quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

De rastos, vendemos os restos

Do ‘memorando de entendimento’ da ‘troika’, firmado pelos três partidos, ditos do ‘arco do poder’, na pg. 14, consta:
“ 3.31. O Governo acelerará o programa de privatizações. O plano existente para o período que decorre até 2013 abrange (Aeroportos de Portugal, TAP e a CP Carga), energia (GALP, EDP, e REN), comunicações (Correios de Portugal) e seguros (Caixa Seguros), bem como uma série de empresas de menor dimensão.”
Desde os tempos de Cavaco, que o Estado Português alienou um largo conjunto de empresas. Se em alguns casos é aceitável, em outros nem tanto.
Todavia, a alienação febril causou e, nas últimas joias da coroa causará também, o domínio de capitais estrangeiros, o que equivale à perda de centros de poder; e parte desta perda traduz-se no desmantelamento de centros produtivos em território nacional.
Na saga das privatizações, em que o actual governo é lídimo actor, seguem-se agora os restantes 4,144% de participação na EDP, em complemento dos 21,35% alienados à chinesa ‘Three Gorges’.
A EDP, é preciso dizê-lo, era uma empresa que libertava lucros para o Estado, constituindo com a REN, igualmente privatizada, duas empresas estratégicas para o País.
Com esta desenfreada venda de activos, de que resulta a saída de remunerações de capitais investidos para o estrangeiro, pensa Vítor Gaspar, homem da banca sem ligação profissional ao sector produtivo, que Portugal terá parcerias de desenvolvimento. Está redondamente enganado. Se de rastos estamos, com a venda dos restos ainda mais de rastos ficaremos.
(Poul Thomsem, substituído por Selassié na ‘troika’, como dinamarquês tem a sorte da maior companhia de energia do seu país, a Dong, ser participada em 79,96% pelo Estado – porque é considerada estratégica)