sábado, 23 de fevereiro de 2013

Os caminhos do caos

Fonte: 'Público'
Os caminhos do caos, iniciados pelo governo anterior, são o trajecto eleito e firme da actual governação. Passos Coelho, sob a batuta do bancário Gaspar, não desiste da profunda destruição que idealizou para o País.

Recusou-se, pois, a inverter o sentido da caminhada. A pobreza e a catástrofe social são chagas de que a sua governação não abdica. É uma patológica obsessão.

O desemprego dispara, o défice derrapa, a dívida cresce e o crescimento encolhe. Porém, o afundamento e desestruturação social, segundo doentias convicções do PM, são fenómenos normais. Ainda agora, em Viena, minimizou o descontentamento popular. Será por ignorância ou idiotice? Provavelmente uma mistura dos dois males.

Na fé imensa de que o PAEF nos transportará ao paraíso, a cretinice leva-o a entender que 1.200.000 de desempregados é um registo social de somenos, recuperável no âmbito do projecto neoliberal que ele próprio nem sabe do que se trata. Havemos de desfrutar, dizem ele e Gaspar, de um momento regenerador, daqui a 5, 10, 20 ou 30 anos. Teremos, então, níveis de investimento avassaladores na absorção de mão-de-obra de todas as qualificações e especialidades.

As medidas de cortes de 800 milhões, de que a ‘troika’, em detrimento do povo português, terá o privilégio de conhecer em antestreia, será a fruta amarga em cima do bolo de carne de cavalo com que Gaspar e Coelho intoxicarão os portugueses em 2013. Na sequência de tão perversas oferendas com que nos têm brindado.

Os funcionários públicos serão os eleitos para a nova etapa da desgraça; desgraça esta que já começou com os professores – veja-se a abjecta desproporção entre o batalhão de candidatos, 23.000, e o número de vagas, 607, oferecidas pelo ministério do ex-esquerdista Crato.

É este género de gente, flutuante em função de cargos e tachos, que, quilómetros em acima de quilómetros, assume os poderes de nos fazer percorrer apressadamente o caminho do caos. Canalhice!