quarta-feira, 6 de junho de 2012

Um primeiro-ministro híbrido

Hibrido_Coelho
Fonte: Juxtapoz
O processo é comum em líderes políticos. Quando sentem o apoio popular a fugir-lhes, socorrem-se de hipócrita agradecimento ao povo. Tentam fazer esquecer os tempos das garras afiadas e dentes em riste, a destruir rendimentos, eliminar empresas e empregos e a  violentar os desempregados com insensibilidade e ofensas repugnantes – agora, parece, chegou a hora dos paliativos aos jovens desempregados.
Nas pouco entusiastas celebrações de um ano do governo ‘laranja’, lá se esmerou o Coelho a exultar a paciência dos portugueses. Um dia destes, porém, metamorfoseado em tigre, servir-se-á de impiedosas garras para atacar com  mais medidas de austeridade. O programa da ‘troika’ está a gerar efeitos sociais e económicos nocivos, mas a consolidação orçamental, o objectivo sagrado do défice, tem de ser alcançado nem que seja à força do cacete.
Temos, pois, um PM híbrido. O disfarce de coelho é dominado pela expressão ameaçadora e violenta do tigre.

terça-feira, 5 de junho de 2012

O tremebundo da Zona Euro alarma o G-7

O jornal ‘Público’ também anunciou aqui. Todavia, a notícia do ‘El País’ é mais precisa e, do respectivo texto, transcrevemos o 1.º parágrafo:
Os Ministros das Finanças dos países do G-7 realizarão às 13 horas desta terça-feira (hora espanhol peninsular) uma reunião de emergência por videoconferência para discutir a situação delicada do euro zona com Espanha e a Grécia como principais focos de tensão. A convocatória extraordinária, que não é comum e que, em qualquer caso, os temas não são anunciados, destaca as crescentes dúvidas que desperta a crise europeia a nível internacional e o receio que seus problemas estão a afectar o resto da economia mundial. Após o resgate da Grécia, Irlanda e Portugal, o alarme está agora na crise bancária espanhola e nas próximas eleições gregas, a serem realizadas em 17 de Junho e que poderão levar à saída de Atenas da moeda única.
Bem pode o governo português cantar vitórias; espúrias e falsas, de resto. O problema, infelizmente, centra-se no ‘sistema financeiro’ e na falta de liquidez generalizada da banca da Zona Euro. A ponto de se tornar um problema mundial.
A erupção da banca teria de irromper por algum lado. Calhou a Espanha. A saída da Grécia da Zona Euro significará também a falência da solução da ‘troika’; a somar, diga-se, à trapalhada nas contas públicas gregas, sob assistência da Goldman Sachs – essa mesma, a Goldman Sachs desse figurão que dá pelo nome de António Borges.
Dentro de algum tempo, Coelho poderá perder a Grécia como paradigma para afirmar a superioridade portuguesa. Resta, porém, saber o que dirá e como reagirá aos acontecimentos no país do seu grande amigo Rajoy.
A súbita videoconferência do G-7 assenta em preocupações fundadas dos líderes mundiais; e nenhum discurso de artificial optimismo as negará, em qualquer jantar no Beato. Onde, como sabemos, não há petróleo.
 

Um ano de emagrecimento

ano de emagrecimento
Fonte: Juxtapoz
O outro deixou-nos nas lonas. O Coelho extirpou-nos gorduras, músculos e tecidos dos sistemas orgânicos. O português de hoje é, pois, um esqueleto, que, todavia, se balança impelido pela‘troika’.
É útil mostrar à Sra. Angela Merkel e ao mundo que, embora feitos em ossos, permanecemos em movimento e mais longe do abismo. Os abismos não apreciam esqueletos. As sepulturas, gavetas e incineradoras dos cemitérios, essas sim.
Tétrico? Talvez. Mas, sobretudo, uma imagem e caricaturas do mundo real.

Passos e Ferreira Leite, a dissonância

Fiquei abismado com as declarações proferidas por Passos Coelho, na jantarada da Câmara de Comércio Luso-Alemã: “os portugueses já não estão perante o abismo”, disse. Entre sudetas, sê sudeta.
A população portuguesa vive o período mais negro do período democrático. O PM, desqualificado politicamente, insensível, vesgo, surdo e demagógico, opta por dourar a pílula.
Um caso: o desemprego é elevado e continuará em via ascendente – cerca de 16% em 2013, segundo previsões do governo. Até a própria ‘troika’ – hipocritamente, eu sei – se mostrou preocupada na declaração de avaliação do programa que o desencadeou.
Todavia, registe-se, o PSD, principal partido do governo, fala a duas vozes. Dissonantes, obviamente. Manuela Ferreira Leite, ao falar em Setúbal, considerou que a consolidação das contas públicas devia ser feita de forma "mais lenta, mais pausada, para não se matar o doente com o tratamento".
Quando Passos imagina um País afastado do abismo, Ferreira Leite adverte que a violência do tratamento poderá matar o doente, esse mesmo País.
Alguma dúvida de que a razão está com Ferreira Leite? Apesar de discordar dela em muitas ocasiões, há momentos de evidências incontestáveis.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Democracia ao ar livre

deputados_Madeira
Alberto João Jardim conseguiu o inimaginável: unir os oito partidos da oposição ao PSD, do PT de Coelho ao CDS, para subscrever um ‘pacto pela democracia’, em plena via pública. Que eu saiba, trata-se de um episódio original, insólito e insusceptível de se repetir em qualquer outra região da UE do século XXI.
O presidente Cavaco Silva – o Sr. Silva de idos tempos – já havia sido compelido a receber no hotel os membros da oposição do Parlamento Regional. Que fará ele agora, já que os autores do pacto pretendem reclamar-lhe directamente decisões contra a prepotência de Jardim e o grupo de amigalhaços do poder, dos negócios e das palhaçadas, incondicionais subservientes do chefe Jardim.
E quanto ao “PSD do Contenente”? que diz Passos? Espero mesmo que seja Passos a falar. O Relvas emudeceu e está em exercícios de musculação. Vai regressar mais forte. Talvez mais gordo. Com políticos, a significância das palavras é frequentemente volátil.   

Tradução da Declaração da ‘Troika’

Declaração da CE, BCE e FMI sobre a quarta missão de avaliação a Portugal
Comunicado de imprensa n. º 12/203
4 De Junho de 2012
Quadros das equipas da Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) visitaram Lisboa durante 22 de Maio a 4 de Junho para a quarta revisão trimestral do programa econômico de Portugal.
O programa permanece a meio de percursos de desafios continuados. As autoridades estão a implementar as políticas de reformas de ajustamento externas, em geral, como planeado e estão a prosseguir mais rápido do que o esperado. Ao mesmo tempo, aumento do desemprego surgiu como uma preocupação premente. A necessidade de combinar a consolidação orçamental com a desalavancagem de balanços privados ao restaurar a competitividade externa de custos continua a ser um acto de equilíbrio difícil. Mas as autoridades estão determinadas a manter o rumo de ajustamento e reforma. Amplo apoio político e o consenso social é um contributo essencial para uma adaptação bem-sucedida.
O crescimento em 2012 pode resultar melhor do que o esperado. O reequilíbrio da economia continuaram, com exportações mais fortes do que o previsto, mais do que compensadoras da mais fraca procura interna. O PIB em 2012 espera-se agora que caia para 3 por cento (contra 3,25% anteriores). Positivo, embora ainda fraco, está previsto o crescimento para 2013. No entanto, com a diminuída procura interna e as pressões sobre as empresas para reduzir o endividamento elevado, o desemprego aumentou acentuadamente como parte do processo de ajustamento e poderá atingir um pico próximo dos 16 por cento em 2013. As continuadas tensões na área do euro representam um risco nublando a imagem externa.
O ambicioso objectivo de défice orçamental de 2012 permanece alcançável. Não obstante o mercado de trabalho mais debilitado e uma composição de crescimento fiscais menos favoráveis, as autoridades esperam alcançar o objectivo de um défice de 4,5% do PIB. Durante a terceira revisão, não foram discutidas medidas fiscais, mas a evolução garante acompanhamento atento para detectar possíveis desvios em tempo útil. A estratégia para evitar novos atrasos e se contemplar o existente está a ser implementada e os governos locais e regionais sob estresse financeiro recebem um apoio adicional, na condição de melhorar seus próprios esforços de consolidação. Reformas de empresas estatais e parcerias público-privadas estão no bom caminho. Os esforços para reforçar a gestão das finanças públicas, reforçar o cumprimento das obrigações fiscais e simplificar a administração pública continuam a bom ritmo.
Proteger o sistema bancário e garantir a desalavancagem ordenada continuam a ser prioridades do programa. A liquidez no sistema bancário continua a beneficiar de apoio excepcional do Eurosistema. As autoridades estão a finalizar os esforços para garantir metas intercalares para a recapitalização dos bancos. Há também progressos no reforço da supervisão bancária e nos quadros de soluções. Condições de crédito apertado continuam a ser uma preocupação e uma série de medidas estão a caminho para garantir que empresas significativas, especialmente nos sectores transaccionáveis, possam financiar as suas actividades.
Progressos nas reformas para aumentar o crescimento a longo prazo. Embora as reformas do mercado de produto ainda possam ser intensificadas em algumas áreas, a agenda de reformas estruturais do programa irá criar as condições para um crescimento sustentável em empregos produtivos a médio prazo. As reformas estão em andamento no que diz respeito a remoção de factores de rigidez do mercado imobiliário, privatizando empresas estatais, tornando os portos mais competitivos e aumentando a eficiência do sistema judicial. Exemplos de reformas já legisladas incluem o direito da concorrência, o código de insolvência e a lei de arrendamento urbano. Também têm sido realizados alguns progressos na redução do fardo excessivo sobre os consumidores e os contribuintes aumentando a concorrência e reduzindo as rendas nos sectores de serviços protegidos, incluindo no sector da electricidade e rede de distribuição eléctrica. No entanto, mais determinação é necessária para avançar com as reformas sensíveis do ponto vista político e de grupos de interesses.
O aumento do desemprego exige uma acção política determinante. Temporariamente aumento do desemprego é parte da transição para uma economia mais orientada para a exportação, mas sua ascensão foi agravado pela rigidez do mercado de trabalho de longa data de Portugal. A recente aprovação do código de trabalho revisto deve atenuar a perda de postos de trabalho. A mais ampla agenda da reforma estrutural e aumentando a utilização da capacidade no sector de exportação deve ajudar o emprego recuperar a médio prazo. No entanto, outras acções destinadas a melhorar o funcionamento do mercado de trabalho são urgentes. Isso inclui as reformas institucionais que dão às empresas maior flexibilidade na produtividade e custos de trabalho correspondentes. A excepcionalmente elevada taxa de desemprego, especialmente entre os jovens, também exige mais medidas imediatas, incluindo as políticas de mercado de trabalho activas. Congratulamo-nos igualmente com a iniciativa do governo ao considerar, no contexto do orçamento 2013, maneiras de reduzir encargos sociais visando segmentos específicos da força de trabalho.
Em geral, esta revisão confirma que o programa está a fazer bons progressos a meio de continuado forte apoio externo. Desde que as autoridades preservem a implementação do programa rigoroso, na zona euro, os Estados-Membros declararam que estão dispostos a apoiar Portugal até recuperar o acesso ao mercado. Os esforços das autoridades portuguesas estão sendo complementados por um quadro de política económica da UE reforçado e novas iniciativas da UE para apoiar o crescimento e o emprego em Portugal e na Europa como um todo.
O Programa do governo é suportado por empréstimos da União Europeia no montante de 52 mil milhões de euros e uma facilidade de acesso a fundos de 26 mil milhões do FMI. Aprovação da conclusão desta revisão permitirá o desembolso de €4,1 mil milhões (€2,7 mil milhões pela UE e €1.4 mil milhões do FMI). Esses pagamentos poderiam ter lugar em Julho sujeita à aprovação do Conselho Executivo do FMI e o ECOFIN e o Eurogrupo. A missão conjunta para a próxima revisão do programa deverá ter lugar em Setembro de 2012.
CF
‘Solos sem Ensaio’, 4 de Junho de 2012

A declaração da avaliação da ‘troika’

FMI portugalSem perda de tempo, o sítio do FMI publicou a declaração conjunta da ‘troika’ (CE, BCE e FMI) da avaliação, entre 22-Maio e 4-Junho, do programa de ajustamento aplicado a Portugal.
Sem perda de tempo, também, li o texto da declaração, cujas ideias principais, respeitando a ordem da exposição, passo a sintetizar:

  1. As autoridades estão a implementar o programa mais rápido do que esperado; o aumento do desemprego surgiu como preocupação premente; amplo apoio político e social é contributo para a adaptação bem-sucedida.
  2. Graças à exportação, o crescimento (?) pode resultar melhor do que esperado (-3% no aumento do PIB em 2012 em vez dos -3,25% previstos); a taxa do desemprego em 2013 fixar-se-á próxima dos 16%; as tensões na zona euro continuam a nublar o horizonte macroeconómico português.
  3. O défice de 4,5% do PIB permanece possível, não tendo havido, durante a avaliação, discussões de medidas fiscais; reformas nas empresas estatais e PPP's estão no bom caminho.
  4. Proteger o sistema bancário que continua a beneficiar de um apoio excepcional do Eurosistema; recapitalização dos bancos.
  5. Há progressos nas reformas para aumentar o crescimento a longo prazo; a agenda de reformas estruturais do programa irá criar as condições para um crescimento sustentável em empregos produtivos a médio prazo.
  6. O aumento do desemprego exige uma acção política determinante; foi agravado pela rigidez do mercado de trabalho de longa data em Portugal; a recente aprovação do código de trabalho revisto deve atenuar a perda de postos de trabalho; no entanto, outras acções destinadas a melhorar o mercado trabalho são urgentes; congratulamo-nos com a iniciativa do governo, em 2013, diminuir os encargos sociais visando sectores específicos da força de trabalho.

Relvas: é peso ou amparo de Coelho?

coelho_relvas
O “tio” Marcelo aconselhou Relvas a demitir-se do governo, justificando: “É um peso nas costas do primeiro-ministro”.
Relvas será, de facto, um peso para Coelho? Nada disso. É justamente o inverso, um amparo. A imagem ilustra que o afecto é recíproco. O pesado Relvas sustém com doçura o amigo, fatigado pelo trabalho da multiplicação de oportunidades para desempregados.

sábado, 2 de junho de 2012

Boa notícia: A ERS defende a continuidade da MAC

MACNa amálgama de disparates do actual governo, de que a política de saúde do bancário Macedo não se exclui, é gratificante ter, de volta e meia, notícias positivas e sintomáticas de sensatez.  
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS), segundo o ‘Publico’, defende que a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), como unidade hospitalar de obstetrícia, deve continuar a existir, considerando a irrelevância da localização.
Se, de facto, o local físico das instalações da MAC é irrelevante, então também poderá permanecer onde foi fundada e desde sempre se manteve. Em Londres, o Royal Mardsen e o Brompton – já o disse – lá estão em edifícios antigos nas imediações da estação de ‘South Kensington’, a funcionar com eficiência e eficácia.
Royal Mardsen (Oncologia) e o Brompton Hospital (Pneumologia) são duas unidades de saúde de referência a nível mundial. Curiosamente foi no primeiro dos citados hospitais que conheci há muitos anos o Dr. Manuel Abecassis, então a especializar-se em transplantes de medula óssea. Há dias, no IPO de Lisboa, chefiou a equipa que fez a intervenção ao Gustavo, filho do futebolista Carlos Martins.
Para azia de Isabel Vaz, do ´BES Saúde’ e de outros abutres, é de saudar a posição da ERS, salvaguardando, no entanto, ser indispensável a leitura integral deste documento para ter uma noção mais extensa e rigorosa das soluções apontadas para a rede hospitalar pública. 

sexta-feira, 1 de junho de 2012

EUA e Colômbia – contrastes…

Colombia
Fonte: Juxatpoz

Jessica Simpson ganhou 646 mil euros, por ter mostrado a filha, em exclusivo, através da revista ‘People’. Nos EUA, pátria devota do dinheiro, publicar apenas a imagem da filha, recém-nascida, é fonte de rendimento substancial.
Na Colômbia, mostrar - mostrar mesmo, ao vivo - familiares é coisa financeira e fisicamente distinta. Como testemunha a imagem, o desventurado colombiano exibe gratuitamente quem tem em casa, carrega a mulher às costas e não recebe um chavo.  
Pode haver mais ou menos generosidade no que e como se mostra, mas, sobretudo, fica claro que EUA e Colômbia diferenciam-se por contrastes... monetários e outros.