terça-feira, 20 de novembro de 2012

Dilma e Gaspar, o abismo que os separa

dilma rousseff
vtor gaspar
Vítor Gaspar, ontem, no tom monocórdico e pastoso que o caracteriza, mesmo desfalcado da preciosa Luís Albuquerque, montou e realizou mais um espectáculo da série ‘Portugal no processo do subdesenvolvimento em curso’.
No estilo peculiar, de quem está ciente de discursar apenas para tecnocratas e alguns parvos e ignorantes, proclamou a “velha novidade” de que, na 6.ª avaliação da ‘troika’, o desempenho de Portugal havia sido qualificado de positivo e que, por conseguinte, uma nova tranche de 2,5 milhões de euros vai ser desbloqueada.
Trata-se, de facto, de uma “velha novidade”, porque a patroa Merkel, embora alegando não ter nada a ver com o programa de austeridade da ‘troika’, há dias em Lisboa não prescindiu de afirmar:
Do mais amargo do discurso, destaca-se o sinuoso percurso discursivo a respeito das reformas do Estado - Estado Social, entenda-se - para reduzir a despesa pública em 4 mil milhões de euros, com maior efeito nas contas de 2014.
A brutal e desumana austeridade, com agravamento programado para 2013, é um projecto de que tão cedo não nos livraremos de Coelho, Portas e Gaspar - há militantes dos dois partidos do poder que defendem essa ideia.
E a propósito de austeridade, é oportuno ter em conta o que Dilma Ruosseff disse há dias: 
Dilma, que viveu o Maio de 68 em Paris, foi presa e torturada pela ditadura militar brasileira, é uma economista honesta, competente e patriota.
Gaspar é um financeiro, coisa diferente de economista, que terminado o mandato, terá à espera uma cadeira dourada no FMI, no BCE ou em outra nefasta organização financeira daquelas que, em ritmo gradual, apostam em destruir o projecto de progresso e coesão social da UE. Provavelmente, Herr Schäuble será o padrinho.