sexta-feira, 23 de novembro de 2012

OGE 2013: outro vil assalto à classe média e aos pobres (I)

No âmbito da discussão da especialidade do OGE de 2013, a maioria parlamentar, constituída por um partido auto-classificado de “social-democrata” e por outro que, sob a capa da “democracia-cristã”, auto-intitulado “Partido dos Contribuintes”, acaba de cometer o roubo fiscal mais volumoso e grave de que há memória no país.
O vilão de serviço na AR foi o tortuoso Marco António Costa, cacique laranja nortenho, arvorado em secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social – o ministro Mota Soares, sim era a ele que competia anunciar as medidas, evitou o risco de nem aos solavancos falar, ficando afónico por afectação dos divertículos de constituição muscular vocal.
Quem tenha lido este documento do FMI, emitido fora do âmbito da ‘troika’ como no próprio se sublinha, entende que, pelo servilismo e insensibilidade social, o ministro Gaspar está a executar, sem compaixão, os sinistros objectivos da instituição de Christine Lagarde. Citamos, apenas, algumas passagens do abjecto documento:
“O sector público foi financiado para gastos de rápido crescimento na protecção social, através de impostos mais elevados e acumulando dívidas…”
“O desemprego [em 2013] subirá para taxas mais altas…”
“Despesa orçamental, especialmente em gastos públicos, salários e transferências sociais…”
“O foco principal terá de ser racionalizar mais o sector público a pagar e no emprego, bem como as pensões de reforma e outras transferências sociais…”
Fiquemos por aqui. Além de uma preocupação repetida e intensa com a recapitalização da banca, o FMI, na forma e substância peculiares das prescrições que manda aplicar, não faz uma única alusão aos gastos PPP’s e outros sorvedouros de dinheiro que renderam altos lucros a consórcios formados por grandes empreiteiros e banca. Já nem falamos do aumento da dívida privada externa que, por esta via, se expandiu para níveis muito superiores à dívida pública.
Ao contrário da propaganda do governo, o que os cortes hoje anunciados vão financiar serão fundamentalmente as dívidas e outros desmandos (BPN, BPP, …) e não a pensão dos pobres.
Aqui no interior alentejano, vejo receber na estação dos CTT verbas de 180,00 euros de pensão mensal. Esses reformados – diz-se –passarão a auferir mais 15,00 euros mensais. 
Os pobres, esses através de impostos indirectos como o IVA e gastos superiores com os cuidados de saúde, também pagarão a sua conta.  Ao contrário do que Marco, o propagandista de serviço, afirmou na Casa da Democracia.