terça-feira, 27 de novembro de 2012

OGE 2013: do civismo do protesto à surdez de Cavaco



A legitimidade e o direito à manifestação hoje, frente à AR, não ficaram ensombrados e secundarizados por incidentes de apedrejamentos e bastonadas distribuídas a torto e a direito; estas, sem olhar a quem, sobre culpados e inocentes.
Provavelmente o civismo manifestado constituiu uma frustração para o governo; ou mesmo para a putativa PSP, umas vezes tão reivindicativa, as demais agressiva no desancar do ‘Zé Povinho’ da cabeça aos pés. Que sangrem até ao mais sofrido gemido e à dor mais dura da alma!
A cumular episódios em que, manifestação após manifestação, muitos, mesmo muitos, cidadãos saíram à rua em protesto, os milhares que hoje se concentraram diante da AR e imediações contestaram ordeiramente esse documento assassino de direitos e de justiça social, designado OGE 2013, bem como o autor Gaspar, o chefe Coelho e o demagógico Portas – apoiados, evidentemente, pelas bancadas do PSD e CDS, ressalvando o deputado centrista da Madeira, de nome Barreto.
No final da manifestação foi feito um apelo ao Presidente, Cavaco Silva, para que ouvisse e tivesse em conta o protesto. Pela minha óptica, o PR, este tipo de acontecimentos, obstina-se a ignorar: não ouve, não vê, nem nunca ouviu falar.
Cavaco Silva sofre de surdez selectiva,  de fictícia sensibilidade social e, para rematar, de um fanatismo ‘laranja’ que, fatalmente, se traduz no apoio dos ‘gentlemen e boys’ do PSD – lembram-se do tempo necessário à remoção de Dias Loureiro do Conselho de Estado?
O País apenas mudará se mudarem os homens do poder actual e as nefastas políticas em execução. O mesmo é dizer que a UE também terá de alterar o rumo no sentido da defesa  do humanismo e da coesão social, em detrimento da protecção dos altos interesses financeiros.