quarta-feira, 23 de julho de 2014

Hotel de Luxo, o refúgio do ex-banqueiro Salgado



Já sei!, uma coisa é o banco, outra o grupo e outra ainda a família; apenas, nem a mim, nem ao Pedro Adão Silva, nem a muitos mais cidadãos, há uma alma disposta a explicar onde param os 900 milhões de euros que o amigo Granadeiro emprestou ao GES (Rioforte). Sim, onde está tanta massa?
No banco imagino que não estejam; a RIOFORTE não os tem; então e a família? Contactei vários membros do clã, todos me mandaram falar com o Dr. Ricardo Salgado. Tentei. Fui várias vezes ao seu novo escritório de presidiário no Hotel Palácio, no Estoril, mas acabei sempre repelido e tão desinformado como cheguei. Ainda fiz meia-dúzia de tentativas para o encontrar na ‘snob’ Pastelaria Garrett, ali próxima. Estavam lá as amiguinhas do Prof. Marcelo, umas mais jovens, outras cheias de varizes e sinais de artrite, mas o Salgado nem vê-lo.
O Ministério Público já anunciou estar a investigar o GES. Portanto, lá para o ano de 2026, com os processos prescritos, dir-se-ão umas coisas, sem significância nem sentido, e a justiça portuguesa cumprirá a histórica tradição de incomodar o menos possível a gente graúda.
Registo ainda que Ricardo Salgado, em louvável atitude de autoflagelação de um ex-banqueiro com a vida presumivelmente arrumada e de primos às avessas, optou por se exilar em luxuoso hotel, onde entre tarefas e telefonemas, medita de manhã e à tarde em dois devotados actos ascéticos – sim, como na Cartuxa em Évora. Certamente frequenta, quando pode, a primeira missa na Igreja dos Salesianos, do outro lado da alameda do casino. Já orou, comungou, confessou os pecados e pediu perdões em mil ocasiões. O pároco já nem o ouve.
Que triste a vida de um ex-banqueiro! Homem que, a despeito de perdas para uma família numerosa e histórica de pergaminhos, ainda descobre uns ‘dinheiritos’ para se aprisionar a si próprio em hotel muito luxuoso.
Porém, estas estórias não são contas do nosso rosário, mas da massa fiscal que nos sai dos bolsos. Enfim… isto é a vida dos privados, como teorizou o Coelho. Os prejuízos do 1.º semestre do BES, a divulgar na véspera da assembleia geral, estão estimados em 1.000 milhões de euros, prejudicarão outros accionistas, mesmo pequenos, eventualmente depositantes e o próprio Estado a nível de receitas fiscais.
O povo paga, salve-se a banca! O BES tem as contas seguras, assevera o Costa do BdP. As minhas, em contrapartida, mês a mês, estão presas por arames.