‘O sucessor tem de ser pior do
que o antecessor’ é o lema inexorável da igreja católica portuguesa, cumprido
zelosa e ridiculamente pelo patriarca Clemente, sucessor de Policarpo.
Em momento de renovação de mentalidades,
refutação de processos retrógrados, desumanos e desonestos (pedofilia e Banco
do Vaticano) de que o Papa Francisco procura ser, creio, o principal obreiro, a
igreja católica portuguesa continua a ser um antro dominado por mentalidades
reaccionárias, de que poucos eclesiásticos se demarcam – Dom Januário Torgal
Ferreira, no seio do bispado português, é uma voz a pregar no deserto.
O ultraconservador Clemente
defende que “os
direitos das minorias” devem ser referendados. Refere-se a co-adopção de
crianças por casais do mesmo sexo. Todavia, há tantas outras minorias e
problemas específicos, que, então, a solução seria legislar no sentido de, a
par do sorteio do fisco, referendar semanalmente os direitos de quem é
verdadeiramente minoritário – p.e., o direito de uma escassa minoria, sem
solidariedade social, com fugas a impostos e detentora de fortunas em paraísos
fiscais, deter mais de 90% da riqueza do país, à custa da pobreza e miséria de
uma larga maioria – a minoria dos responsáveis pelas empresas do PSI-20, por
exemplo. Os direitos da minoria de ‘dux’,
membros das C.O.P.A.’s e
companheiros mentores de praxes mortais.
O patriarca Clemente, além do
mais, envereda por anacrónicos argumentos para defender o referendo. Por um
lado, diz:
“O que está em questão não é o direito de adoptar, mas o direito da criança de ter ou não ter um pai e uma mãe.”
Pergunto: as crianças, ainda mais
minoritárias do que os casais de co-adopção, têm capacidade de se manifestar em
referendo? Dom Clemente imagina-se a proferir homília em púlpito de igreja de
aldeia, perante uma maioria de devotos octogenários, uns surdos e outros a
sofrer de deficiência cognitiva.
A meu ver, que sou heterossexual e
não homofóbico, seria aconselhável que, em nome dos direitos das crianças, o
líder da igreja católica portuguesa ocupasse a mente com o lamaçal da pedofilia
em que a ICAR está envolvida em todo o mundo, incluindo em Portugal – o
assassínio de um jovem, na Madeira, praticado pelo padre Frederico, assessor muito
próximo e estimado pelo então bispo do Funchal, Teodoro Faria. O recente caso
no seminário do Fundão é outra demonstração de que, na igreja, a pedofilia é
uma espécie de processo contínuo. Sem intermitências. 

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