segunda-feira, 15 de junho de 2015

O risco de contaminação da Zona Euro pela Grécia, promovido pela UE e FMI

O jargão “nós não somos a Grécia” tornou-se cansativo e exasperante. Em conversas com amigos, tenho o hábito de retorquir que “não somos a Grécia, nem as Honduras, nem o Chade, nem o Azerbaijão, nem a Moldávia, e nem mesmo esses outros países como a Lituânia, Letónia e Estónia, bálticos e membros, como nós, da Zona Euro”; nem qualquer outro país que queiram repescar da longa lista ONU”.
Interrogo-me também se o martelado jargão tem outro objectivo senão o da defesa dos políticos que o proclamam com frequência. Não ser a Grécia não nos liberta de pertencer à mesma comunidade monetária, Zona Euro, e aos efeitos de contágio pela Grécia, ou outro país em crise, dos restantes  da citada comunidade.
Alguns podem inferir que este meu posicionamento é mero acto de esquerdismo, consonante com as políticas do Syriza. Não, não é! Consiste apenas em reconhecer que os compromissos conducentes ao linchamento, exigidos pela CE, BCE e FMI:
  •          Cortes adicionais de salários e pensões.
  •          Aumento do IVA para 25%
  •          Excedente orçamental de 1% (o governo grego aceita o limite de 0,75%),
constituem um conjunto de condições demasiado penosas para um povo que, devido à adesão ao euro e extorsão de rendimentos desde o 1.º resgate, tem estado sujeito aos dramas do desemprego, da pobreza e da miséria, criados desde os programas de severa austeridade que, desde a primeira hora, a ‘troika’ impôs à Grécia – não é despiciendo o facto de Mário Draghi, anterior vice-presidente da Goldman Sachs e hoje a presidir ao BCE, ter ajudado a maquilhar as contas para que a Grécia cumprisse os requisitos de entrada na Zona Euro.
Por um conjunto objectivo de motivos, Portugal não é a Grécia. Todavia, o verbo não é ‘ser’ e sim ter e continuar a ter (considere-se pareceres do FMI) políticas de austeridade que a coligação PSD+CDS aplica sem a mínima sensibilidade pelo empobrecimento de centenas de milhares de portugueses, uns desempregados cá dentro e outros ajudados lá fora pelos caminhos de emigração para que foram impulsionados pelas políticas e incentivos efectivos de quem nos governa há 4 penosos anos. O Syriza, eleito democraticamente, recusa igual receita.
Na Grécia e aqui, a austeridade não é a via recomendável para o desenvolvimento económico e social. A solução para o crescimento económico, isso sim, deverá fundar-se nos   “estímulos orçamentais como a forma mais fácil de agir nas actuais circunstâncias”, como defendeu Laurence Ball, professor na Universidade Johns Hopkins nos Estados Unidos, em recente intervenção no Fórum do BCE realizado em Lisboa.
Laurence Ball afirmou também:
“É muito difícil acreditar que a Grécia sai do euro e todos os outros ficam.”
 E ainda:
“Há alguma coisa errada no mundo se começamos a chamar um sucesso a uma economia com 13% de desemprego”.
Coelho e Portas, bem como a sua guarda de honra, se não assistiram ao Fórum citado, tomaram conhecimento, certamente, desta última mensagem. Nem imagino o grau do incómodo sentido. Indirectamente foram classificados de mentirosos. O que, em boa verdade, são!