissolvido."
Esta frase é apenas compreensível num político profissional mentalmente perturbado. Com efeito, pretendendo PPC retirar do posicionamento para PM António Costa - posicionamento, porque Cavaco ainda não o indigitou e não é completamente seguro que o indigite - é total ausência de lucidez comunicar em publico a vontade que o anima no sentido de rever a CRP. A mente desordenada de Coelho ignora que, para atingir este objectivo, necessita do PS? - veja-se o que estabelece o Artigo 286.º, n.º 1, da Constituição:

Artigo 286.º
Aprovação e promulgação

Outra pergunta se impõe: PPC pensará que António Costa e a vasta maioria do PS estariam na disposição de lhe facilitar a sonhada "revisão constitucional extraordinária", em prejuízo do próprio partido? Como se diz na gíria dos dias de hoje, o Coelho endoidou mesmo.

Sabe-se, repito, que, desde 2010 e com uma comissão chefiada por Paulo Teixeira Pinto, PPC está dominado pela alucinação de rever a CRP para eliminar e limitar direitos fundamentais da cidadania e do exercício democrático. O Prof. Jorge Miranda disse-o de outra forma em Dezembro de 2012:
"Há um programa, o projecto de revisão constitucional do doutor Passos Coelho de 2010/2011, em que há um projecto de refundação do Estado num sentido que tem sido chamado de neoliberal. Acho que há esse projecto por detrás dessa ideia de refundação."
Agora brinco eu em estilo abrasileirado: criem-se as condições porque "ditador de araque"já temos. E para apoiar o gabinete do Coelho até contamos também com um ministro providencial, irrevogável mas revogado, que pode ser uma espécie do Dr. Castro Fernandes da era moderna.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Juros em queda ou a notícia irritante para a direita

Disse-o e repito-o: o 'Jornal de Negócios', relativamente à maioria parlamentar de esquerda que rejeitou o governo da coligação PàF, tem tido um comportamento impróprio de um jornalismo da democracia, i.e., responsável, imparcial e consonante com os interesses do País. Comporta-se ao estilo do "Diário da Manhã" ou do "Diário". Transformou-se em pasquim económico de direita.
Previu o caos imediato - inferia-se com facilidade das notícias e comentários; porém, a realidade da bolsa em queda está a ser contrariada pelos resultados (o índice do PSI-20 sobe neste momento 0,54%) e, para agravar o estado de irritação dos desejos contrariados da direita que o 'JN' representa, os JUROS DA DÍVIDA PORTUGUESA ESTÃO EM QUEDA. Os escribas da anedota Helena Garrido foram compelidos a publicar a notícia de que se reproduz o texto seguinte:
"Os Juros a 10 anos, que é considerada a maturidade de referência, estão a cair 1,1 pontos base para 2,776%, depois de terem já avançado cinco pontos esta manhã. A "yield" a cinco anos está a recuar 1,2 pontos base para 1,452%. No prazo mais curto, a dois anos, os juros estão a cair 5,2 pontos base para 0,172%.Entre as principais congéneres europeias, a queda da "yield" portuguesa é a mais acentuada. ..."
Os juros caem e a tensão arterial da gente da direita sobe. Cuidado com AVC's e enfartes!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A Comunicação Social do Subdesenvolvimento

Vi o debate da AR e o que demais o rodeou; mas, nem sempre muito atento. Um tipo das causas fundou-se em ocupações de tarefas em simultâneo. Outro centrou-se no desinteresse causado pela falta de imparcialidade e a manipulação da opinião pública através de imagens e comentários.
A minha amiga Sarah publicou no 'fb' estas imagens. A superior foi aquela que vi  na SIC-N - com fundamentado desprezo, sublinho. Da segunda, tomei conhecimento através do 'fb'.
A comparação das duas imagens, do mesmo aglomerado de pessoas, leva-nos a significações distintas. A primeira dá-nos a ideia de que a convocatória feita por certo militante do CDS correspondeu a uma multidão à frente da AR. A imagem inferior transmite-nos, com fidelidade e rigor, que estiveram apenas algumas dezenas, talvez nem três centenas, de manifestantes de direita.
Esta e outras técnicas de manipulações através da imagem é muito, muito antiga. Certos jornalistas são recorrentes nesse método de trabalho, como os da SIC-N agora comandados por um tal Alcides, homem-de-mão de Balsemão.
O truque reside exactamente em captar um grande plano de grupos que se pretendem impingir, a quem observa, como numerosos; todavia, trata-se de acção ardilosa conhecida e fácil de denunciar - os srs. jornalistas, além do mais, estão convencidos que nenhum telespectador, neste caso, ou leitor tenha tido o interesse em estudar pequenos mas ilustrativos e pedagógicos textos de Comunicação, como 'Introdução ao Estudo da Comunicação' de John Fiske. Estão redondamente enganados.
Da SIC-N, saltemos para o 'Jornal de Negócios' da triste Helena Garrido. Títulos atrás títulos, nos últimos dias de um governo em agonia, o reles jornal lança o alarme da queda do PSI-20 (bolsa de Lisboa) e do aumento dos juros da dívida pública. Todavia, os mercados apostaram em contrariar as previsões do caos do 'JN'. Hoje, o índice do PSI-20 caiu apenas 0,33% e devido ao vulnerável BCP e os juros a 10 anos da dívida pública portuguesa recuaram para 2,774%.
São legítimas as preocupações da Comunicação Social com o futuro político do país. Todavia, são inaceitáveis manobras grosseiras seja na imagem ou na palavra dita ou escrita, de forma a enganar os portugueses e, sobretudo, influenciar algumas entidades estrangeiras que dominam os mercados.
Parece-nos estarmos dominados, salvo raras excepções, por um género de imprensa próprio de um Estado não desenvolvido. Não têm autoridade para criticar o 'Jornal de Angola'. Usam exactamente os mesmos estratagemas e modelos.
  

Puseram os 'pa-li-tós' à direita

No 'facebook', o meu amigo e ex-companheiro do 'Aventar', Fernando Moreira de Sá, a propósito da queda do governo PàF, publicou a seguinte mensagem:

    Ouvido ao meu lado: "Agora as manifestações são de blazer".
A resposta saiu-me de súbito: 
    No Brasil, diz-se de paletó. Tanto que também o fenómeno também é gozado através da frase: puseram os "palitós" à direita.
O maldito AO sempre serve para alguma coisa. Seguindo a teoria, e inspirado na pronúncia carioca, nem eu, nem o leitor ouvirá um cidadão do Rio de Janeiro dizer pa-le-tó, mas sim "pa-li-tó", o que, prescindindo do acento na última sílaba, se transforma em 'pa-li-to'. A direita anda  em maré de azar, nem blazer pode usar. 

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Para o registo do escatológico caso BES: a pensão de Salgado & Administradores Associados

Temos uma direita social e funcionalmente estruturada para o mal. Sob o halo da injustiça social, da protecção dos inimputáveis, mesmo em relação a autores de gravíssimas infracções à lei e avultados prejuízos causados aos cidadãos, a direita portuguesa, sob as ordens de Cavaco, Passos e Portas, tem-se esmerado, de facto, em afirmar-se como abjecto instrumento de produção de excrementos com que vive em estado de sublime volúpia do despudor.
Notícia fresquíssima do ‘Expresso’:
“Antigo líder do Banco Espírito Santo vai passar a receber uma pensão mensal de 90 mil euros, o triplo do que recebe hoje…… Só Ricardo Salgado recebe retroactivos de um milhão de euros, diz ainda a TVI. E a partir daqui receberá uma pensão de cerca de 90 mil euros por mês, o triplo dos 29 mil que recebia até aqui.Além de Ricardo Salgado, há mais dez antigos gestores do BES beneficiados por esta decisão. A TVI cita os nomes de Rui Silveira, José Manuel Espírito Santo, João Freixa e António Souto, e ainda a viúva de Mário Mosqueira do Amaral… também José Maria Ricciardi [um homem com quem Passos Coelho compartilha a mesa de refeições… e talvez a mesma gamela] receberá uma pensão nos mesmos moldes quando reformar.”
Os ‘Lesados do BES’, que hoje se manifestaram pela enésima vez junto à sede do Novo Banco em Lisboa, receberam este incentivo no sentido de endurecerem a luta fermentada por situações revoltantes. Se alguém se perturbar e optar pela violência, não me causará surpresa.
O governo tem-se esquivado, inabilmente, de fortes responsabilidades que lhe cabem no caso. De resto, ofereceu em bandeja de platina ao Sr. Carlos Costa um segundo mandato na governação do Banco de Portugal pelos serviços oficiosos por ele prestados. O objectivo da deliberação foi obviamente uma desajeitada tentativa de demonstrar que a autoridade do governo, sobre o caso BES / Novo Banco, era nula.
Há, todavia, outros focos de análise aos centros de responsabilidade: (i) a injecção de 3.900 mil milhões de euros em fundos públicos no Novo Banco emanou de um acto governativo; (ii) a escolha do ex-ajudante – no léxico cavaquista – do Ministério da Economia, o beirão Sérgio Monteiro, para a venda do Novo Banco (um insucesso de Costa e sua equipa) foi assumida pelo BdP, mas o verdadeiro decisor da matéria foi o governo de Passos e Portas.