terça-feira, 30 de outubro de 2012

A teoria da austeridade Ulrich (BPI): Portugal, Grécia - já agora falemos da Argentina

“A experiência argentina ilustra algumas lições fundamentais. O FMI e o Banco Mundial têm realçado a importância da estabilidade no sector bancário. É fácil criar bancos saudáveis, bancos que não percam dinheiro, devido a crédito mal parado – basta em que eles invistam em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. O desafio não consiste em criar apenas bancos saudáveis, mas bancos saudáveis que financiem o crescimento. A Argentina demonstrou que, quando isto não acontece, a situação macroeconómica pode tornar-se instável. Devido à falta de crescimento, os défices orçamentais foram-se acumulando, e, quando o FMI impôs cortes nas despesas e o aumento de impostos, desencadeou uma espiral de recessão e de caos social.”
Joseph Stiglitz em ‘GLOBALIZAÇÃO – A GRANDE DESILUSÃO’ (Pg. 112)
Fernando Ulrich sofre de incontinência verbal. Descendente de uma família ligada à banca e às finanças, ao que diz a sua biografia na Wilkipédia, nem sequer necessitou de terminar a licenciatura no hoje ISEG para ter uma carreira de sucesso. Uma genialidade bem cunhada, certamente.
Tal como a Sra. Merkel tem raízes em Hamburgo. Será que sofre da síndroma da germanofilia? Pelo menos, a dúvida fica a pairar neste complicado momento em que no ‘sistema financeiro’, reconhecido como detonador da crise mundial, ainda haja quem se arrogue  do ilegítimo direito do encobrimento da verdade e, mais do que isso, se atreve a dar lições de moral aos cidadãos portugueses.
A Grécia e os sofrimentos infligidos pela ‘troika’ ao povo grego são por demais conhecidos.
Utilizemos o exemplo da Argentina, versado no texto de Stiglitz acima transcrito. O que hoje se passa em Portugal, embora com diferenças de formato, produz semelhantes efeitos recessivos e caos social que nenhum Ulrich poderá negar.
O governo, pela inflexibilidade da Sra. Merkel e parceiros afins, entre os quais Passos Coelho, tem colocado dívida no mercado secundário, comprada maioritariamente por bancos e outras instituições portugueses. Os juros têm flutuado em função dos prazos até aos 4,5%, bastante acima da taxa de 0.75% suportada por esses bancos para empréstimos contratados junto do BCE.
Conjuntamente, com os 12 mil M € para a recapitalização bancária e os 35 mil M € de reforço das garantias para depósitos bancários, incluídos nos 78 mil M € do ‘memorando de entendimento’, exigem-se, assim, ao povo português pesados contributos para desanvalancar a banca; a qual, por sua vez, restringe ao mínimo os empréstimos às empresas e famílias, ignorando a economia.
O desprezo por políticas de crescimento é um desiderato governativo. Consequência: as insolvências e desemprego dispararam para números nunca antes registados. É em sintonia com este cenário de crescente empobrecimento que Ulrich assegura:
Na vida há sempre contingências. A certeza de auto-convencido do “aguenta, aguenta…” pode sair frustrada a Ulrich e ao governo. Já vi cair outras certezas bem mais sólidas e aparentemente consistentes  – de Reza Pahlévi à União Soviética, por exemplo. 
Ulrich que se cale. Lembro-lhe apenas que o seu banco, BPI, também entrou em várias jogadas que endividaram o País antes de Sócrates – o investimento no MARL que, em 2001, se cifrava em 38 milhões de contos e foi suportado pelo financiamento de 21 milhões, à época concedido pelo dito BPI, pelo Millennium BCP e BEI. Do lado do governo, o projecto foi lançado por Palha da Silva, então secretário de estado de Cavaco.