sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Portugal pobre, custe o que custar = Poortugal, whatever the cost

 
A qualificação de aluno modelo da Zona Euro, aplicada a Portugal, está em acelerada decomposição. A revista “The Economist” – conservadora, lembre-se – não deixa de fazer algum humor, ao considerar que, à semelhança de ‘Allgarve’ do Pinho das hastes, o nosso País passou a designar-se ‘Poortugal’ (‘poor’ significa pobre em português, como referia o DN).
De resto, o conteúdo do artigo de ‘The Economist’ e a tradução pode ser lida aqui
O ministro Gaspar, pretensioso sábio ultraneoliberal, da ala radical, falhou em vários domínios da execução orçamental das previsões que ele próprio estabeleceu há 6 meses – sim 6 meses é o tempo de vida do ‘orçamento rectificativo’ apresentado em Abril. Errou no PIB, no défice, nas receitas fiscais, na dívida pública e  na taxa do desemprego. Chega?
Gaspar, em suma, apenas acertou na estratégia de colonizar o impreparado PM, Passos Coelho, como dizia ontem o social-democrata Pacheco Pereira, corroborado por António Costa (PS) e mais suavemente por Lobo Xavier (CDS-PP).
Como Passos não tem ideias próprias para a governação, e se obstina na recusa de renegociar com a ‘troika’, fica condicionado a reagir ou perfilhar a opinião de terceiros.
Há notícias de se ter encolerizado com Hollande por este divulgado que, na reunião da cimeira da UE, Espanha e Grécia expressaram preocupações pelo negativo e profundo impacto social da austeridade.
Para o PM português, como o vídeo testemunha, temos de permanecer em austeridade obsessiva. O homem, dos comentários de cábula aos  multiplicadores do FMI, associados ao desprezo pelas últimas conclusões do fundo a respeito dos efeitos impeditivos do crescimento pela austeridade severa; o homem, dizia, age apenas em função do feitiço de Gaspar.
O parceiro da parelha, Portas, diz que deve evitar-se uma crise política. Por mim, tenho a certeza de que o germe da crise é e será sempre esta coligação – se o governo lá chegar, a execução orçamental de 2013, cedo se encarregará de demonstrar que Passos, Portas, Gaspar & Cia. devem procurar nova vida. Que não seja continuar a sugar-nos e a trucidar Portugal – ou Poortugal?