sábado, 14 de julho de 2012

Espanha de Rajoy e a liberdade na Europa

democracia em Espanha
Fonte: El País
Esta idosa, no entender das forças de segurança de Madrid, é uma cidadã perigosa e subversiva; capaz de  afrontar a segurança do estado espanhol, ameaçar a estabilidade institucional vigente; e sobretudo a paz da conivência entre Moncloa de Rajoy e o Palácio da Zarzuela, do monarca caçador de elefantes e de elegantes lontras.
A senhora contestou as medidas de austeridade do governo. Deveria tê-las acatado pacífica e patrioticamente. Ainda que tivesse fome.
Ao não obedecer à guarda pretoriana hispânica, expôs-se a riscos. Que são muitos e graves, no podre regime de democracia e liberdade em Espanha, igual ao de outros lugares da Europa; onde, quem ouse defender a preservação dos direitos sociais pode acabar ferido ou detido.
Portugal, diga-se, está mais macio, mas não se furta a esta lógica de repressão. A propósito, é útil lembrar o demagogo-mor, Paulo Portas, em descabelados e mal-intencionados discursos, agora na Madeira – que merda de vírus ou bactéria política existirá na ‘Pérola do Atlântico’?



Pensionista do privado, castigado como muitos milhares em dois subsídios, posso cair na tentação da revolta contra o topete da simplificação populista, público-privado, do artista Portas – há quantos anos vive ele de dinheiros públicos?
No intuito de defesa natural do coração e da vida, é recomendável evitar  ser detido e acusado de subversão, como a idosa senhora espanhola. Em especial, cuidar de não engrossar a vaga que possa vir a levantar-se contra imorais benefícios e beneficiários de dinheiros públicos; por exemplo, deputados que, ao fim de doze anos, têm garantido o obsceno direito à reforma mensal de mais de 3 mil euros, de envolvimento em compras de equipamento militar e de outros actos controversos, igualmente públicos, menos badalados. Mas, de boas intenções está o mundo cheio e pensar em evitar não significa claudicar.
A liberdade na Europa, segundo governos e ‘troikas’ ou ‘não troikas’, está condicionado por aquilo que o povo designa por ‘comer e calar’. E o povo, aqui e além, começa a não comer e a falar alto.