segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Sr. Professor, “entalados” estamos nós!


Fonte: Juxtapoz
O Professor Marcelo, essa gelatinosa figura de presença domingueira na TV, tão fatal como a missa, socialmente sofisticada, dos Salesianos, no Estoril, no comentário de ontem saiu-se com uma das habituais estultícias:
 e justificou:
[quem criou a histeria foi Miguel Relvas] “ao ter confirmado à TVI que havia essa hipótese [de concessão] e era muito forte”.
Por um lado, fiquei mais tranquilo com as palavras do professor. Nem eu nem uns milhões de portugueses fomos qualificados de histéricos pelo PM.
Registo que Marcelo ignorou o protagonista do ponto de partida da controvérsia pública; esse altivo e puro sangue de Alter, conselheiro Borges. A entrevista deste foi à TVI e isso entorpeceu a abordagem do mediático professor-comentador ou comentador-professor. Já nem sei a ordem dos factores, o que é matematicamente grave.
Saindo do tenebroso negócio da RTP para a situação económico-financeira e social do País, o Prof. Marcelo deveria ter dito que quem está, de facto, “entalado” por Passos Coelho, Paulo Portas & Cia. é o povo português. E sem fuga possível. É o dizes!
Entretanto, para desencanto e baralhação do professor na próxima charla, sucedeu que Jürgen Kroger, o alemão do trio a que se junta o etíope e o careca, preto no branco e em ar de desresponsabilização total, afirmou aos parceiros sociais:
Esta argumentação da parte dos generosos autores da “ajuda externa” não me surpreendem. São habituais, principalmente dessa fábrica de desastres humanitários chamada FMI. Causarão, porventura, embaraços ao professor Marcelo. Condicionarão a próxima análise. Mas, tremelicando para lá, tremelicando para cá, a gelatina há-de sair com aspecto agradável, embora de amargo e falso sabor.
Os cidadãos portugueses, “entalados” e “enlatados”, não têm fuga possível. Saltem, pulem, mandem-se de árvore para árvore, estão sempre aprisionados perto do cocuruto da crise. Longe do solo confortável.
Vistas as coisas de outro ângulo, desta sim, é que Passos Coelho e acólitos ‘laranjas’ ficaram “entalados” para futuros discursos de justificação dos “desvios colossais”. A menos que entrem em polémica com a sinistra “troika”, igual e obviamente corresponsável pelos resultados da terapia que prescreveu e que Passos, repetindo reiteradamente, aceitou e excedeu como programa de governo. 
Resta uma pergunta: como e quem nos desentala?