sexta-feira, 28 de março de 2014

Afinal quem fala verdade no governo?

Marques Guedes, em diversos canais televisivos surgiu ontem, em  estilo fanfarrão e de tão peremptória como falsa negação de acto de comunicação do governo, a respeito dos cortes de reformas, pensões e salários da função pública.
Além de intolerável, foi descomunal a inverdade. É um acto anti-democrático grave ter acusado a totalidade da comunicação social de manipulação da opinião pública. Sublinhe-se que os jornalistas se limitaram a comparecer a uma reunião convocada pelo secretário de estado das finanças, um tal Leite Martins. Este fez saber que reformas e pensões ficarão indexadas à evolução da demografia e economia do País, a definir em resultado de estudos em curso.
Transmitida na imprensa em geral, a comunicação foi classificada por Marques Guedes, sem ponta de vergonha, tratar-se de “uma manipulação da opinião pública” por parte dos jornalistas presentes, a partir de uma conversa em ‘off’ – esta da conversa em ‘off’ com profissionais por um membro do governo, nas condições em que foi convocada, é de facto uma patranha de que apenas Marques Guedes e  energúmenos se atrevem a utilizar.
Curiosamente, e a ‘Sapo’ deverá ter explicações, o vídeo com as declarações do Guedes não está em condições de reprodução; o endereço é este: http://videos.sapo.pt/71sMQbnK5taVN0BvJrlj. Por que razão? Censura? Só pode ser este o motivo.
Entretanto, na AR, hoje Paulo Portas, o pantomineiro do partido dos reformados, pensionistas e contribuintes, em coro com o insípido e desorientado Poiares Maduro, declararam aos deputados que o ‘briefing’ de Leite Martins foi um “erro” e criou “ruído”.
Seria folclórico e divertido, mas o acontecimento é demasiado grave e serve para, uma vez mais, demonstrar a incapacidade desta gentalha para o estatuto de estadistas políticos que imaginam preencher com nobreza.
Tenham vergonha! Demitam-se irrevogavelmente, porque milhões de portugueses, na pobreza ou mesmo na miséria, já não os suporta. Além de tudo, na comunidade, sabe-se que nunca dizem a verdade.