terça-feira, 16 de junho de 2015

Silêncio que os juros estão aumentar!

Intrujões encartados, os nossos governantes silenciaram, sabe-se lá até quando, a propaganda da relação da evolução da economia portuguesa com a queda dos juros da dívida, como conexão de causa e efeito a expressar os méritos de uma falsa governação de sucesso, marcada por fortíssima austeridade e o programa de ajustamento que, em conjunto com o PS, PSD e CDS subscreveram com a ‘troika’– como estavam felizes na ‘selfie’ Catroga e Teixeira dos Santos; entende-se agora melhor por que razão Teixeira dos Santos foi condecorado por Cavaco com comenda no último 10 de Junho.
 Com efeito, o mito está guardado em lugar muito recôndito. Deixámos, pois, de ler ou ouvir este género de declarações de Marques Guedes, o porta-voz do governo:
É consabido, que todo o governo exultou com a descida dos juros da dívida pública, recorrendo ao topete do mérito da condução da política económica. Paulo Portas, com o ar que lhe é peculiar, secundado por Pires de Lima, Passos Coelho e outros, exaltaram em sessões públicas esse falso mérito.
Quem quiser saberá que os juros constituem uma variável muito volátil e dependente de factores exógenos. Sobretudo, para estados-membros com elevadas dívidas, caso de Portugal. As medidas de política monetária do BCE sustentaram as quedas dos custos do serviço de dívida, em especial nos países periféricos. Todavia, o conflito programático da Zona Euro com a Grécia é o principal factor a impulsionar o aumento dos juros de dívidas, à excepção da Alemanha que, a 10 anos, beneficia de uma taxa de 0,7%, a qual nos últimos dias caiu da taxa de 1% que vigorava.
Segundo o ‘site’ investing.com, Portugal teve uma subida dos juros a 10 anos de 83,4 pontos básicos (0,834%) nos últimos trinta dias – a taxa actual é de 3,245% contra 2,411% de há um mês. Espanha e Itália também registaram aumentos significativos.
Esta evolução nos valores dos serviços de dívida nos países periféricos demonstram inequivocamente que o comportamento das economias não a determina e, acima de tudo, que se o problema grego não for solucionado de forma satisfatória para o mercado, os famosos investidores, a ‘Zona Euro’, no que respeita aos países mais frágeis, poderá entrar numa crise grave, admitindo-se mesmo o desmoronamento, pelo menos parcial, da citada comunidade monetária. Os periféricos serão os países mais afectados.

Aguardemos os factos futuros, esquecendo as trapaças dos governantes.