quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Nem mais dinheiro, nem mais tempo – mas mais impostos por prazo indeterminado.


Confesso algum tédio em me manifestar, quase diariamente, contra o governo. Todavia, não é idiossincrasia ou fenómeno de tautologia. Resulta do que familiarmente sofro e testemunho na vida de outros cidadãos.
O descontentamento é, portanto, geral. Há fundadas razões para contestar as políticas do governo – sim, porque a ‘troika’ com cinismo já declarou que os efeitos do programa são responsabilidade do governo  
Os topetes, o amontoado de ganga de mentira e de demagogia, fez do actual governo um inímigo dos portugueses.
Coelho,  antes e depois de conhecer os descalabros das políticas por que cooptou entusiasticamente, garantiu:
“Não queremos mais dinheiro, nem mais tempo”.
Contraditoriamente, na visita em curso, o CDS fez constar ter transmitido à ‘troika’ não aceitar mais medidas de austeridade. A seguir, veio o silêncio porque Portas voltou a evadir-se – deve ser dos actuais passageiros da TAP a disputar prémio de horas de voo.
Coelho, com a lábia da mentira associada à indiferença pela vida penosa de milhões de cidadãos, afirmou:
Este irresponsável neoliberal – desculpe Sr. PM ser demasiado suave na classificação – coadjuvado pelo caixeiro viajante Portas estão, de facto, a conduzir o País a um estado de miséria semelhante ao dos tempos do racionamento de 1943; ano de resultados do comércio externo que, com Gaspar e Álvaro, gosta de invocar como paradigma comparativo do sucesso do défice externo actual – a ideia de tal miséria, diga-se, é reflectida por gente de peso do PSD. O Dr. João Salgueiro, por exemplo.
Sr. Passos Coelho, ou conselheiro Borges e outros acólitos, não usem a falácia do “nem mais dinheiro nem mais tempo”. Hipócrita e demagogicamente, o que a política do governo demonstra, descaradamente dissimulada, é justamente a necessidade de mais dinheiro, sob a forma de impostos que a maioria do portugueses não tem meios para pagar, bem como de mais tempo de confisco que, devido à situação económica-social actual, já quase não encontra vítimas para o desditoso saque.