sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Lima e Lina: a ncessidade da verdade

Por diversos motivos, nomeadamente os invocados neste 'post', e embora alertado para o risco que corro de forçar o conhecimento da verdade pela comentadora Arminda, continuo empenhado em saber quem, de facto, é o autor do assassínio de Rosalina Ribeiro, no Brasil. Objectivo natural, julgo eu, na qualidade de cidadão, reforçado ainda pelo estatuto de ex-trabalhador da destruída Covina, onde tive relações profissionais com Lúcio Tomé Feteira, a sua filha Olímpia e Rosalina Ribeiro, ou a D. Lina como era então tratada.
O jornal 'Sol', pela mão de Felícia Cabrita, assevera: "O cerco fechou-se em torno de Duarte Lima". Cuidei de deter-me sobre o objecto do trabalho, sem juízos subjectivos sobre a autora. Porque o li na íntegra, é para mim evidente tratar-se de uma investigação jornalística meritória; sobretudo, solidificada pela reprodução de documentos comprometedores para o ex-presidente do grupo parlamentar do PSD.
Se suspeitas havia, mais densas se tornaram face às provas "arrasadoras" igualmente referidas pelo 'Público' em edição on-line. O Jornal "i" refere-se também ao caso  e à reacção do advogado de Lima no Brasil.
Não é normal viajar para Belo Horizonte para ter uma reunião no Rio de Janeiro, a quase 500 km de distância - o número de voos directos Lisboa-Rio supera a quantidade de ligações à capital de Minas Gerais. Não é normal que alguém se esqueça da empresa 'rent-a-car' onde alugou uma viatura. Não é normal um condutor olvidar-se da marca, cor e outras características dessa viatura, que utilizou em percursos de mais de 1.000 km. Não é normal que, apesar destes esquecimentos, tenha retido na memória a marca, 'Honda', e a cor, cinzento, de outro veículo que só viu por instantes em Maricá e que alegadamente pertenceria a uma quarentona, de nome Gisele, cuja existência bem como o paradeiro nem a polícia brasileira nem um único cidadão que seja conseguem descobrir.
Enfim, nada disto é normal e, como em outros casos sob a alçada da justiça, saber a verdade a respeito da eventual relação de Lima com a morte de Lina é imperativo. Não por motivos políticos ou interesses velados ou espúrios, mas pela necessidade de ver o exercício da justiça pautar-se por essa mesma verdade.
Continuarei atento, a despeito de avisos e/ou ameaças.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Os fins justificam os meios

Os fins justificam os meios é uma histórica proposição de Nicolau Maquiavel. Há um largo consenso em classificá-la como um princípio filosófico arrasador da ética e da moral inalienáveis nas relações inter e intra-sociedades. Sobretudo, no exercício da acção política própria da convivência democrática, cujo zelo obrigatório e íntegro pelos direitos humanos é imperativo.
Pois é, deveria ser assim, mas há muito que não é. Existem bastas provas. Notícias do tipo:  
Blair trocou terrorista de Lockerbie por acesso ao petróleo líbio para a BP
ou
Pílulas e três vacinas deixam de ser comparticipadas pelo Estado
são, infelizmente, meros casos isolados, mas concludentes, de que vivemos num mundo maquiavélico. Tão maquiavélico que, em nome de sagrados desígnios financeiros, o governo considera normal que o Ministro da Saúde, Paulo Macedo, corte as comparticipações nas vacinas de combate do cancro do colo do útero, a hepatite B ou a estirpe B do vírus da gripe.
A visão contabilista de Macedo, como lhe chamou Mário Soares, sobrepôs-se ao dever do Estado proteger os cidadãos contra graves riscos de saúde. É, de facto, maquiavélico da parte de Macedo e até do primeiro-ministro que, sendo filho de médico, se comporta como filho de carniceiro. Aconselho-o a fazer uma leitura do código de Hipócrates que, certamente, o seu progenitor lhe facultará.
Neste tipo de acções governativas, de carácter anti-social, Paulo Portas e o seu CDS assobiam para o lado. A despeito dos discursos de ordem social estridentes nos tempos eleitorais.

PSD e PS: guerra da 'boyada'

Organismos do Estado, Institutos, unidades do Sector Empresarial do Estado têm sido, ao longo de mais 3 décadas, autênticos albergues de exércitos de 'boys' laranjas e rosas - O CDS também tido algum proveito do género, mas em menor escala.
Agora foi a vez do governo vetar a admissão do irmão da deputada Ana Catarina Mendes pela Administração da Refer, ainda socialista. Iria desempenhar funções na área dos 'recursos humanos'.
Juro que aplaudiria a deliberação governamental, se, porventura, a alternativa exigida, e mais do que provável, não fosse a admissão de um 'boy' laranja, protegido pelo homens do aparelho do PSD.
Ainda ontem, segundo noticiava o "i"o Ministro da Saúde nomeou um 'old boy' do partido social-democrata para as altas funções de gestão global da área hospitalar. E esta nomeação, a de Santana Lopes para a SCML e tantas outras do actual governo significam com clareza que, na maioria dos casos, o cartão do partido continua a sobrepor-se à competência e perfil profissional de candidadtos. 
É a velha guerra da 'boyada': "No jobs for no boys!"     

Ops ! Já perdi 12,125 € por filha!

Mário Soares diz que o Ministro das Finanças é ocasional. E eu desabafo:  "Que grande galo! Logo tinha de ser ocasional numa ocasião destas!". Sim, porque se fosse há anos atrás e tivesse eu as minhas filhas a cargo, sempre economizava, no imposto extraordinário, 12,125 euros por cada uma delas. Como são duas, até dava para arredondar as contas: 24,25 euros, no total.
Os jornais, nos títulos, referem 12 euros; mas contas são contas e a verdade é que já perdi 12,125 euros, por filha; ou seja, 2,5% sobre o rendimento mínimo garantido que é de 485,00 euros.
Porém, este imposto, que é tão extraordinário como o ministro, deve estar a dar cabo da cabeça a muita gente. Até aos jornalistas. Então, não é que tanto o 'Público' como 'i', cometem o mesmo erro. Referem Lei 49/2001, quando efectivamente se trata da Lei 49/2011, de 7 de Setembro que vai aqui escarrapachadinha, para quem quiser ler. E mais, o jornal "i", no 5.º parágrafo da notícia - trabalhadores dependentes e pensionistas - ainda nos põe a pagar mais do que a lei. Ora, leiam lá o que diz o Artigo 99.º A - Retenção na fonte - Sobretaxa extraordinária. Pois é, o ministro excede a 'troika' e os jornalistas excedem o ministro.
Conclusão: o ministro é ocasional, como diz Mário Soares, demonstrando não precisar de muito tempo para fazer disto um País de tesos e destrambelhados. Mesmo que sejam jornalistas.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O inegualável Gaspar

Vítor Gaspar é uma figura peculiar. Muito dedicado à causa nacional e de uma gratidão sem paralelo. Aos jornalistas, agradece atenciosamente todas as perguntas, mesmos as mais incómodas e até as observações pouco amigáveis. Ontem, sucedeu uma vez mais com José Gomes Ferreira, na SIC.
Outra particularidade centra-se na capacidade de ousar iludir e furtar-se ao rigor. Dois exemplos:

Vítor Gaspar garante que não está a ir além da troika
O imposto extraordinário, exceder o limite da troika para os cortes nas depesas de saúde, antecipar 3 meses o prazo da troika de aplicação da taxa máxima de IVA à electricidade são justamente exemplos de que está a ficar aquém da troika. Que troca-tintas!

2) No Público:
Cortes racionais na despesa exigem tempo.
Sim, porque os irracionais são fáceis e imediatos.

O Gaspar, é de facto, uma espécie sem igual.



O acto de segregar o secreto Carvalho


Sempre tive a noção de que os incidentes das secretas, sobretudo a insistência noticiosa do 'Expresso' assim me leva a crer, se inscrevem em ridícula novela à portuguesa, de uma guerra entre dois homens desavindos: Francisco Pinto Balsemão e Nuno Vasconcelos. Deste último, ontem, o DN publicava um artigo elucidativo do combate feroz 'Impresa - Ongoing'.
Hoje, Silva Carvalho, provavelmente acompanhado pelo seu advogado, Nuno Morais Sarmento, estará no Parlamento, a fim de ser ouvido na sala de reuniões da Comissão de Assuntos Constitucionais. À porta fechada, sublinhe-se.
O PSD está enfiado nesta história até ao pescoço e, alguns dos protagonistas como Silva Carvalho, até à testa. Este último, portanto, com a boca atolada e imóvel, não revelará nada de significativo, acredita-se. Poderá até replicar o argumento de segredo do Estado do PM, quando do primeiro inquérito.
Resultado: o Parlamento está descrente do resultado da audição de Silva Carvalho. Em particular o PS e restantes partidos da oposição. Será, por assim dizer, um frustrado acto de segregar o secreto Carvalho. O homem não expelirá a mínima secreção. Dito de outra forma: será uma infrutífera extracção escatológica, donde não sairá o menor excremento.
(ADENDA: Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes. Silva Carvalho, em relação aos dados publicados, diz "serem em parte falsos e em parte deturpados. Dados que não podem ser contraditados publicamente" (sic). Como era previsível, ficámos a saber o mesmo, ou seja, nada.)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Portas da demagogia

Das poucas vezes que tenho um átomo de paciência para ouvir ou ler o que Paulo Portas diz, de forma intuitiva e à laia de metáfora, vem-me à memória a seguinte estrofe de 'Serafim Saudade' de Herman José:
Serafim, Serafim Saudade
Aqui estou e, na verdade, sei que sou o que sonhei
Serafim, Serafim, sou eu
Trago comigo o que é meu
Este nome que criei
Creio que, se substituirmos Serafim por Paulo ou Portas, os versos retratam com cristalina pureza a personalidade do supremo líder dos CDS-PP e actual Ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros. De facto, Portas pode regozijar-se de 'saber que é o que sonhou, trazer consigo o que é dele, aquele nome que criou'. E o nome é… demagogo!
Agora, perante o arremesso de descontentamento do seu grupo parlamentar sobre a política fiscal do governo, Portas desculpou-se com os compromissos fiscais do memorando da 'troika'.
Portas não foi preciso nas afirmações. Usou a demagogia, em que é especialista imbatível. Arranjou justificação para o imposto extraordinário, a maior tributação dos rendimentos dos últimos dois escalões do IRS e o agravamento do IRC para empresas de lucros mais elevados. Qualquer destas medidas não consta do memorando da 'troika'.
Por sua vez, referiu-se ao aumento do IVA sobre a electricidade que o governo deliberou mandar aplicar a partir de 1 de Outubro deste ano, embora, no ponto 1.24, alínea iv), na página 5 do 'memorando da troika', tivesse estabelecido que esse agravamento seria para aplicar em 2012. Houve, pois, uma antecipação de 3 meses, por opção do governo que Portas integra.
Por último, e no que toca a queixas quanto à falta de corte na despesa pública, assegurou que o governo se prepara para fazer um corte sem precedentes na "despesa de funcionamento do Estado". Omitiu que alguns dos cortes de despesa já foram anunciados. Por exemplo, na área da saúde e na redução de pensões de reforma acima de 1.500 euros mensais; o importante não é apenas que estas medidas excedam ou sejam alinhadas pelos limites impostos pela troika. Relevante, sim, é dizer a verdade: reduzir pensões não é cortar nas despesas de funcionamento do Estado.
Abriram-se, pois, as 'portas da demagogia'; e os deputados do CDS-PP, como gente servil e obediente que é, não tugiram, nem mugiram. O CDS-PP é Portas e os restantes são meninos do coro.

O estenderete de Berardo



O investidor Berardo deu um enorme espalhanço. É comum dizer-se que o 'jogo da bolsa' é equivalente ao 'jogo de casino' e, de facto, as perdas colossais de Joe são muito avultadas e confirmam essa avaliação.
Com a compra e venda de acções, como fazia a sua Metalgest, visava, sobretudo, ganhos a curto prazo - ficar cada vez mais rico a cada dia que passa. Foi nisto que Berardo apostou o que tinha e o que não tinha - a CGD, o BCP e o BES, com um empréstimo de mil milhões de euros, ajudou-o bastante. O empréstimo, com fins especulativos, foi tão facilitado pelos bancos, que estes se limitaram aceitar como garantia as próprias acções compradas com o dinheiro mutuado.
De certeza que parte substancial desse dinheiro, para piorar a situação do País, foi financiado por entidades estrangeiras, agravando, assim, a componente privada da dívida externa portuguesa. Enfim, que os bancos, agora tão fechados a empréstimos a famílias e PME's, tenham incentivado e praticado este tipo de operações também explica a crise em que caímos. Que tenha entrado no jogo a CGD, banco público que acaba de renovar o mandato do incompetente Faria de Oliveira, agora CEO às ordens do governo, é lamentável. Que o BCP, de Santos Ferreira e Armando Vara, a que valeram dinheiros a rodos da CGD, também tenha entrado no apoio ao especulador Berardo é igualmente lastimável. Mas agora chegou a troika e este é o facto que conta.
Resta perguntar: - E agora Joe? Está aflito com o controlo da 'troika' aos bancos? Deixe lá, não é só o Joe. - Há mais 49 grandes devedores metidos no embrulho; isto, ao contrário do que se dizia ontem em certos noticiários televisivos, ao considerar que a 'troika' iria, sobretudo, investigar o crédito mal parado das famílias. O BCP que se cuide com a altíssima concentração de crédito concedido a empreiteiros como Teixeira Duarte, Soares da Costa, Mota-Engil e outros que tais.
Por último, tão lesionado do estenderete, resta a Berardo tomar algumas iniciativas para recuperar parte; pelo menos, parte do que perdeu ou desperdiçou. O biquíni de pedras preciosas que ofereceu à estilista Fátima Lopes, por exemplo.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Notícias para distrair

Nada, na comunicação social, poderá ser mais vantajoso, no presente, ao governo de Passos Coelho do que publicar notícias das maldades de Sócrates, ou mesmo dos seus familiares. O 'Correio da Manhã', o conhecido pasquim dos escândalos, noticia hoje que, por denúncia do nazi Mário Machado, o Ministério Público está a investigar contas em 'off-shores' existentes desde há 30 anos, dos familiares do ex-PM. O Jornal "i", na mesma onda, refere e amplia a notícia do CM.
Trata-se, pois, de um género de notícias, cujos conteúdos e a formatação me deixam dúvidas quanto à seriedade e objectivos de quem as produz e deixa publicar.
Com efeito, se as faltas foram cometidas há 30 anos, significa que remontam a 1981, sensivelmente. Nessa ocasião, Sócrates tinha cerca de 24 anos de idade e estudaria possivelmente em Coimbra. De todo, não exercia funções políticas em instituições dos poderes central, regional ou local. Até poderia suceder que ainda militasse na JSD, facto, aliás, enaltecido por Miguel Relvas em 2004.
Segundo se entende, não Sócrates, mas sim familiares não identificados é que estão envolvidos no caso. Haverá naturalmente que investigar os actos cometidos por esses familiares, mas a maior responsabilidade de alegadas ilegalidades terem ocorrido há 30 anos sem qualquer investigação e eventual punição é, de facto, do SISTEMA DE JUSTIÇA PORTUGUÊS. Que precisamente nos últimos 30 anos tem usado redes de várias malhas para, segundo o tipo de peixe miúdo ou graúdo visado, deixar em liberdade este último nos 'habitats' naturais das fraudes, dolos e outros crimes contra os interesses do País e dos portugueses (BPN e BPP, por exemplo).
(OBSERVAÇÃO: O teor deste 'post' não impede o juízo bastante crítico que faço do desempenho de José Sócrates e que, por diversas vezes, manifestei neste meu blogue. A crítica política não é uma espécie de terra do vale tudo, até o recurso a métodos pidescos. Não queiram, há maneira da arrastada argumentação da longa noite fascista, recorrer à figura de Sócrates para distrair os portugueses das nefastas políticas do governo de Passos Coelho, cujo objectivo central é castigar-nos para além do que a 'troika' exige e que já é muito.)

domingo, 4 de setembro de 2011

Quanto vai do princípio ao fim?

Do princípio ao fim, nem sempre é uma distância fácil de predizer. Depende do que pretendemos medir e, se a grandeza for de natureza imaterial e volátil como o conceito de emergência, a missão ainda mais difícil se torna. Não há ciência nem arte que valha a uma previsão rigorosa deste tipo; muito menos num País, pequeno e frágil, subordinado a poderosas forças exógenas endógenas quase invencíveis. Ainda para mais no caso da acção política ser desempenhada por agentes políticos, traidores constantes dos compromissos e intenções manifestados perante os cidadãos. Passos Coelho é um deles e já o provou à exaustão com as decisões sobre impostos em geral e a retenção de parte do subsídio de Natal que negou à jovem da Escola do Forte da Casa, Póvoa de Santa Iria, em tempos de campanha eleitoral.
Por tudo isto e muito mais do que se percebe das confusas comunicações de vários ministros, Álvaro Santos Pereira e Vítor Gaspar em especial, por que razão haveríamos de fazer fé nestas promessas de Pedro Passos Coelho? E é caso para lhe perguntar: "Que distância exacta vai do princípio ao fim?".
Mas atenção, ele está a falar de "princípio e fim do plano de emergência" e ficamos sem saber que raio de coisa será essa em termos de justiça social, distribuição de rendimentos, políticas de emprego, descongelamentos de salários e da criação de um ambiente macroeconómico que, de facto, permita ao tecido produtivo português e aos portugueses produzir e consumir dentro de padrões que o Século XXI está a fazer regredir. Aqui, como por esse mundo fora.
Os jovens do efémero curso - para alguns compensador a prazo - ouviram o grande líder na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide. Porventura, muitos ficaram enfeitiçados pelas palavras de Passos Coelho. Foi uma burlesca manipulação política, vendida como lição. Coitados deles e... de nós também.