quarta-feira, 17 de junho de 2015

Uns descem, outros sobem




A vida, em muitas ocasiões, pode ter o elevador como metáfora. Uns descem, outros sobem. Os porteiros evitam falas a quem é ordenado mover-se para baixo, tornando-se submissos diante daqueles que, de súbito, beneficiam da superioridade de subir.
Ricardo Salgado, o DDT, e outros administradores do GES/BES, nem desceram pelo elevador, apesar da metáfora. Foram, e bem, mandados pela conduta do lixo. Buscas e arrestos nas casas dos ex-administradores do BES constitui apenas um episódio de expectável maior punição, complementada com outras responsabilidades que, tudo indica, o sistema judicial lhes reconhecerá até o processo transitar em julgado.
Em movimento inverso, Jorge Jesus, um semianalfabeto dos muitos que povoam o mundo imoral e obsceno do futebol, em Portugal e no mundo, vai passar a residir num luxuoso apartamento de Cascais, pelo qual pagou ou pagará 4,6 milhões de euros, segundo as notícias. A fonte de aumento substancial de riqueza de JJ, treinador de futebol, passou a ser o Sporting, curiosamente o clube da maioria dos ‘tops’ do GES/BES; mas, poderia ser o Benfica, Porto, Real Madrid, Barcelona ou qualquer outra das instituições malditas do pontapé na bola.
A minha indignação não é movida a cores, mas sim pela revolta de observar que a desigualdade entre ricos e pobres aumenta incessantemente. E a banca e o futebol constituem dois domínios que impulsionam com enorme potência física e contributos para essa desigualdade.
Todavia, e limitando-me ao espaço ibérico onde existem milhões de desempregados, especialmente em Espanha, é penoso reconhecer a massificação dos adeptos que enchem os estádios; entre eles , os arruaceiros das claques, chamem-se ‘rapazes sem nome’ (“no name boys”) ou sejam outros vilões, dos lados de ‘leões’ ou ‘dragões’.