segunda-feira, 31 de março de 2014

O sucesso tecnocrático do nosso empobrecimento







Memorando de Entendimento de 17 de Maio de 2011
(Este memorando não faz a mínima referência à retirada de subsídios de Férias e de Natal a quem quer  que seja e no ponto 1.11 estabelece a redução de pensões acima de 1.500 euros - a desculpa com o Tribunal Constitucional é um falso argumento - ver páginas 2 e 3 do memo.) 

O défice de 2013 revelado pelo INE tem múltiplas causas, não sendo despiciendas as sucessivas alterações de previsão:
- Teixeira dos Santos e Eduardo Catroga, os dois principais negociadores dos subscritores portugueses do memorando e a famigerada troika começaram por estabelecer em 3% a meta do défice para o último ano;
- Em Outubro de 2012, essa meta foi alterada para 4,5%;
- O receio de Vítor Gaspar de, inclusivamente depois de acrescentar 50% ao objectivo inicial (3% * 1,50 = 4,50%) poder falhar, levou-o a renegociar com a troika no sentido de reestabelecer o défice em 5,5% - com a injecção de capitais do Estado no Banif, a previsão fixou-se finalmente em 5,9%..
O défice de 2013 fixou-se em 4,9% do PIB, ou seja, em - 8121,7 milhões de euros; este valor traduz que o PIB, - 1,4% do que em 2012, atingiu um valor de cerca de 165.700 milhões de euros.
Se mudarmos o foco da análise do défice para a dívida pública, conclui-se que, em 2013, atingimos um endividamento público de 129%, comparável a 124,1% de 2012. A estes desastrosos trajectos, os nossos governantes detestam referir-se. Com o Sistema Europeu de Contas Nacionais (SEC 2010), a dívida pública ficará agravada em Setembro próximo para cerca de 140% do PIB; isto, se não ocorrerem outros deslizes.
Os trabalhadores portugueses através de "enormes" contribuições e impostos - em Fevereiro de 2014 as receitas do IRS, segundo página 7 da execução orçamental, cresceram 17,7% relativamente ao período homólogo de 2013 - estão a ser sufocados pela pesada e desumana solução que em especial FMI , os Srs. Schäuble, Draghi, Barroso e  Gaspar aprontaram.
Pode Maria "Loura" Albuquerque sorrir sem cessar nos forums do  Ecofin ou do Eurogrupo. Todavia, sorrisos não pagam dívidas. E a nossa e a de países em idêntica situação gravosa, tarde ou cedo, vão ter de ser reestruturadas. Ou então o euro vai à vida.
Eis para que nos servirá a euforia de - 1% de défice em 2013; redução também artilhada por mais de 1200 milhões de perdões fiscais que, na qualidade de receitas extraordinárias, tendem a não se repetir. 
Tudo isto é uma história do sucesso tecnocrático do nosso empobrecimento.