sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Novo Banco emperrado

O alarme é lançado pelo próprio coordenador da CT: “O Novo Banco está parado!”. O facto, diga-se, não é surpreendente. O processo de transição de activos e obrigações em relação a investidores do ex-BES é matéria complexa. E, ao que se percebe, nem o Banco de Portugal e jamais o Conselho de Administração presidido por Vítor Bento demonstram estar seguros do que fazer com tais activos e compromissos junto de investidores, agora considerados clientes do Novo Banco.
Por falta de zelo e incompetência intoleráveis, a dívida do ex-BES ao grupo BES que governo, ‘troika’ e Banco de Portugal deixaram expandir para níveis elevadíssimos (7.000 milhões de euros em Dezembro de 2013) é a matéria-prima natural e complexa da conflitualidade, hoje muito frequente nos balcões do Novo Banco. Uma conflitualidade, considere-se, natural entre os trabalhadores do ‘front-office’ do banco e os clientes a quem são recusados os reembolsos devidos.
O CA de Administração, para consentir os reembolsos, depende de autorizações, instruções e eventualmente de fundos do Banco de Portugal. Este imobilizou o processo e, passo a passo, o Novo Banco vai perdendo quota de mercado que, rapidamente, redundará em desemprego para parte considerável dos 6.000 trabalhadores transitados do ex-BES.
Compreensível, pois, as preocupações e acções dos trabalhadores junto das forças partidárias, no sentido de preservarem o Novo Banco, como projecto consequente e o número de postos de trabalho que este integra.
Jamais compreensível é, em contrapartida, a rapidez com que o Banco de Portugal e o Governo visam alienar o Novo Banco, recorrendo ao  BNP Paribas para em acelerada actividade o fazer, nomeadamente junto de fundos de pensões e outros bancos. E a celeridade pretendida não é mesmo inteligível, justamente porque é dado ao mercado um sinal de que, para o vendedor, a variável crítica é o tempo, o mais curto possível, e não o preço, o mais elevado e justo possível.
Esta questão de prazo em detrimento de preço é ainda relevante porque na capitalização do Novo Banco estão integrados 4,5 mil milhões de euros de dinheiros dos contribuintes; contribuintes estes a quem Coelho e MLA negaram vir a pagar a factura do ex-BES.

(Adenda: é estranho que o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, que se ufanava de ter uma relação próxima e afável com Ricardo Salgado, se evapore nos momentos em que a CT ou as próprias delegações da UGT tratam do caso ex-BES / Novo Banco com qualquer entidade – ou então não é estranho e o homem é mesmo assim: evapora-se na complexidade).