quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Comentadores, políticos e a crise britânica

A boçalidade dos comentadores, aqui denunciada, é, de facto, o caminho fácil e ligeiro de opiniões de figuras da comunicação social. De forma superficial e sem rigor, reduzem os acontecimentos do Reino Unido a episódios irresponsáveis de violência juvenil. Sem cuidarem, portanto, de entender causas da alienação social em que vastos agregados populacionais estão submersos. Confrontando-se com agentes de autoridade e derrubando espaços emblemáticos de uma sociedade consumista hipócrita, injusta e completamente dominada por espúrios interesses do nefasto 'capitalismo financeiro'.
As medidas de combate à crise, seleccionadas pelos poderes vigentes, como aqui argumenta Joseph Stiglitz é "a certeza de que a situação vai piorar, independentemente das acções que tomemos" (sic).
Distantes de uma visão mais profunda e objectiva, Martim Cabral, um  admirador e privilegiado beneficiário de 'A Vida é Bela', esquece-se deliberadamente que, enquanto ele e a sua colega Conceição se reflastam em hotéis de luxo e manjam iguarias e abocanham a pitança, existem outros seres humanos a passar privações que, esgotados pelo sofrimento, se entregam a acções de raiva, como as classificou e bem o meu amigo João José Cardoso. De resto, a quem quiser ser sério na análise, é preciosa a leitura deste 'post' de Alexandre Abreu em 'Ladrões de Bicicletas'.
Segundo certas notícias, nomeadamente esta do 'Irish Independent', há crianças menores, de nove anos por exemplo, envolvidas nos acontecimentos. Será que nem mesmo a participação infantil nos chamados 'riots' não é motivo para maior cuidado na reflexão e comentários de gente da comunicação social? Parece que não. À semelhança do que sucede com o PM do Reino Unido, David Cameron, que reduz a solução da crise social ao reforço de uma maior repressão. Já há 4 mortos e cerca de 1100 detidos.
Enfim, o mundo vive actualmente momentos muito conturbados, das bolsas à rua. Porém, para os políticos a escolha simples. Entre uma e outra coisa, escolhem o 'colarinho branco'. Miopia e desonestidade. São incapazes de travar a derrapagem das economias. Depois de Espanha e Itália, segue-se a França. A periferia, como o anti-ciclone dos Açores, está deslocar-se. Exactamente para o imaculado 'Centro' e inevitavelmente chegará ao 'Norte'.