quinta-feira, 17 de maio de 2012

Um vê a floresta, outro o arbusto

Os políticos, em democracia, são avaliados e escrutinados através da exposição pública, da  honestidade e confiança que inspiram, e ainda da capacidade de análise e visão estratégicas – saber distinguir o essencial do acessório, por exemplo.
No desempenho real, é notória a condição de superioridade de quem, como o líder do Syriza, Alexis Tsipras, firme e objectivo avisa a Sra. Merkel de que é tempo de terminar de brincar com a vida das pessoas; sobretudo, se comparado a políticos do estilo de Mota Soares, resignado e de fala saltitante, que se limita a considerar que o aumento do desemprego é o pior problema de Portugal
Tsipras valoriza a austeridade como a causa madre e determinante do que tem sucedido na Grécia e em outros países europeus. Mota Soares confunde um dos piores efeitos da política de austeridade, o desemprego, ao tomá-lo  por uma espécie de origem rebelde e insanável dos nossos males.
Um, Tsipras, vê a floresta; a vista do nosso frouxo ministro não alcança mais do que o arbusto. Ainda por cima, o insípido Soares tem a responsabilidade de repartir o amargo sabor de revisões das leis laborais, no sentido da proliferação do desemprego e da precariedade das relações de trabalho.
Mota Soares será limitado nas faculdades cognitivas ou intelectualmente desonesto? Provavelmente sofre de ambos os defeitos.   

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Paulo Macedo: a exclusividade do disparate na saúde

ambulânciaO bancário Paulo Macedo, elevado ao estatuto de ministro da saúde – ou da doença e da morte? – acaba de deliberar o fim da exclusividade de ambulâncias no transporte de doentes.
O sábio ministro, em obediência à troika, há-de ficar na história como um governante da saúde promotor da disseminação da doença, da morbilidade e até da morte. Tudo em respeito por princípios economicistas, naturalmente ignóbeis e desumanos.
Baniu, pois, a exclusividade de meios apropriados e, no que se refere a bombeiros, os únicos agentes qualificados para o transporte e socorro de doentes, incluindo a assistência a partos  – existem, pelo menos, 27 ambulâncias medicalizadas no país. Têm equipamentos tecnologicamente avançados de socorrismo; caso dos desfibrilhadores para valer a vítimas de enfarte agudo do miocárdio e assegurar a sobrevivência de doentes até chegarem aos serviços de emergência hospitalar. A preparação dos bombeiros socorristas é, em certas situações clínicas, peça essencial do processo de preservação da vida do doente.

Desemprego: a multiplicação das oportunidades

O desemprego, anunciado pelo INE, disparou para 14,9% no final do 1.º trimestre deste ano. Publicado pelo ‘Público’, o  gráfico, adiante reproduzido, permite uma imagem mais ilustrativa da intensidade da evolução do fenómeno:
gráfico
Há a registar que, segundo o Eurostat, a percentagem no final do mesmo trimestre era superior: 15,3%. A este facto, o ‘Jornal de Negócios’ adianta que, aos 819,3 mil desempregados anunciados pelo INE, devem adicionar-se 202 mil cidadãos disponíveis para trabalhar, mas considerados inactivos. O total excede, portanto, 1 milhão de pessoas.
Tudo isto, à semelhança desta notícia sobre a deterioração dos serviços de saúde, na senda do ‘custe o que custar’, deixará Passos Coelho eufórico. Notável a multiplicação de oportunidades e projectos de empreendedorismo através do crescimento do desemprego. Todos os meses caiem dos céus potenciais ‘Gates’ e ‘Zuckerbergs’ aos milhares. Que tamanha idiotice!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Merkel e Hollande em Berlim, à volta da Grécia

Arrancou em Berlim a era Merkel-Hollande. Do ponto de vista das emoções e afectos, fotógrafos e operadores de câmara tiveram de se contentar com imagens mais frugais. Aos sorrisos, beijos e até uma certa sensualidade do casal ‘Merkozy’, sucede agora a sobriedade institucional do ‘Merkande’  - fusão onomástica, acrónimo identificador ou aquilo que se queira chamar, em respeito pela substituição do elemento masculino do par.
Ao que se percebe das notícias de diversas fontes, 'Público', 'El País' e 'Le Monde' e ainda esta última, em encontro frio e de mútuo respeito, Merkel e Hollande escolheram a Grécia como tema principal das conversações. Ambos garantiram defender o objectivo de manter aquele país na ‘Zona Euro’. Curiosamente, a longilínea e sorridente Lagarde, directora-geral do FMI,   admite a "saída ordenada" da Grécia do euro. Krugman, por seu turno, vai ainda mais longe. Vaticina a saída do euro da Grécia e dos restantes países; ou seja, a extinção da moeda europeia. Krugman, no entanto, é um comentador muito volátil, como testemunhámos em Lisboa.

sábado, 12 de maio de 2012

Bernardo: sonhamos e prometemos por ti

Bernardo, já muitos escreveram e dissertaram bastante a teu respeito. Todavia, jamais expressaram tudo. É impossível. Nem neles, nem em mim há essa capacidade. Tu não és apenas passado. És presente e futuro.
Intemporal, partiste mas ficaste para sempre. Os sonhos dos outros e promessas, afinal também foram e são os teus. Continuarão, na infinidade do tempo, a expressar-se em sons das melodias por ti desenhadas sobre o teclado do piano, em ternos e harmoniosos gestos. O piano nunca ficará silencioso.
Adeus Bernardo! Sonhamos e prometemos sempre contigo, lado a lado.

15-M, a oportunidade dos indignados

Indignados 15-M
Reunião do movimento 15-M na Praça da Catalunha, Barcelona
Fonte: El País
Os indignados, em comemoração do 15 de Maio (15-M), voltam aos protestos de rua em Madrid, Barcelona e mais 80 cidades espanholas.
A contestação, materializada agora por propostas concretas segundo um dirigente de Barcelona, integra-se em movimentos semelhantes em diferentes países e cidades, como o ‘Occupy’ nos EUA e o 12-M em Lisboa.
No estrito respeito pela teoria de Passos Coelho, chegou agora uma soberba oportunidade que os desempregados não podem esbanjar: indignar-se e protestar.
O consenso a favor do 15-M é generalizado. Até um monárquico, indignado 24 horas por dia, até no sono, por viver numa sociedade republicana, compreende e diz que adora indignados. Eu também os adoro a todos, todos mesmo… desde que não sejam monárquicos e idiotas - uma intersecção de conjuntos, na lógica  . Limito-me a aplicar o ensinamento de Henry Ford: "O carro está disponível em qualquer cor, contanto que seja preto".

 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Desemprego: o desconcerto de Passos e Gaspar


desconcerto
O desconcerto do governo
Passos Coelho diz que o desemprego pode ser uma oportunidade para mudar de vida – talvez começarem a dedicar-se ao roubo, como alguém sugeriu.
Vítor Gaspar, em frase meio abstrusa, afirmou também hoje: “a satisfação de vida de um desempregado não se recupera”. Tomando em conta o teor das afirmações do ministro, teria sido mais correcto dizer: “para um desempregado a satisfação de vida é irrecuperável”.
Confrontadas as intervenções de Passos e Gaspar, convenhamos que há novo sinal público de desconcerto no discurso governativo, e justamente entre as mesmas personagens. Lembre-se a história da retoma do pagamento dos subsídios de férias e de Natal. Cada um disse coisa distinta, convergindo à posteriori para a mesma posição.
Começam a ser demasiadas desafinações, a despeito da crueldade social que os une.


Isaltino condenado? O processo não quer

isaltino
Oeiras marca o ritmo e resta ao processo obedecer e percorrer o itinerário para o objectivo certo.  Isaltino, sempre popular, generoso e optimista, também está seguro de que processo avançou mais dois passos no caminho da prescrição.
Ninguém venha de lá com as histórias do costume, a criticar os Tribunais de 1.ª instância, da Relação de Lisboa ou, em termos sumários, condenar o nosso Sistema de Justiça que, coitado!, faz o que pode e raro consegue condenar políticos, homens públicos e gente abastada, em geral.
De uma vez por todas, aprendam: em terras portuguesas, na justiça aplicada a políticos e ricos, qualquer processo judicial goza da prerrogativa de optar pela prescrição. Leis, decretos-lei, jurisprudências e instrumentos do género, assim como magistrados em geral nada podem fazer contra a vontade do processo. É mais do que soberana.
Somos, pois, um País cuja justiça se submete ao poder processual supremo. Graças aos senhores, amen.

O Nuninho dos ‘espiões reformados’ e das ‘espias no activo’

Nuno Vasconcellos_(2)Em Janeiro, Nuno Vasconcellos (NV) declarou  à Sábado: “estar habituado a trabalhar com espiões reformados”
Agora, aqui e aqui, revela-se haver  duas dirigentes do SIED – sim dirigentes!, não são umas espias vulgares – suspeitas de enviar dados económicos à Ongoing. NV, afinal, também tem o hábito de trabalhar com espias no activo. Portanto, mentiu.
Se houver mesmo a paciência de ler a entrevista à Sábado, percebe-se, sem esforço, que o homem é mesmo mentiroso.
Essa do avô, Manuel Rocha dos Santos, ter inventado o ‘Sonasol’, dando a ideia de que a sua família teve o domínio da Sociedade Nacional de Sabões, dos negócios do detergente ‘Super Pop’, da Sonadel, e dos óleos ‘Fula’ e Vegê’, da Sovena, constituem um chorrilho de  descabeladas aldrabices. São os empresários que temos. Que sina a deste País!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

‘La piovra’ à portuguesa

la piovra
Li esta notícia. Instintivamente, saltou-me à memória essa fabulosa série italiana, ‘La Piovra’ (O Polvo). Por que motivo? Coisas do meu instinto culinário, possivelmente.
Todavia, pensando bem, até temos ‘chefs de cuisine’ habilitados a preparar um bom prato de ‘La Piovra’ à portuguesa… apesar da modéstia de se dizerem desmemoriados.