sábado, 26 de julho de 2014

Mota Soares: o deputado (2008) e o ministro (2014)

Na bancada dos CDS, então na oposição, em 2008 Mota Soares referia-se à pobreza de trabalhadores, reformados, pensionistas e idosos nos seguintes termos:



Teceu outras condições. O discurso, revestido de tom e sentido idênticos, durou 7m51s e poderá ser ouvido na íntegra aqui.
Hoje, no cargo de ministro da Segurança Social, está integrado na coligação que nos (des)governa. Ajudado pela maioria parlamentar que a sustenta (PSD+CDS), deve ufanar-se com sádico júbilo da aprovação por essa maioria da legislação para reposição de cortes em salários e da criação da agora chamada 'contribuição de sustentabilidade' a reformados e pensionistas - a transitória CES será substituída por contribuição que, de forma definitiva, reduzirá reformas e pensões.
As palavras de Mota Soares em 2008, em função do agravamento do empobrecimento dos portugueses desde que o governo de que faz parte subiu ao poder em 2011, converteu-se em discurso que envergonharia um político respeitador da ética, da honestidade e da anti-demagogia no exercício de cargo público; ainda por cima ao nível de obrigações ministeriais em área socialmente tão sensível. Seria motivo para se demitir.
Comprovamos que desde 2011 - já nem recuamos a 2008 - o empobrecimento da população portuguesa, em especial de crianças, tem-se agravado como foi divulgado pelo INE e publicitado pelo 'Público' de 24 de Março de 2014; desta edição extraímos apenas dois parágrafos:
"A taxa de risco de pobreza para as famílias com crianças dependentes subiu para 22,2%, contra os 20,5% de 2011. A maior incidência revelou-se nas famílias monoparentais com um filho a cargo (33,6%) e nas famílias constituídas por dois adultos e três ou mais crianças (40,4%) e por três ou mais adultos com menores (23,7%).
Ainda entre os casos que envolvem menores, o INE indica que as crianças com menos de 18 anos representam a maior fatia, quando se fala da taxa  de risco de pobreza segundo o sexo e o grupo etário (24,4%). Segue-se a população residente em Portugal com idades entre os 18 e 64 anos (18,4%) e os idosos (14,7%). Quando comparados com 2011, estes valores revelam aumentos nos dois primeiros grupos (21,7% e 16,9% respectivamente). Pelo contrário, a taxa de risco de pobreza entre os idosos sofreu uma diminuição em relação aos 14,7% que se verificavam há três anos."
Que dirá Mota Soares e o seu companheiro Diogo Feio a propósito desta desgraça? Vacuidades e sobretudo uma demonstração inequívoca de que medidas anti-sociais são o resultado do "neoliberalismo repressivo' contra o qual se rebelava hoje no jornal i o Prof. Adriano Moreira, um democrata-cristão fiel ao ideário que o CDS há muito deitou para a lixeira.