domingo, 24 de agosto de 2014

Dos tempos coloniais e da corrupção

É considerado natural e fruto do capitalismo contemporâneo. A Isabel dos Santos, ao ‘daddy’ José Eduardo dos Santos, a Kopelika, a António Mosquito,  a Álvaro Sobrinho e a  um role extenso de figuras corruptas do regime ´cleptocrático’ angolano, nós, cidadãos comuns portugueses, estamos condicionados para formular criticas.
Fundamentos de ordem diversa contribuem para essa limitação. Primeiro, da História da Humanidade jamais lograremos erodir actos de longo processo colonial, subjugando a interesses espúrios – manipulação religiosa, imperialista e cultural, quantas vezes exercida sob violência - os nativos das ex-colónias, entre os quais os Angolanos.
Igualmente os benefícios económicos proporcionados pela exploração e transacção de matérias-primas e outras fontes de riqueza ao dispor da burguesia colonial – está fora de causa a totalidade dos colonos, neste aspecto – também nos fragiliza, sobretudo perante determinados descendentes de colonizados, a quem, da escravatura à guerra colonial, não evadem da memória colectiva fenómenos do exercício de ilegítimo e opressivo poder.
Todavia, em defesa do humanismo e do culto civilizacional, e ainda pautados por direitos de justiça social, é-nos lícito denunciar o bando de José Eduardo dos Santos, de quem o nosso Cavaco é especial amigo, assim como os homens do mercantilismo que, da parte portuguesa, são firmes aliados da clique de gananciosos corruptos que, nos dias de hoje, vivem indiferentes ás condições de sobrevivência de milhões de angolanos, sobretudo idosos, mulheres e crianças, a quem foi aplicada a pena de vida sub-humana.
Dos cúmplices portugueses – um, Salgado e emporcalhado, tombou há dias do pedestal – existem várias criaturas, despidas de escrúpulos, a usufruir de parcerias que lhes rendem robusto capital, o qual, como é sabido, é destituído de pátria e de moral.
De Portugal e de Angola, a despeito de escândalos e muito para além de cartas de garantia do presidente Eduardo Santos a almofadar a complexa situação do BESA (Banco Espírito Santo Angola), existe um exército luso bem amparado por gente de reles índole, de que Amorim e Mira Amaral, a juntar ao derrubado Salgado, constituem os modelos da exploração humana. Valem-se da pobreza e da miséria dos angolanos e do empobrecimento dos portugueses, para, de mãos dadas, com quem existe de mais corrupto no mundo multiplicarem acelerada e substancialmente fortunas de criminosa ganância.
Segundo a organização ‘Transparência Internacional’, em termos de corrupção, Portugal está no 33.º lugar e Angola o 153.º; isto num conjunto de 175 países. Que importa o lugar, se os níveis de corrupção, de um e de outro lado, são elevados, tendo em consideração as diferenças de riquezas naturais e, portanto, o peso relativo e considerável do roubo a cada povo?