quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cavaco (Estigma) Silva


O Senhor Presidente da República – 1.º Ministro de Portugal de 6 de Novembro de 1985 a 28 de Outubro de 1995 – teve uma intervenção, para mim, geradora de enorme perplexidade no Congresso das Comunicações, devotado ao tema “Um Mar de Oportunidades”.
Inspirado talvez no ‘cabo submarino’ e em outros elementos específicos daqueles que subsistem em ambientes aquíferos, mas não se dispensam de ‘meter água’, declarou:
“… é necessário olhar para o que esquecemos nas últimas décadas e ultrapassar os estigmas que nos afastaram do mar, da agricultura e até da indústria”
Quero acreditar que, nas “últimas décadas”, se inclui aquela em que ele próprio governou o País e os aviltantes processos de, a troco de fundos europeus, terem sido eliminadas produções agrícolas e abatidas embarcações pesqueiras que se transformaram em vistosos Jeep’s, BMW e vivendas em zonas de novos ricos.
A nossa vocação era convertermo-nos num ‘País de Serviços’, proclamava então.
Não esqueço obviamente a destruição industrial, em especial da CUF/Quimigal, executada pelo seu ministro Mira Amaral – entre muitas, a alienação da Sonadel-Uniclar-Unisol à Colgate, realizada pelo então “boy” Carrapatoso”. Foi muito sintomática, chegando mesmo à “cunha” para empregos.
No desmantelamento da agricultura, da pesca e da indústria, a lista é demasiado vasta. Dispensamos os detalhes.
No discurso do ‘Congresso das Comunicações’, e certamente simbolizado por sinais electrónicos e transdutores, não seria de todo despropositado que o Senhor Presidente da República à terra agrícola, ao mar oceânico e aos solos industriais, juntasse também o ‘ar’. Sim o ar imenso, por onde transitam os aviões da emblemática TAP que, sob sua aprovação, vai ser alienada para mãos estrangeiras, não obstante o inegável valor estratégico que representa para a portugalidade no mundo – especialmente em África e na América Latina.
São estes gravíssimos erros, cometidos anos a fio desde 1985, que conduziram e continuarão a conduzir à pobreza e ao infortúnio um povo que, reconheça-se, tem sido sucessivamente ludibriado e cada vez mais se afunda na responsabilidade de escolher os piores para governar o País.
‘Fado da Tristeza’, chamou-lhe José Mário Branco….