quinta-feira, 11 de junho de 2015

Passos Coelho ou o duplo preço da mentira

Remessas de emigrantes e de imigrantes
Passos Coelho é viciado na mentira. Incontestável. A história do ‘mito urbano’ a respeito do convite à emigração, ampla e claramente desmascarada pela comunicação social, passou a ter um duplo preço. Reflictamos, pois, sobre o facto de Portugal não ter ganhado tanto dinheiro com emigrantes desde o início do século, segundo notícia e gráfico, aqui inserido, do ‘Público’.
A notícia revela dois fenómenos que se entrelaçam nas mesmas causas: a quebra da economia e a falta de emprego causada pela austeridade. Sumarizamos as razões da evolução registada:
  1.    .     A recessão económica e o programa de austeridade, suportado pela tese de empobrecimento de Coelho, levaram a que ele próprio e membros do governo (o ministro Relvas e o secretário de estado Mestre) incentivassem, de facto e explicitamente, a emigração desde 2011;
  2.       Iguais motivos, quebra de actividade económica e austeridade, causaram a saída de contingentes consideráveis de imigrantes e a subsequente diminuição da saída de capitais do País.
Provavelmente arrependido da falsidade do ‘mito urbano’, de que deveria envergonhar-se, Passos Coelho ou outro político da coligação, governante ou deputado, deixaram de ter espaço de manobra para comemorar o triunfo da melhoria da 'Balança de Pagamentos', via emigração. Fazê-lo, agravando o duplo preço da mentira, seria reconhecer que a Economia Portuguesa, ao contrário do que Coelho, Portas e outros governantes têm propagandeado, sofre de grave crise estrutural que os anémicos crescimentos não disfarçam e que levou à debandada de mais 3 centenas de milhares de portugueses nos últimos 4 anos.
O governo da coligação, isso sim, tem de reconhecer que as suas políticas e o zelo de austerismo levaram a decapitar o País de segmentos de população capacitados para um modelo de desenvolvimento avançado, do ponto de vista tecnológico e da inovação.
A notícia suscita-me uma observação. A certa altura, no ‘Público’ lê-se:

A tendência de crescimento parece manter-se este ano, já que nos primeiros três meses (últimos dados disponíveis), o saldo era positivo para Portugal em 664 milhões de euros (mais 14% face a idêntico período do ano passado).


A este respeito, será de tomar em conta a desvalorização do Euro face ao Dólar, mais acentuadamente desde Janeiro de 2015, factor que contribui para o aumento de montantes em Euros, mesmo que as remessas em Dólares se mantivessem em igual valor. À semelhança da Economia, as Finanças Internacionais não constituem um campo propício a linearidades de análises simplistas.