sábado, 15 de setembro de 2012

O Presidente da República e o estado de inquietação orçamental

De todos os Presidentes da República do pós-25 de Abril, a maioria militares e homens de leis, Aníbal Cavaco Silva é o único economista, presciente doutorado em ‘Finanças Públicas’, no desempenho do cargo.
No robusto e diversificado currículo de Cavaco, inscrevem-se actividades profissionais no Banco de Portugal, de professor graduado nas Universidades Nova de Lisboa e Católica, bem como o exercício efectivo dos cargos de Ministro de Finanças e de Primeiro-Ministro de Portugal.
De um especialista desta envergadura – único no cargo, repete-se – exige-se estar seguro, na avaliação e juízos próprios da proposta do Orçamento Geral do Estado, assim como das desmesuradas medidas de austeridade do governo. Mas, ao contrário da sua amiga, Manuela Ferreira Leite, o PR dá sinais de ansiedade e incertezas do processo de decisão - a par de ostensiva parcialidade e desprezo por direitos de cidadania. O que critica raramente se transforma em reprovação efectiva.
O estado de inquietação que o domina, mesmo tratando-se de alguém que raramente se engana e nunca tem dúvidas, tem a curiosidade e a coincidência de jamais ter dispensado anualmente, nesta área de (in)decisão, o Conselho de Estado – no caso será no próximo dia 21 de Setembro (aqui).  
Há também uma originalidade: além dos 19 membros do dito Conselho, muitos dos quais afectos ao PSD, como aqui é possível ler, Cavaco convocou para estar presente na sessão do CE o ministro Vítor Gaspar.
Segundo o ‘Público’, no1.º § da notícia:
O ministro das Finanças também vai estar presente a explicar as medidas de recuperação económica.
Medidas de recuperação económica? Ou se trata de ‘gafe’ redactorial, ou de um tipo de zelo ludibriante difícil de digerir.
Do que se tratará, isso sim, é da habitual procura de Cavaco da adesão da maioria dos conselheiros para as políticas orçamentais brutais de Passos Coelho que, como é habitual nas receitas do FMI, estão a arrastar o País para um estado geral de pobreza e miséria que só tem paralelo no Estado Novo antes dos anos 1960… antes dos anos 1960, ouviram!