terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O sagrado sal do Espírito Santo (BES)

ricardo salgadoA fotografia deste cavalheiro, das mais funestas e nocivas criaturas dedicadas a lesar Portugal e os Portugueses, transporta-me às imagens de Marlon Brando, Al Pacino, Peter Falk ou De Niro. Só que estes foram ou são actores e ele, digamos, é mesmo um real Al Capone à portuguesa.
Investiguem-se as PPP, os projectos dos Estádios de Futebol ou dos Mercados Abastecedores, facilmente se concluirá que a banca, neste caso o BES, arrecadou e continua a arrecadar milhões, à custa do erário público. Observe-se o gráfico publicado pelo FMI no relatório da 6.ª avaliação, em Janeiro passado:
relatório FMI_6.ª avaliação.jpg (2)
A dívida externa privada, acima dos 230 mil milhões de euros, em 2009, era mais do dobro da dívida pública. Quase na totalidade, correspondia a compromissos de dívida de bancos ao exterior, em que o BES se integrava e distinguia.
Todavia, a matéria para revolta – revolta a sério – é saber que o cavalheiro Salgado, um potencial sem-abrigo segundo a teoria de Ulrich, apresentou a Carlos Costa, governador do BdP, e este pelos vistos aceitou pacificamente, a desculpa de que:
Comparando a gravidade deste “esquecimento” e a inércia do Ministério Público com milhares de execuções fiscais indevidas, por erro do sistema, é legítimo pensar que a balbúrdia e comportamentos de infame incumprimento de deveres perante o Estado são filtrados e pasteurizados por esse mesmo sistema, no caso dos poderosos a movimentar altas verbas.
Na página 3 do suplemento de Economia do ‘Expresso’, um tal Paulo Padrão (talvez Paulo do Patrão) atirou-se de unhas e dentes a Nicolau Santos por se ter “enganado” sobre algo escrito a propósito do BES.
Seria, agora, a hora do Paulo do Patrão vir explicar direitinho e com detalhe por que razão Salgado teve de rectificar 3 vezes a declaração do IRS e os motivos do  “esquecimento” do rendimento de 8,5 milhões de euros. Alzheimer, estou certo, não será a razão. Fuga ao fisco? Pelo menos é a ideia com que se fica.